Pular para o conteúdo

Tesla na Austrália é atingido por objeto misterioso, e pode ser caso inédito mundial (atualizado).

Carro elétrico Tesla modelo Meteor-X vermelho exposto em ambiente interno moderno e iluminado.

Um objeto que atingiu o Tesla de um australiano enquanto ele seguia por uma rodovia pode ter sido um meteorito.

Andrew Melville-Smith, veterinário da cidade de Whyalla, no estado da Austrália do Sul, contou à Australian Broadcasting Corporation (ABC) que o impacto no para-brisa foi tão forte que o vidro pareceu amolecer e derreter parcialmente, com rachaduras se espalhando em padrão de teia a partir do ponto de colisão.

O carro, que segundo relatos estava com o Piloto Automático ativado naquele momento, seguiu em frente como se nada tivesse acontecido.

Investigação do Museu da Austrália do Sul sobre o possível meteorito

Melville-Smith comunicou o episódio e o local exato ao Museu da Austrália do Sul, que agora apura o caso para identificar a origem do projétil.

Se a confirmação apontar para um meteorito, o evento entra para o grupo de pouquíssimos registros em que um meteorito acerta um veículo em movimento.

Atualização (4 de novembro de 2025): uma versão anterior deste texto indicou que poderia ser o primeiro caso do tipo, porém há relatos de que o meteorito de St. Louis atingiu um carro em movimento em 10 de dezembro de 1950.

“Eu achei que a gente tinha batido; foi muito alto, foi muito violento, foi completamente inesperado”, disse Melville-Smith à ABC. “O carro estava seguindo normalmente, indiferente… como se não percebesse o caos que estava acontecendo dentro do habitáculo.”

Meteoritos na Terra: por que quase nunca vemos (e muito menos somos atingidos)

Material vindo do espaço cai continuamente sobre a Terra a uma taxa de cerca de 5.200 toneladas por ano. Ainda assim, a maior parte desse volume chega em forma de poeira microscópica, tão pequena que você nem identificaria como material cosmogênico sem que alguém apontasse.

É bem provável, inclusive, que microfragmentos de meteoritos estejam se acumulando nas calhas do telhado da sua casa enquanto você lê estas linhas.

Já pedaços maiores são bem menos comuns: ao atravessarem a atmosfera, tendem a aquecer, se fragmentar e se desintegrar durante a queda. Por isso, é extremamente raro alguém sequer ver um meteorito pousar no solo - quanto mais ser atingido por um.

Tesla, para-brisa e meteorito: o que os especialistas vão procurar

A primeira etapa do museu é analisar o próprio para-brisa para verificar se alguma partícula ficou incrustada no vidro. Caso os indícios sejam compatíveis com uma origem espacial, os mineralogistas então devem ir a campo tentar localizar o fragmento rochoso.

“O que chama muita atenção é que o vidro do para-brisa realmente derreteu um pouco; houve muito calor no que quer que tenha atingido o para-brisa”, afirmou à ABC o mineralogista Kieran Meaney, do Museu da Austrália do Sul.

Cientistas consideram que, quando meteoritos chegam ao chão, o interior costuma estar relativamente frio; o aquecimento intenso da entrada atmosférica pode queimar e vaporizar a camada externa sem transferir tanto calor para dentro do objeto.

Ainda assim, se um corpo estiver veloz o suficiente, ele pode produzir calor extremo no instante do impacto, já que parte da energia cinética se converte rapidamente em energia térmica.

Como orientação prática em ocorrências desse tipo, preservar o veículo e evitar mexer no local do impacto pode ajudar a manter vestígios - especialmente microresíduos - para análise. Registrar o ponto aproximado (com coordenadas, quando possível) e comunicar um museu ou instituição científica também facilita a investigação.

Outras hipóteses além de meteorito

Apesar da teoria do meteorito estar na mesa, há explicações potencialmente mais prováveis, como lixo espacial, algum objeto desprendido de uma aeronave que passava pela região ou até uma pedra comum da própria Terra.

“Pode ser que, quando investigarmos melhor, a gente descubra que é outra coisa, mas no momento [meteorito] é a hipótese com a qual estamos trabalhando”, disse Meaney.

“E, se confirmarmos que é um meteorito, provavelmente vamos até o local onde isso aconteceu para tentar encontrar o pedaço de rocha.”

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário