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YouTube supera a Disney: com US$62 bilhões em receita, a plataforma se torna o maior grupo de mídia do mundo.

Pessoa editando vídeo em laptop com gráficos e logo do YouTube exibidos em tela grande na parede.

Un pouco mais de vinte anos depois de sua criação, o YouTube acaba de cometer o derradeiro crime de lesa-majestade ao destronar a Disney dentro do próprio território.

Quem poderia imaginar que a pequena plataforma de compartilhamento de vídeos lançada em 2005 por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim chegaria a esse patamar duas décadas depois? Quando o Google comprou o YouTube no ano seguinte, por “apenas” 1,65 bilhão de dólares, alguns analistas da época concluíram que a empresa tinha se precipitado e que a aquisição custara caro demais.

A história provou o contrário. A operação se tornou um dos investimentos mais rentáveis da companhia, já que o YouTube hoje representa o segundo grande pilar do seu império publicitário, com geração de 9,8 bilhões de dólares no segundo trimestre de 2025. Essa hegemonia agora se traduz na ultrapassagem da divisão de mídia da empresa de Burbank, que passou a ocupar o segundo lugar em receita anual.

YouTube, o grupo de mídia mais intocável do mercado

Os números foram divulgados pela consultoria MoffettNathanson, uma referência máxima em análise financeira para tudo o que envolve os setores TMT (Tecnologia, Mídia e Telecomunicações). Em 2025, o YouTube registrou uma receita gigantesca de 62 bilhões de dólares.

Do outro lado, a divisão de mídia da The Walt Disney Company, que reúne a produção de conteúdo para cinema e televisão, a distribuição, os direitos esportivos internacionais e seus serviços de streaming (Disney+, Hulu e ESPN+), acabou superada. Por uma margem pequena, já que no mesmo ano ela faturou 60,9 bilhões de dólares; uma diferença modesta em termos absolutos, mas suficiente para colocar o novo patamar do YouTube fora do alcance de qualquer concorrente do setor.

A Disney continua arcando com custos de produção altíssimos para colocar no ar suas séries e seus grandes lançamentos, sem contar os gastos com marketing e distribuição. O YouTube, por sua vez, opera com uma lógica completamente diferente: uma imensa legião de criadores publica milhões de vídeos por ano, alimentando sem parar a engrenagem publicitária da plataforma.

Se o YouTube fosse uma empresa independente, a avaliação teórica do negócio também impressionaria. Segundo os analistas, a plataforma valeria entre 500 e 560 bilhões de dólares, o que a colocaria à frente da Netflix, líder do streaming por assinatura, que ainda está bem atrás, com valor de mercado de 409 bilhões de dólares.

De acordo com os cálculos da MoffettNathanson, a publicidade responde por cerca de 64,5% da receita total da plataforma, somando 40 bilhões de dólares, sendo 11,4 bilhões apenas no quarto trimestre de 2025.

O restante desse faturamento, mais de 21 bilhões de dólares, vem de uma diversificação extremamente agressiva: a empresa conquistou o público da TV com o YouTube TV, assegurou a exclusividade do NFL Sunday Ticket - o santo graal para qualquer fã de futebol americano -, vende assinaturas Premium em grande escala e também fisgou os apaixonados por música com o YouTube Music. Trata-se de uma estrutura singular para reunir conteúdos que a própria plataforma nem precisa produzir, o que virou uma fonte de receita muito lucrativa e cada vez mais valiosa ao longo dos anos.

Além disso, a força do YouTube não está apenas no volume de audiência, mas na capacidade de ocupar ao mesmo tempo vários hábitos de consumo. A plataforma está presente no celular, na TV da sala e no computador, o que amplia seu alcance e torna seu inventário publicitário especialmente difícil de substituir. Em outras palavras, ela não disputa só atenção: disputa tempo de tela em praticamente todos os ambientes digitais relevantes.

Para Michael Nathanson, analista da MoffettNathanson, essa ascensão é única no cenário do entretenimento. “Ao contrário da quase totalidade dos ativos que acompanhamos, acreditamos que o YouTube se beneficiará tanto dos vetores de crescimento quanto das crises estruturais que hoje atingem os setores de tecnologia e mídia”, explica ele. Mesmo que o mercado publicitário desacelere ou que o mundo inteiro passe a rejeitar a televisão de um dia para o outro, o YouTube parece praticamente imune. Em vinte anos, poucos setores resistiram aos avanços da plataforma, que agora faz a Disney assistir à disputa do segundo degrau do pódio.

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