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Intel se recupera com a demanda por centros de dados de IA

Homem em datacenter segurando chip de computador com tablet exibindo IA em carrinho ao lado.

Em 2024, a situação da Intel era tão delicada que chegaram a circular rumores sobre uma possível aquisição pela Qualcomm. Hoje, porém, a fabricante de processadores está se reerguendo impulsionada pela forte procura por centros de dados voltados à inteligência artificial.

A Intel parece, enfim, enxergar uma saída para a crise. Em setembro de 2024, o cenário da empresa era tão difícil - e o valor de suas ações tão baixo - que até se especulou sobre uma eventual compra por sua concorrente Qualcomm. Agora, no entanto, uma sequência de anúncios tem melhorado de forma clara a percepção do mercado sobre a companhia. E, segundo a CNBC, na segunda-feira, a empresa registrou 9 dias consecutivos de alta na Bolsa. Nesse período, o valor de suas ações subiu 58%. Esse pode até ser o seu melhor desempenho em um intervalo assim desde os anos 70. No acumulado do ano, os papéis já avançaram mais de 65%.

Esse entusiasmo repentino dos mercados em relação à Intel mostra que, neste momento, a fabricante de processadores passa a ser vista como uma das beneficiadas pela corrida pela inteligência artificial e pelos grandes aportes feitos pelos gigantes da tecnologia. Há uma semana, a Intel entrou oficialmente no projeto Terafab, ao lado de SpaceX, xAI e Tesla, três empresas de Elon Musk. Vale lembrar que o bilionário norte-americano pretende erguer fábricas gigantes de chips de IA nos Estados Unidos para atender às necessidades dessas companhias. “Nossa capacidade de projetar, fabricar e montar chips de altíssimo desempenho em grande escala ajudará a acelerar a realização do objetivo do Terafab, que é produzir 1 TW/ano de poder computacional para impulsionar os avanços futuros em IA e robótica”, explicou a Intel no anúncio da parceria.

Mas não foi só isso. Há cinco dias, Google e Intel renovaram a colaboração entre as duas empresas para permitir que o Google use processadores Intel Xeon em seus centros de dados, inclusive para aplicações de IA. No comunicado sobre o anúncio, a Intel destacou que a inteligência artificial não depende apenas de aceleradores, mas também precisa de CPUs.

Intel, IA e agentes de IA: como a demanda por CPUs pode redefinir o mercado

Para o governo dos Estados Unidos, salvar a Intel era uma prioridade, já que a empresa está entre as poucas que fabricam seus próprios chips em território americano, em vez de terceirizar a produção para companhias como TSMC ou Samsung. Por isso, em agosto de 2025, o governo Trump anunciou um investimento de 8,5 bilhões de dólares na empresa, com o objetivo de *“apoiar a expansão contínua da liderança dos Estados Unidos em tecnologia e fabricação.”* Em seguida, em setembro de 2025, a Nvidia também entrou na jogada, ao anunciar um aporte de 5 bilhões de dólares e uma parceria para diversos projetos, incluindo a produção de CPUs para as soluções de inteligência artificial da própria Nvidia.

Além disso, a chegada dos agentes de IA - uma forma de inteligência artificial capaz de executar ações dentro de um sistema - pode alterar completamente o cenário para a Intel. Em março, Dion Harris, responsável pela infraestrutura de IA da Nvidia, afirmou que os CPUs se tornaram o principal fator de limitação para o avanço de fluxos baseados em agentes de IA. Em outras palavras, hoje a oferta de CPUs - um mercado no qual a Intel está entre as especialistas - já não atende plenamente às necessidades da indústria.

Esse movimento também evidencia um ponto central da nova corrida da IA: não basta ter modelos mais avançados, é preciso garantir toda a infraestrutura necessária para treiná-los e executá-los em escala. Nesse contexto, a disputa deixou de ser apenas por chips de ponta e passou a envolver capacidade industrial, cadeia de suprimentos e proximidade com grandes centros de desenvolvimento tecnológico. Para a Intel, isso pode significar uma chance real de reconquistar relevância justamente onde o mercado mais sente falta de fornecedores confiáveis.

Se essa tendência continuar, a empresa pode sair de uma posição defensiva para ocupar novamente um papel estratégico na infraestrutura digital dos Estados Unidos. E, em um setor em que cada ganho de capacidade faz diferença, a combinação entre investimentos públicos, parcerias com gigantes da tecnologia e maior demanda por CPUs pode ser decisiva para consolidar a virada da Intel.

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