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Suni Williams se aposenta da NASA após missão do Starliner que a deixou nove meses no espaço

Astronauta mulher em traje azul na janela da Estação Espacial com vista da Terra ao fundo.

A astronauta da NASA Suni Williams, que acabou permanecendo no espaço por nove meses devido a falhas na sua nave, se aposentou após 27 anos de serviço, informou a agência espacial na terça-feira.

Williams deixou oficialmente o cargo em 27 de dezembro, encerrando a carreira com a missão que se tornaria sua última viagem ao espaço.

Missão do Boeing Starliner à ISS: de oito dias planejados a nove meses em órbita

Em junho de 2024, Suni Williams e o também astronauta Barry “Butch” Wilmore partiram para uma missão prevista de oito dias: o objetivo era realizar o voo de testes do novo Boeing Starliner, em sua primeira missão tripulada, rumo à Estação Espacial Internacional (ISS).

Durante o trajeto até a ISS, o Starliner apresentou problemas de propulsão. Com isso, a nave foi considerada inapta para realizar o retorno com segurança, deixando os dois astronautas inesperadamente isolados em órbita por um período muito maior do que o planejado.

Retorno com a SpaceX de Elon Musk após decisão da NASA

Diante das dificuldades técnicas, a NASA decidiu confiar o retorno da tripulação à SpaceX, empresa de Elon Musk, em uma escolha que representou um claro afastamento da solução oferecida pela Boeing naquele momento.

Depois de meses adicionais no espaço, Williams e Wilmore finalmente retornaram em segurança à Terra em uma missão da SpaceX, em março de 2025. Mais tarde, Wilmore anunciou sua aposentadoria em agosto do mesmo ano.

“Uma honra incrível”: a despedida de Williams

Apesar do episódio com o Starliner, Williams descreveu sua trajetória na agência como “uma honra incrível”.

“Quem me conhece sabe que o espaço é, de longe, o meu lugar favorito para estar”, afirmou ela em comunicado.

Reconhecimento da NASA e impacto na exploração e na órbita baixa da Terra

Em nota divulgada na terça-feira, o administrador da NASA, Jared Isaacman, declarou que Williams foi uma “pioneira do voo espacial humano”. Ele acrescentou que ela ajudou a moldar o “futuro da exploração” por meio de sua liderança a bordo da estação espacial e que contribuiu para abrir caminho para missões comerciais à órbita baixa da Terra.

Além do impacto operacional, missões como essa também reforçam o papel crescente de parcerias entre agências públicas e empresas privadas. A dependência de diferentes veículos e fornecedores amplia a capacidade de acesso ao espaço, mas também exige processos rigorosos de certificação, redundância e tomada de decisão rápida quando um sistema apresenta falhas - especialmente em voos tripulados.

A aposentadoria de Williams, por sua vez, evidencia como carreiras longas na ISS deixam um legado que vai além das estatísticas: elas ajudam a consolidar protocolos de segurança, rotinas de manutenção e práticas de convivência e liderança em missões de longa duração, elementos essenciais para futuros projetos em órbita e para ambições ainda maiores de exploração.

Números da carreira: 608 dias no espaço e recordes em caminhadas espaciais

Ao longo da carreira, Suni Williams acumulou 608 dias no espaço - o segundo maior tempo total em órbita entre astronautas da NASA, segundo a agência.

Por causa do incidente com o Starliner, ela também aparece em sexto lugar entre os voos únicos mais longos realizados por um astronauta norte-americano, acrescentou a NASA.

Williams realizou nove caminhadas espaciais, somando 62 horas. Esse é o maior tempo de caminhadas espaciais já registrado por uma mulher e o quarto maior no ranking histórico de duração acumulada de atividades extraveiculares.

© Agence France-Presse

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