Nos últimos anos, os puxadores de portas retráteis viraram um recurso cada vez mais comum nos automóveis - especialmente nos elétricos. A ideia vendida ao público era simples: melhorar a aerodinâmica, deixar o desenho da carroceria mais “limpo” e, como bônus, ajudar na autonomia. Na prática, porém, a experiência do dia a dia tem mostrado que essa solução ainda está longe do ideal.
Volkswagen e os puxadores retráteis: “bonitos, mas terríveis de usar”
Essa moda pode estar perto do fim. Os puxadores “do jeito antigo” têm chances reais de voltar com força, principalmente depois de declarações vindas de dentro da própria indústria. Em entrevista à Deutsche Welle durante o Salão de Munique (IAA 2025), Thomas Schäfer, diretor-executivo da Volkswagen, reconheceu que os puxadores ocultos podem ser atraentes do ponto de vista estético - mas afirmou que são “terríveis de operar”.
De acordo com Schäfer, a Volkswagen levou em conta o que tem ouvido dos consumidores e pretende retomar alternativas mais tradicionais. Um exemplo citado é o futuro Volkswagen ID. Polo, que deve adotar puxadores fixos.
China pode barrar puxadores ocultos a partir de 2027
Enquanto isso, na China - hoje o maior mercado automotivo do planeta - reguladores estariam avaliando uma proibição de puxadores de portas retráteis a partir de julho de 2027. A informação foi divulgada pelo Mingjing Pro, com base no relato de um responsável de pesquisa e desenvolvimento de uma montadora.
Segurança e ganhos reais: o que está em jogo
O principal motivo por trás dessa discussão é a segurança. A preocupação é que esse tipo de puxador represente um risco maior em caso de colisão, já que pode ter mais chances de falhar justamente quando seria necessário abrir a porta com rapidez.
Além disso, os ganhos de aerodinâmica - frequentemente apresentados como a justificativa número um para a adoção do sistema - seriam muito pequenos, o que coloca em xeque a relação custo-benefício quando comparada a soluções convencionais.
Outros pontos que pesam contra o sistema
Além da segurança em acidentes, os puxadores retráteis também podem gerar frustração em situações cotidianas: falhas de acionamento, demora para “aparecerem” e funcionamento inconsistente em ambientes com sujeira, chuva ou variações de temperatura. Para quem usa o carro todos os dias, a ergonomia e a previsibilidade acabam valendo mais do que um visual minimalista.
Outro aspecto relevante é o atendimento em emergências. Em cenários de resgate, cada segundo conta, e mecanismos menos intuitivos podem dificultar o acesso ao interior do veículo por terceiros - especialmente se houver problemas elétricos após um impacto.
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