Em 20 de agosto de 2025, o Google apresentou a Pixel Watch 4, sua nova relógio inteligente. Sem mudar o formato, ela ficou ainda mais refinada.
Em 2025, lançar um relógio conectado já é quase obrigação. São poucos os fabricantes de smartphones que ainda não tentaram entrar nesse mercado. O Google fez sua estreia em 2022 e, desde então, vem evoluindo de forma contínua, a ponto de se tornar uma referência no Android.
Em quatro anos, a marca se firmou mesmo enfrentando concorrência pesada. Com a Pixel Watch 4, o Google entrega uma das compras mais acertadas desta reta final do ano.
Versátil, a pulseira funciona muito bem no uso diário e lida com notificações de forma excelente. Mas, para quem pratica esportes, será que ela consegue atender a novas exigências?
Depois de um mês de testes, aqui vai meu veredicto sobre a Pixel Watch 4: uma relógio que conseguiu me convencer em quase todos os pontos.
Em resumo
Um ecossistema simples
Para testar uma Pixel Watch 4, existe apenas um requisito básico: ter um celular com Android 11 ou superior. Então, nada de iPhone neste teste. Por sorte, meu celular pessoal é um Pixel 9 há mais de um ano, o que me permitiu avaliar este relógio dentro do ambiente para o qual ele foi pensado.
A conexão com o telefone acontece rapidamente, e a configuração é direta. Os primeiros passos foram desenhados para serem fáceis de propósito. As informações aparecem em quantidade reduzida, só o necessário para orientar sem sobrecarregar. As pequenas animações das notificações dão um toque visual agradável. É um detalhe que faz diferença, principalmente no começo.
Assim que coloquei a Pixel Watch 4 no pulso, a adaptação foi imediata. O relógio tem um desenho elegante, redondo, e conta com dois botões. Além da coroa háptica, há um segundo botão plano logo acima. Uma solução simples, mas muito funcional.
Mesmo vindo de outro fabricante - digamos, a Apple - não há sensação de estranhamento. Os primeiros dias com a Pixel Watch 4, portanto, parecem saídos de um conto de fadas. Navegar pela interface é realmente prazeroso, e a tela é brilhante e fácil de ler. Ao longo do mês de uso, não tive nenhum problema nessa parte.
Para quem já vive no universo Google, a experiência tende a ficar ainda mais coesa. A integração com serviços do dia a dia, como mapas, agenda e recursos de pagamento, ajuda a transformar o relógio em um verdadeiro centro de conveniência no pulso. Isso amplia o valor do produto sem exigir esforço extra do usuário.
Um produto bonito
A tecnologia precisa ser bonita? Não vou responder a isso aqui, mas o Google parece ter uma posição bastante clara sobre o assunto. A gigante californiana não se limita a oferecer um relógio inteligente útil; ela também vende um objeto bonito.
Elegante em qualquer ocasião, a Pixel Watch 4 chama atenção no pulso. A tela grande oferece uma área de exibição de 896 mm² ou 1.140 mm², dependendo da versão escolhida (41 mm ou 45 mm).
O painel OLED garante ótima leitura em qualquer situação. Em comparação com a Pixel Watch 3, a tela deste modelo ficou um pouco maior graças às bordas mais finas.
Um preço acessível
Como já foi dito acima, o mercado de relógios inteligentes virou uma verdadeira selva. As marcas disputam espaço com criatividade para conquistar o público.
Mas toda a tecnologia do mundo não consegue esconder o fator mais importante: o preço. O Google entendeu isso muito bem e posicionou o produto entre dois mundos. Sim, ele é acessível, com preço inicial de 399 € na versão de 41 mm ou 449 € na de 45 mm, mas ainda caro o suficiente para transmitir qualidade de construção e certo domínio técnico.
Para o fim de ano, há desconto de 70 € enquanto durarem os estoques, até 31/12.
IA no pulso
Se a leitura das notificações já é mais simples na Pixel Watch 4, o grande diferencial do relógio está mesmo na integração com IA. Esse acréscimo é muito interessante no modelo da Google, porque já não é preciso abrir o aplicativo Gemini nem dizer “Hey Google” para usar o recurso.
Os microfones do relógio ficam prontos para ouvir o comando assim que você vira o punho. Tudo funciona de forma fluida e prática, o que economiza tempo para o usuário. Se você não quiser ser “ouvido” pelo Google sempre que usar o relógio, é possível desativar essa opção nas configurações da Pixel Watch 4.
Bateria ainda aquém
No fim das contas, o único ponto fraco deste relógio é a bateria. E, ainda assim, o Google melhorou bastante. Enquanto a Pixel Watch 3 não passava de 24 horas no pulso com uma única carga, esta Watch 4 chega ao fim de dois dias inteiros sem dificuldades.
Com uso moderado, ainda dá para encarar o terceiro dia na mesma carga. Isso é bom, muito melhor do que antes, mas ainda não é ideal. Para quem pratica esportes com frequência, recursos como GPS derrubam a autonomia com rapidez.
Provavelmente será preciso recarregar a cada 36 horas para ficar tranquilo. Foi o que aconteceu comigo durante este teste, com 5 atividades esportivas por semana exigindo GPS, cerca de 1 hora em cada sessão.
Vale dizer uma palavra sobre o carregamento. Ele é feito com um novo disco de recarga, que acompanha o relógio. Ele permite carregar a peça apoiada de lado, e não deitada sobre uma mesa.
Além de bonito, isso é bem mais prático para ver as horas enquanto a bateria enche. Com um bom carregador de tomada, a recarga leva apenas algumas dezenas de minutos. É um hábito simples a cada 2 ou 3 dias. Dá para se acostumar, mas está longe de ser o cenário perfeito.
Dados confiáveis
Com visual redondo e acabamento mais “premium”, a Pixel Watch 4 não parece, à primeira vista, uma relógio esportiva completa. Mesmo assim, ela traz o conjunto de sensores necessário. O modelo conta com todos os sensores clássicos - bússola, altímetro, oxímetro de pulso, monitor de frequência cardíaca, acelerômetro, giroscópio e outros - além de chip GPS e sensor de temperatura da pele.
Depois de um mês analisando os números, posso afirmar que o relógio é bastante preciso. Ele me entregou dados de saúde, como batimentos cardíacos e pontuação de sono, de forma muito coerente (embora, sem uma segunda medição independente, seja impossível garantir com absoluta certeza se os números estão corretos ou não).
Foi principalmente nos treinos ao ar livre que ele mostrou alguma limitação. O GPS é bom, mas não perfeito. Em um percurso habitual de 5 quilômetros, o relógio marcou 5,13 km. O trajeto urbano, com prédios e ruas estreitas, não ajudou.
Em meio à natureza, o GPS ganha precisão e passa a apresentar diferenças de poucos metros em relação a uma relógio esportiva especializada, como a Coros Pace Pro, usada como referência nesta avaliação.
Falar com o relógio sem tocar no celular
Outro ponto interessante da Pixel Watch 4 é o conforto de uso em situações em que as mãos estão ocupadas. Como os comandos por voz funcionam sem exigir passos extras, o relógio acaba sendo útil para tarefas rápidas do dia a dia, seja em deslocamentos, seja durante atividades em que pegar o celular não é prático. Isso reforça a sensação de que o produto foi pensado para reduzir atrito, e não para acrescentar mais etapas à rotina.
Vale a pena comprar a Pixel Watch 4?
Então, vale a pena comprar a Pixel Watch 4? A nova relógio da Google merece o valor pedido? Para essas duas perguntas, minha resposta tende a ser: depende. Se você precisa de um relógio inteligente para um smartphone Android, a Pixel Watch 4 é uma excelente escolha.
Ainda assim, vale observar se a fabricante do seu próprio celular já não oferece uma relógio conectada. No fim das contas, os donos de um Pixel serão, de forma bastante lógica, os primeiros interessados neste modelo. É uma ótima maneira de completar o ecossistema Google. Do ponto de vista técnico, tenho poucas críticas a fazer. O relógio entrega exatamente o que se espera, com algumas surpresas muito boas - especialmente a tela e o design -, mas também com pontos menos animadores, principalmente a autonomia.
Google Pixel Watch 4
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Produto | Google Pixel Watch 4 |
| Preço | 399,00 € |
| Nota geral | 8,5/10 |
| Pontos fortes | Design, tela, Wear OS, recarga rápida |
| Pontos fracos | Bateria, GPS |
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