Nas redes sociais, sempre aparece um novo desafio em alta. Alguns duram mais tempo, ganham força e acabam gerando variações. Há alguns meses, usuários colocavam à prova amizades e relacionamentos amorosos com a tendência “Eu aceito e meu coração continua aberto”. A lógica era direta: falar verdades possivelmente dolorosas e suportar a resposta. No TikTok, os vídeos inspirados nessa dinâmica já somam centenas de milhões de visualizações.
Agora, uma versão adaptada dessa moda chegou ao ambiente profissional. Nela, funcionários confessam aos chefes os seus maiores erros e deslizes no trabalho, enquanto os responsáveis prometem ouvir tudo sem demitir nem punir ninguém.
A nova tendência TikTok no trabalho: confissões ao chefe
Você toparia admitir suas falhas ao seu chefe só para gravar um TikTok? Pelo visto, muita gente toparia. Nas redes sociais, crescem os vídeos em que equipes e gestores entram na brincadeira, e vários deles acabam viralizando.
A imobiliária Century 21, em Dammartin-en-Goële, aderiu ao formato. No TikTok, o vídeo já se aproxima de 1 milhão de visualizações, com mais de 200 comentários e 56 mil curtidas. Ao longo de quase 2 minutos, os funcionários fazem confissões de gravidade variada. Uma colaboradora admite que manipulou seus números anuais para deixá-los mais altos, enquanto outra conta que “se vingou” ao riscar o carro de um superior depois de ter pedido um aumento de comissão e recebido uma negativa.
@century21gp
“Eu ouço, mas não demito... 😂”imobiliario #euoucomasnaodemito #century21 #gpimobiliario
♬ Planos de fim de semana (hip hop animado) – BLESKSOUND
A agência de marketing digital Suny, por sua vez, já ultrapassou 2 milhões de visualizações. Nesse vídeo, os jovens funcionários vão direto ao ponto: encontro do Tinder na agência, horários de trabalho desrespeitados quando o chefe não está por perto, iogurtes sumindo da geladeira... O mesmo clima apareceu entre os empregados do Leclerc de Dinan. Mesmo nesse desafio, os diretores prometem que “não haverá punição”. E as revelações continuam em cascata. Uma funcionária, por exemplo, admite que já pegou um carro alugado “para uma entrevista”, mas aproveitou a ocasião para fazer compras. O resultado é o esperado: as visualizações disparam e os comentários se acumulam.
Esse tipo de conteúdo funciona porque mistura curiosidade, humor e uma boa dose de constrangimento controlado. Do ponto de vista das marcas e das empresas, porém, o formato também levanta uma questão importante: até que ponto a informalidade nas redes fortalece a imagem da equipe, e em que momento ela começa a expor demais a rotina interna? Quando o objetivo é viralizar, a fronteira entre espontaneidade e encenação fica cada vez mais tênue.
Na prática, os internautas se divertem com essas cenas improváveis, ainda mais porque muitos percebem que os gestores, em geral, não parecem gostar de tudo o que escutam. Mesmo quando garantem que ninguém será demitido ou punido depois da gravação, isso não significa que as falas serão esquecidas ou deixadas de lado no futuro. E, claro, ainda resta a dúvida: será que tudo isso é real ou apenas uma grande encenação? No fim das contas, a proposta continua sendo gerar alcance e arrancar risadas. Quanto maior o exagero, maior a chance de funcionar - mesmo que nem tudo seja verdade.
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