Donald Trump pretende aproveitar a instabilidade no Estreito de Ormuz. Agora, ele sugere criar uma empresa com o Irã para cobrar dos navios que atravessarem a passagem.
Como bom empresário, Trump pode acabar tentando tirar proveito do próprio fracasso no Irã? Mesmo com a situação no Estreito de Ormuz longe de estar resolvida, o cessar-fogo em vigor desde terça-feira, 7 de abril, permite a passagem dos navios autorizados por Teerã. O presidente dos Estados Unidos levanta a possibilidade de criar uma espécie de pedágio do qual também retiraria ganhos.
Ainda é difícil se espantar com as mudanças bruscas de posição de Trump. Mesmo assim, essa declaração chama atenção. Em entrevista à ABC News, ele afirmou que quer criar uma parceria empresarial com o Irã para estabelecer uma taxa de travessia conjunta no estreito:
“Estamos pensando em fazer isso como uma parceria empresarial. É uma forma de tornar a rota mais segura e, sobretudo, de protegê-la de muitas pessoas. É algo excelente!”
O controle do Estreito de Ormuz pelo Irã representa um grande revés para a Casa Branca. Ao dominar essa passagem, o regime passa a ter uma alavanca gigantesca sobre a economia mundial, já que cerca de 20% do trânsito de hidrocarbonetos passa por ali. A partir de agora, cada embarcação precisa se submeter às exigências iranianas para atravessar com segurança. Trump quer transformar essa derrota em vitória por meio desse novo sistema.
A França e a Europa rejeitam a proposta de Trump no Estreito de Ormuz
A França e a Europa, obviamente, são contrárias a qualquer ideia de pedágio. No microfone da France Inter, o ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, criticou duramente a declaração de Trump:
“Isso não é aceitável. A liberdade de navegação em águas internacionais é um bem comum da humanidade. Ninguém aceitaria isso, porque é simplesmente ilegal.”
Hoje, o Estreito de Ormuz foi reaberto. Ainda assim, as condições de passagem estão longe de voltar ao que eram antes do conflito. Os navios circulam com grande lentidão e precisam pagar uma taxa elevada imposta pelo regime iraniano. Além disso, a navegação continua arriscada devido à presença de minas marítimas espalhadas pela região. O Irã também oferece uma rota alternativa para uma travessia mais segura, um trajeto que passa mais perto de suas costas e lhe permite impor seu pedágio.
Antes da guerra iniciada pelos Estados Unidos, o estreito era uma rota livre. Desde então, ele se tornou um ponto central da geopolítica internacional. Com o controle dessa passagem, o Irã ganhou um poder de desestabilização enorme, além de uma ferramenta de pressão contra os Estados Unidos. Vale lembrar que o cessar-fogo continua frágil e que as negociações entre os dois países prometem ser muito tensas.
Na prática, qualquer mecanismo de cobrança nessa rota teria efeitos imediatos no comércio internacional. O custo do frete subiria, os seguros das embarcações ficariam mais caros e a volatilidade do petróleo poderia aumentar ainda mais, afetando países importadores e exportadores. Por isso, a disputa em torno do Estreito de Ormuz vai muito além de uma questão regional: ela influencia diretamente a segurança energética e a economia global.
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