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Estreito de Ormuz reabre a conta-gotas em meio a minas marítimas e ao novo pedágio de Teerã

Navio cargueiro encalhado próximo a bóias e lancha em mar calmo com ilhas ao fundo.

Os primeiros navios começaram a atravessar o estreito a conta-gotas na manhã desta quinta-feira, 9 de abril, enquanto a passagem é reaberta em condições muito diferentes das existentes antes da guerra. O Irã, aliás, alerta que ainda há minas na área e que será necessário navegar perto de suas costas, onde fica, entre outros pontos, o chamado “pedágio de Teerã”.

Mais de 3.000 embarcações que ficaram retidas no Oriente Médio por causa do fechamento do estreito de Ormuz por mais de um mês ainda não podem considerar a situação resolvida. Embora a região tenha voltado a funcionar após o anúncio de um cessar-fogo entre Teerã e Washington por duas semanas, o tráfego continua extremamente limitado nesta manhã de quinta-feira, 9 de abril. As rotas navegáveis seguem ameaçadas, sobretudo pelas minas marítimas.

Além da intenção de Teerã de cobrar dos navios que cruzarem o estreito - por meio de um sistema de pagamento em criptomoeda -, ainda existem minas ao longo de uma faixa de cerca de 50 quilômetros. Antes do início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, essa área era atravessada diariamente por entre 100 e 140 embarcações, e por ela passa 20% das exportações mundiais de petróleo, especialmente com destino aos mercados asiáticos.

Para a reabertura do estreito de Ormuz, o Irã anunciou trajetos alternativos para os navios, alegando risco de minas marítimas na principal zona de navegação. A informação foi divulgada pela AFP durante a madrugada de 8 para 9 de abril na França, no início da manhã no Oriente Médio.

“Para que estejam protegidos de possíveis colisões com minas, em coordenação com a marinha dos Guardiões da Revolução (…), até nova ordem [os navios] deverão seguir rotas alternativas para o tráfego no estreito de Ormuz”, informaram veículos de comunicação iranianos, citando um comunicado militar. Como complemento, o comunicado traz um mapa que mostra que as embarcações deverão passar ao sul e ao norte da ilha de Larak.

Estreito de Ormuz, minas marítimas e o pedágio de Teerã

Ao desviar os navios para essa ilha, Teerã aproxima a passagem do estreito de suas costas, uma estratégia que também pode servir para reforçar o controle sobre as rotas navegáveis e implantar um sistema de cobrança. Há dez anos, durante o governo Obama, os Estados Unidos conseguiram negociar a livre circulação de navios pelo estreito, além de limites para o enriquecimento de urânio e a não fabricação de armas nucleares.

Desde o início da guerra, o fechamento do estreito de Ormuz ajudou Teerã de maneira decisiva a manter os Estados Unidos afastados de sua tentativa de derrubar o regime e destruir completamente suas forças armadas. Como resultado, os preços do petróleo dispararam, assim como os do gás natural produzido pelo Qatar, cujas instalações também foram seriamente danificadas antes de serem colocadas fora de operação.

As negociações estão longe de chegar ao fim e, mesmo sob cessar-fogo, Teerã avança com a possibilidade de instituir taxas superiores a 2 milhões de dólares por navio, segundo fontes.

O setor naval acompanha a situação com atenção, já que qualquer mudança no trajeto ou na segurança da passagem pode alterar prazos, custos de seguro e disponibilidade de carga em toda a região. Em um corredor estratégico como o estreito de Ormuz, pequenas interrupções já têm efeito imediato sobre o comércio global de energia e sobre as cadeias de abastecimento na Ásia, na Europa e no restante do mundo.

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