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Malcolm: Nada Mudou no Disney+ é sucesso ou fracasso?

Jovem sorrindo sentado no chão com caixas de DVDs, comediante na TV e tigela de cereal colorido.

Desde esta sexta-feira, 10 de abril, o aguardado revival de Malcolm já está disponível no Disney+. Mas a grande pergunta é: vale a pena?

Abril está sendo um mês muito movimentado para quem acompanha séries. Entre a quinta temporada de The Boys, o derivado de The Handmaid’s Tale e o retorno triunfal de Euphoria, fica até difícil decidir por onde começar. Agora, é a vez de uma produção cult fazer sua volta: Malcolm. Sim, estamos falando daquela série que acompanhou muita gente na infância e que era presença garantida nos verões da TV, mesmo quando os episódios passavam fora de ordem. Isso, no entanto, nunca foi realmente um problema.

Durante muitos anos - e ao longo de 151 episódios - demos risada com Malcolm, Reese, Dewey, Hal, Lois e Francis. Duas décadas depois, trazer de volta essa família caótica por meio de um revival com 4 episódios é uma aposta arriscada. Assistimos aos quatro capítulos de Malcolm: Nada Mudou no Disney+ e contamos abaixo o que achamos.

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Nostalgia de Malcolm: o peso das lembranças

Quando começa a tocar “Boss of Me”, da banda They Might Be Giants, é impossível não abrir um sorriso. Em segundos, somos transportados de volta para a sala de estar da família, duas décadas atrás. Rever Malcolm e os demais personagens na tela é, sem dúvida, um prazer. Em Malcolm: Nada Mudou, tudo soa conhecido - exatamente como o título sugere.

Claro, os personagens já não são os mesmos. A maioria carrega rugas, enquanto Hal e Lois exibem fios brancos com naturalidade. É inevitável sentir o impacto do tempo. Ainda assim, o primeiro episódio não perde um segundo sequer para nos recolocar no universo da família mais desajustada dos Estados Unidos, como se vinte anos simplesmente não tivessem passado. E, honestamente, é bom reencontrar todo mundo e descobrir o que aconteceu com cada um.

Malcolm continua sobrecarregado o tempo todo, Lois segue afiada como sempre, Hal continua arrancando gargalhadas, Reese ainda não é exatamente um gênio, e Francis mantém sua luta permanente para estar no centro das atenções. O revival faz questão de reforçar essa ideia de que quase nada mudou, e os quatro episódios apostam em referências, piscadelas ao passado e pequenos empurrões nostálgicos para sustentar essa sensação.

Malcolm ainda sabe ser atual?

Só que nostalgia, sozinha, não segura tudo. É ótimo rever esse grupo, mas também bate uma certa frustração ao perceber que, de fato, quase nada evoluiu. Vinte anos se passaram, e os membros dessa família disfuncional parecem ter mudado pouquíssimo. Isso incomoda, porque parte da graça de um retorno assim seria justamente descobrir novas camadas desses personagens.

Felizmente, novos rostos aparecem para trazer um pouco de frescor e equilibrar a fórmula. Esse acréscimo ajuda a evitar que tudo fique completamente preso ao passado e também abre espaço para situações diferentes dentro da dinâmica familiar.

Ainda assim, as reuniões e reencontros acabam soando um pouco pesados. O humor existe, mas está longe de funcionar em todas as tentativas. As piadas se acumulam em sequência, e enquanto algumas provocam risadas genuínas, outras deixam uma leve sensação de desconforto. Dá a impressão de que a série quer, a todo custo, provar que continua relevante. E poucas coisas soam mais forçadas do que isso.

Um revival vive de duas forças difíceis de equilibrar: a memória afetiva do público e a necessidade de justificar sua existência no presente. Quando ele aposta apenas no saudosismo, corre o risco de parecer uma réplica envernizada do original. É justamente esse tipo de armadilha que Malcolm: Nada Mudou enfrenta em vários momentos.

Tudo isso para quê?

Ao longo de seus seis anos no ar, Malcolm sempre seguiu uma estrutura parecida: cada episódio tinha começo, meio e fim bem definidos. Em algumas ocasiões, a história se resolvia em dois capítulos. Nesta nova versão, porém, a fórmula mudou - e a adaptação nem sempre convence.

O fio condutor dos quatro episódios é o 40º aniversário de casamento de Lois e Hal. Embora existam várias tramas e subtramas em andamento, a sensação final é de que a narrativa gira em círculos. Em vez de avançar de forma consistente, a série parece permanecer no mesmo lugar, o que deixa um gosto um tanto incômodo ao final da maratona.

Essa escolha também reforça uma dúvida importante: a produção queria apenas reverenciar a obra original ou realmente acrescentar algo novo à história? Em vários trechos, a resposta parece pender mais para a primeira opção do que para a segunda, o que limita o impacto do revival.

Vale a pena assistir a Malcolm: Nada Mudou?

Dizer que tivemos um péssimo momento assistindo a Malcolm: Nada Mudou seria exagero. Ao mesmo tempo, também seria injusto afirmar que o revival correspondeu totalmente às expectativas. Ele funciona como uma reunião com amigos da infância: talvez não fôssemos amigos se nos conhecêssemos hoje, mas ainda assim é agradável passar algum tempo com eles de vez em quando.

Então, vale assistir à continuação de Malcolm? Sim, não, talvez, não sei... O melhor é tirar sua própria conclusão. Os 4 episódios de Malcolm: Nada Mudou já podem ser maratonados no Disney+. Do nosso lado, porém, a vontade que ficou mesmo foi de rever a série original.

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