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Uma bola de fogo do espaço cruzou o céu e explodiu com força - um fenômeno muito raro.

Pessoa desenhando constelações em caderno ao ar livre, com celular exibindo mapa estelar, ao entardecer.

Ver um meteoro em pleno dia já é algo incomum; escutar a onda de choque que ele produz é mais raro ainda. Neste caso, o objeto cruzou o céu com um brilho tão intenso que chegou a ser identificado até da órbita terrestre - um tipo de registro que ainda não acontece com frequência.

Na manhã de 17 de março de 2026, moradores do norte de Ohio, nos Estados Unidos, viram uma faixa luminosa riscar o céu e, instantes depois, ouviram um estrondo grave. A explicação para a cena foi um bólido (um meteoro excepcionalmente brilhante) que, segundo informações da NASA citadas pelo HuffPost, tinha pelo menos 7 toneladas. O tamanho ajudou a torná-lo visível em cerca de dez estados americanos: testemunhas relataram que ele cortou o céu a mais de 70.000 km/h antes de se incendiar.

O episódio chama atenção porque, para um meteoro continuar visível durante o dia, sua luminosidade precisa superar o brilho do Sol. Apesar do susto, não houve danos graves; essa “estrela cadente” gigantesca não chegou ao solo, ao contrário do caso da meteorito que atingiu Charlottetown (Canadá) no ano passado.

Bólido, onda de choque e boom sônico: um visitante que não passou despercebido

Eram 8h56 (horário local) quando a bola de fogo apareceu. Gravado de vários ângulos - incluindo registros do Dr. Jim Lloyd e de Jared Rackley, agente do National Weather Service de Pittsburgh - o bólido deixou uma trilha incandescente e desapareceu em um clarão ofuscante. Relatos indicam que casas chegaram a tremer com o boom sônico; a entrada do objeto na atmosfera teria liberado energia equivalente a 250 toneladas de TNT.

O boom sônico surge quando o corpo atravessa a atmosfera a mais de 15 km/s, comprimindo o ar à frente mais rapidamente do que ele consegue se deslocar. Isso forma uma onda de choque que se propaga até o solo, onde pode ser percebida como um estrondo.

O Cleveland National Weather Service (serviço meteorológico federal responsável pelo monitoramento da região) se pronunciou rapidamente na rede social X: as “últimas imagens do GLM” (Geostationary Lightning Mapper, sensor a bordo do satélite GOES-19) “sugerem que o estrondo é, de fato, resultado de um meteoro”. O evento fica ainda mais notável porque o objeto também foi detectado do espaço: o GOES-19, operado pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), o observou a partir de sua órbita a mais de 35.000 km da Terra.

A maioria dos meteoros se desintegra muito acima das camadas densas da atmosfera, sem produzir qualquer som audível no chão. Em geral, eles se consomem totalmente acima de 80 km de altitude, onde o ar é fino demais para transmitir ondas acústicas de forma eficaz.

Possíveis fragmentos perto de Akron (Ohio)

Para Robert Lunsford, da American Meteor Society, a ocorrência de som é um indicativo importante: quando um meteoro “extraordinariamente grande” entra na atmosfera, ele costuma resistir até camadas mais baixas, onde as moléculas do ar são densas o suficiente para conduzir o som. Assim, quem está sob a trajetória pode ouvir o boom, normalmente com alguns segundos de atraso em relação ao momento em que vê o bólido.

Lunsford acrescenta que isso também pode sinalizar a queda de material: a trajetória calculada por computador sugere que fragmentos poderiam ter caído nas proximidades de Akron, em Ohio.

Origem desconhecida e caça a meteoritos

Sobre a origem do objeto, as autoridades ainda não têm uma resposta: “a fonte ainda não é conhecida, mas é muito provável que tenha sido um evento aleatório, sem associação com uma chuva de meteoros conhecida”. Em outras palavras, foi um visitante “sem identidade” que apareceu sem aviso e sem ter sido detectado previamente por telescópios.

O caso deve entusiasmar colecionadores e entusiastas, que provavelmente já estão vasculhando áreas rurais ao redor de Akron na esperança de encontrar pedaços do material. Ainda assim, em teoria, não deve ter sobrado muita coisa. O meteorologista Brian Mitchell disse à APNews que “alguns detritos pequenos podem ter sobrevivido, mas a maior parte foi vaporizada durante a entrada na atmosfera”. Mesmo assim, boa sorte na busca.

Como registros por satélite ajudam a confirmar eventos de bólidos

Quando um bólido é muito brilhante, sensores projetados para monitorar emissões intensas - como os usados para rastrear relâmpagos (caso do GLM) - podem capturar o clarão e ajudar a estimar localização, tempo e intensidade do fenômeno. Combinando esses dados com vídeos em solo e relatos de som, pesquisadores conseguem reconstruir a trajetória com mais precisão e indicar áreas prováveis de queda de fragmentos.

Se você encontrar um possível meteorito: cuidados básicos

Quem procura meteoritos costuma ser orientado a registrar coordenadas, fotografar o objeto no local e evitar limpar ou manusear excessivamente, para não perder informações importantes (como crosta de fusão e marcas de aquecimento). Também é recomendável comunicar achados a organizações como a American Meteor Society ou a instituições acadêmicas, já que a confirmação e a catalogação ajudam a entender melhor a composição e a origem desses visitantes do espaço.

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