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Comissão Europeia apresenta novo aplicativo de verificação de idade para cidadãos

Pessoas segurando smartphone e cartão de identificação com bandeira da União Europeia em café.

Proteger crianças do cyberbullying, da pornografia, da dependência de telas e de conteúdos ilegais. Esse é o objetivo amplo apresentado nesta quarta-feira, 15 de abril, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Para isso, ela anunciou o que chama de uma abordagem europeia harmonizada: um aplicativo de verificação de idade que já estaria tecnicamente pronto e que deverá ficar disponível em breve para todos os cidadãos. Vale lembrar que o Executivo de Bruxelas vem prometendo, há vários anos, o lançamento dessa solução conhecida como carteira europeia de identidade digital.

A dirigente também explicou a lógica da ferramenta:

O aplicativo vai permitir que o usuário comprove sua idade ao acessar plataformas online, da mesma forma que um estabelecimento pede documento de identidade na compra de bebidas alcoólicas.

Essa comparação ajuda a entender um ponto que às vezes passa despercebido: quando um site barra o acesso de menores, isso significa que, na prática, todos os usuários passam a ter de provar sua identidade, e não apenas os adolescentes.

Aplicativo de verificação de idade e identidade digital: um projeto longe do consenso

Sobre o funcionamento do sistema, Ursula von der Leyen afirma que a ferramenta reúne quatro características principais:

Em primeiro lugar, ela é simples de usar: basta baixar o aplicativo e configurá-lo com o passaporte ou com a carteira de identidade. Depois disso, o usuário pode comprovar a idade para acessar serviços online. Em segundo lugar, a solução obedeceria aos padrões mais rigorosos de privacidade do mundo, permitindo provar a idade sem revelar outros dados pessoais. Em outras palavras, seria totalmente anônima, sem possibilidade de rastreamento dos usuários. Em terceiro lugar, o aplicativo funcionaria em qualquer dispositivo - celular, tablet, computador e outros. Por fim, seu código-fonte seria completamente aberto, permitindo consulta por qualquer pessoa.

A presidente da Comissão cita a França e alguns outros Estados-membros como exemplos, já que esses países anunciaram a intenção de integrar o aplicativo às suas carteiras digitais nacionais. Na França, a proibição das redes sociais para menores de 15 anos também começa a ganhar força, com a exigência de comprovação de identidade.

A Comissão Europeia, no entanto, tem tratado o projeto com cautela. E não é por acaso: a proposta está longe de reunir consenso. Em março, centenas de acadêmicos assinaram uma carta aberta pedindo que os governos suspendessem a implementação da verificação obrigatória de idade nas redes sociais.

Segundo eles, não existe consenso científico sobre os benefícios ou os danos das tecnologias de verificação etária. Além disso, há riscos de segurança em plataformas que podem expor a vida privada dos usuários.

Citados pelo site Dig.watch, esses pesquisadores acrescentaram que:

Qualquer sistema minimamente confiável exigiria garantias criptográficas em cada solicitação para proteger os dados durante a transmissão, em vez de deixar o controle da identidade nas mãos das plataformas sem salvaguardas técnicas sólidas. Uma infraestrutura desse tipo seria complexa de construir em escala global e criaria exigências que muitos fornecedores poderiam se recusar a adotar.

Se o projeto avançar, ele poderá se tornar um teste importante para o futuro da identidade digital na Europa. Ao mesmo tempo em que promete facilitar a comprovação de idade em serviços online, a iniciativa também reacende o debate sobre privacidade, interoperabilidade entre países e o risco de criar uma infraestrutura digital difícil de administrar em grande escala.

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