As vendas de PC avançaram com força no primeiro trimestre de 2026, mesmo em meio à turbulência provocada pela crise da RAM. A Apple também registrou um desempenho muito sólido, impulsionada pelo MacBook Neo.
A escassez de RAM está afetando duramente o mercado de PC e elevando os preços de maneira acentuada. Ainda assim, isso não tem desanimado os consumidores. A IDC divulgou os números do primeiro trimestre de 2026, e o balanço é bastante positivo.
No total, 65,6 milhões de computadores foram vendidos nos últimos três meses, o que representa alta de 2,5% em comparação com o mesmo período de 2025. A Asus foi quem mais cresceu, com avanço de 17,1%. A Apple também conseguiu se destacar, com expansão de 9,1%, resultado do sucesso do MacBook Neo, um computador de baixo custo que vem chamando muita atenção. De modo geral, os fabricantes tiveram bom desempenho, com a exceção da HP, que viu suas entregas recuarem.
Por que os PC continuam vendendo tão bem em meio à crise da RAM?
Falamos quase todos os dias sobre a crise que atinge a memória RAM e faz os preços subirem. Então por que, nesse cenário, os PC seguem vendendo tão bem? Na prática, a própria crise ajuda a explicar esse movimento. Muitos compradores estão antecipando a compra para escapar de aumentos futuros, mesmo sem necessidade imediata de trocar de máquina. Além disso, o fim do Windows 10 deixou vários computadores antigos sem condições de acompanhar a nova realidade, o que obrigou parte dos usuários a renovar seus equipamentos.
Esse comportamento também aparece com frequência entre empresas e equipes de tecnologia, que costumam acelerar aquisições quando percebem que um componente essencial pode ficar ainda mais caro. Em momentos assim, a decisão de compra deixa de ser apenas uma resposta à necessidade e passa também a funcionar como uma proteção contra novas altas.
Em ciclos como esse, cresce também a procura por modelos de entrada e por máquinas prontas para uso, já que muita gente prefere levar um equipamento disponível imediatamente em vez de esperar uma eventual normalização dos preços. Isso ajuda a pressionar ainda mais a demanda no curto prazo.
Não se engane. Esses bons resultados parecem mais um canto do cisne do que qualquer outra coisa. A IDC já espera um ano especialmente complicado, como observou seu vice-presidente de pesquisa, Jean-Philippe Bouchard:
“A solidez da cadeia de suprimentos de cada fabricante de PC e a capacidade de acessar componentes essenciais, como a memória, serão colocadas à prova.”
A situação deve piorar por causa da guerra no Irã, segundo Isaac Ngatia, da IDC:
“O conflito no Oriente Médio intensificou a volatilidade de um mercado de dispositivos informáticos já fragilizado, pressionando a logística global com o aumento dos custos de energia e a disparada das tarifas de frete. De um lado, as rotas marítimas continuam interrompidas, sobretudo as que ligam a Ásia à região EMEA; de outro, o uso do frete aéreo ficou mais caro. No fim, esses custos extras se espalham por toda a cadeia de valor, aumentando ainda mais a pressão sobre os preços dos PC para o consumidor final.”
Foi, portanto, um trimestre excelente, mas que deve abrir caminho para um ano difícil. Os fabricantes de PC já se preparam para o pior, e as vendas já caíram de forma significativa em relação ao último trimestre de 2025, um período mais favorável para o mercado.
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