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Bureau 1440 e o projeto Rassvet entram na disputa pela internet por satélite

Mulher segura notebook com gráfico espacial ao lado de antena parabólica em cobertura residencial.

A corrida russa no mercado de internet por satélite finalmente ganhou impulso.

Com o lançamento de 16 satélites em órbita baixa em março de 2026, a empresa aeroespacial russa Bureau 1440 ainda está muito distante da SpaceX e dos cerca de 10 mil satélites da oferta Starlink. Mesmo assim, trata-se de um primeiro passo que chamou atenção em Moscou e fora da Rússia.

Assim como sua rival norte-americana, a companhia quer levar dados de alta velocidade para usuários em escala global. Em declaração citada pela Reuters, a empresa afirmou:

O lançamento dos primeiros elementos desse grupo-alvo marca a passagem da fase experimental para a criação de um serviço de comunicação. (...) Estão previstos dezenas de lançamentos e centenas de satélites.

A iniciativa vai muito além de um simples projeto tecnológico. Em um cenário em que conexões estáveis podem ser decisivas para governos, empresas e forças armadas, redes próprias de satélites se tornaram um ativo estratégico. No caso russo, esse tipo de infraestrutura também representa uma tentativa de reduzir a dependência de sistemas estrangeiros e ampliar a soberania digital do país.

Mais de 5 bilhões de dólares entre recursos públicos e privados

Segundo a Bloomberg, esse esforço faz parte do projeto Rassvet, um programa russo criado para montar uma rede soberana de internet por satélite comparável à solução oferecida pela empresa comandada por Elon Musk.

Os colegas da imprensa também observam, com razão, que a Starlink se tornou um componente central da guerra na Ucrânia. Recentemente, a SpaceX implantou uma “lista branca” que permite que terminais ucranianos legítimos permaneçam conectados, ao mesmo tempo em que bloqueia dispositivos russos. Isso afetou de forma significativa o exército de Vladimir Putin nos dias seguintes a essa medida.

Para diminuir a diferença em relação aos concorrentes, a Rússia parece disposta a investir pesado nessas tecnologias. De acordo com o Moscow Times, o diretor da agência espacial russa Roscosmos, Dmitry Bakanov, informou anteriormente que mais de 900 satélites em órbita baixa devem ser lançados ao espaço até 2035, enquanto a exploração comercial de quase 250 satélites poderá começar já no próximo ano.

Até lá, o desafio será transformar as promessas em uma rede operacional, confiável e economicamente sustentável. Além de fabricar e lançar os satélites, será necessário desenvolver estações terrestres, terminais de usuário e uma arquitetura capaz de suportar cobertura contínua em áreas remotas, onde esse tipo de conexão costuma fazer a maior diferença.

O governo russo, por sua vez, anunciou um investimento de 1,26 bilhão de dólares no desenvolvimento dessa rede satelital, enquanto a Bureau 1440 pretende aplicar 4 bilhões de dólares de recursos próprios até 2030.

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