Guarde este nome: Aero Aura. A startup de Toulouse, que assumiu a missão de redesenhar o avião do futuro, agora mira também o setor de defesa - e o timing não poderia ser mais favorável.
De Toulouse para a nova aviação: os programas Integral, Integral E e ERA da Aero Aura
Criada em 2018 por três ex-executivos experientes da Airbus, a Aero Aura já colocou de pé o Integral, um avião leve biposto voltado tanto para formação de pilotos quanto para acrobacia aérea. A aeronave já foi certificada e está em fase de entregas, com foco em escolas de aviação e em entusiastas da aviação esportiva. A empresa também obteve certificação para uma versão totalmente elétrica, o Integral E.
O segundo projeto, porém, eleva bastante a ambição: o ERA, um avião regional de transporte com 19 lugares e propulsão híbrido-elétrica. O conceito combina oito motores elétricos com dois turbogeradores a querosene, compatíveis com combustíveis sustentáveis. A promessa é agressiva: cortar em até 80% as emissões de CO₂ quando comparado a aeronaves convencionais equivalentes.
O cronograma divulgado prevê primeiro voo em 2027 e certificação em 2028. Mesmo assim, o interesse comercial já é expressivo: a Aero Aura afirma ter reunido quase 700 intenções de compra, vindas de 16 companhias e operadores ao redor do mundo, em um volume estimado de US$ 12 bilhões. Recentemente, a empresa francesa Pan Européenne Air Service, especializada em voos executivos sob medida e com base em Chambéry e Lyon, assinou também o primeiro pedido firme de uma unidade.
Além de reduzir emissões, programas híbrido-elétricos como o ERA tendem a exigir uma cadeia de suprimentos mais sofisticada, com foco em integração de sistemas elétricos, gestão térmica e novas arquiteturas de potência. Na prática, isso pode acelerar a inovação industrial e abrir espaço para aplicações complementares em áreas como manutenção avançada, softwares embarcados e eletrificação de componentes.
Virada para a defesa: nasce a Aura M
Agora, a Aero Aura quer entrar em um mercado diferente - e em plena ebulição. A startup vai criar uma subsidiária dedicada exclusivamente ao segmento militar, a Aura M. A unidade será comandada pelo general Stéphane Mille, que foi chefe do Estado-Maior da Força Aérea e do Espaço da França entre 2021 e 2024.
Segundo Jérémy Caussade, presidente e cofundador da empresa, atuar em defesa se encaixa diretamente no projeto corporativo: responder às demandas da nova aviação e, ao mesmo tempo, apoiar a reindustrialização e a soberania.
Em termos de contexto, a intensificação de investimentos em segurança e a busca por autonomia tecnológica têm impulsionado, especialmente na Europa, programas voltados a drones, sensores, comunicações seguras e plataformas com maior alcance e permanência. Para uma fabricante com experiência em certificação e integração de aeronaves, a transição para produtos de uso dual (civil e militar) pode acelerar o acesso a novos contratos e a parcerias industriais de longo prazo.
Enbata (MALE): drone para reconhecimento, vigilância e combate a drones
A Aura M já trabalha no desenho de várias tecnologias, incluindo um drone chamado Enbata. Classificado como MALE (Média Altitude, Longa Endurance), ele foi concebido para missões de inteligência, vigilância e reconhecimento, além de detecção e neutralização de drones inimigos.
O Enbata também deverá ter capacidade de embarcar armamentos e vir equipado com radares, sistemas de enlace de dados e uma torre optrônica fornecida pela Safran.
Intruder e drone estratosférico: carga militar e operações em altíssima altitude
Outros dois projetos também estão no radar. O primeiro é o Intruder, um avião-cargueiro militar capaz de transportar 3 toneladas de carga útil. O segundo é um drone estratosférico, pensado para missões ofensivas e defensivas em altíssima altitude.
No horizonte, a meta é clara: a Aero Aura quer se consolidar como um parceiro estratégico e duradouro das Forças Armadas francesas - e, potencialmente, também das forças europeias.
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