Depois do tropeço com a linha Llama, a Meta decidiu tentar novamente com uma nova IA que se aproxima do desempenho de ChatGPT, Claude e Gemini. A tecnologia estreia no aplicativo Meta AI e também será levada para Instagram, Facebook, Messenger, WhatsApp e para os óculos inteligentes da empresa.
A Meta quer se firmar como uma das grandes potências da inteligência artificial. Após o desempenho abaixo do esperado de seus modelos Llama, a empresa de Mark Zuckerberg resolveu, no ano passado, recomeçar do zero para criar uma nova IA capaz de disputar espaço com as soluções desenvolvidas por Anthropic, Google, OpenAI e xAI. Desta vez, a companhia deixou de apostar exclusivamente em código aberto. Além disso, montou uma nova equipe chamada Superintelligence Labs, contratando especialistas que antes trabalhavam em empresas concorrentes.
Nove meses depois do início desse projeto, a Meta apresentou a nova família batizada de Muse, cujo primeiro modelo recebeu o nome de Muse Spark. Em princípio, a estratégia deu resultado. Os números de testes comparativos divulgados por Alexadr Wang, chefe do Superintelligence Labs, indicam que o Muse Spark (Thinking) entrega desempenho muito próximo ao dos principais rivais. Em algumas avaliações, a nova IA da Meta até supera o resultado de Claude Opus 4.6 Max, Gemini 3.1 Pro High, GPT-5.4 Xhigh e Grok 4.2 Reasoning.
A evolução é relevante. O índice Artificial Analysis, que considera várias avaliações diferentes, coloca a versão mais avançada do Llama na 18ª posição do ranking. Já o Muse Spark aparece em 4º lugar, atrás apenas dos modelos da Anthropic, da OpenAI e do Google.
Meta equipa o Meta AI com o Muse Spark e amplia as funções da IA
Em outras palavras, depois do início em falso com o Llama, o Muse Spark recoloca o grupo de Mark Zuckerberg na disputa. Com esse novo modelo de base, o Meta AI - o concorrente de ChatGPT e Gemini criado pela Meta - passa a ser mais rápido e mais inteligente. Dependendo da solicitação, o usuário poderá escolher um modo específico, incluindo o modo Thinking para perguntas mais difíceis.
Para pedidos mais complexos, o Meta AI consegue acionar vários subagentes de IA ao mesmo tempo.
A nova inteligência artificial também entende imagens com mais precisão graças à sua percepção multimodal. Isso permite, por exemplo, estimar a quantidade de calorias a partir da foto de um prato.
Além disso, a empresa desenvolveu um modo de compras que ajuda na busca por produtos. E, quando o usuário procura um lugar para visitar ou quer saber mais sobre as notícias do momento, o Meta AI poderá gerar respostas mais completas com informações vindas das redes sociais.
A integração do Muse Spark em diferentes produtos também reforça a tentativa da Meta de criar uma experiência única dentro do seu próprio ecossistema. Na prática, isso pode tornar as interações mais contínuas entre aplicativos, já que o mesmo núcleo de IA passa a acompanhar o usuário em contextos diferentes, do bate-papo às buscas visuais.
Muse Spark chega ao Meta AI, Instagram, Facebook, Messenger, WhatsApp e aos óculos inteligentes
Por enquanto, a Meta oferece o Muse Spark apenas nos Estados Unidos, no aplicativo e no site do Meta AI. Porém, nas próximas semanas, a atualização deve chegar a outros países.
A Meta também pretende liberar o Muse Spark no Instagram, Facebook, Messenger, WhatsApp e nos seus óculos inteligentes. Nos Ray-Ban Meta, os novos recursos de percepção do Muse Spark devem trazer mudanças importantes.
Em dispositivos vestíveis, a combinação entre câmera, áudio e contexto tende a ampliar bastante as possibilidades de uso no dia a dia. Consultas rápidas, apoio visual e respostas mais imediatas podem ganhar ainda mais relevância quando a IA estiver disponível diretamente nos óculos.
A aposta bilionária da Meta em IA começa a se justificar
Para criar a nova estrutura responsável pelo desenvolvimento do Muse Spark, a Meta precisou abrir o cofre. Circularam rumores de bônus de assinatura generosos pagos para atrair especialistas da concorrência. A empresa também investiu US$ 14 bilhões na startup Scale AI, voltada para dados de inteligência artificial, ao mesmo tempo em que contratou o CEO dessa companhia para comandar sua nova divisão de IA.
Hoje, porém, Mark Zuckerberg já consegue apontar resultados para defender esses gastos. Depois do anúncio do Muse Spark, as ações da Meta subiram na Bolsa. E vale lembrar que, além de ter desembolsado quantias enormes para construir essa nova geração de IA, o grupo também está investindo pesado em centros de dados, que vão permitir treinar e colocar essa tecnologia em funcionamento.
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