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Consegue adivinhar qual personagem de Star Wars deu nome a este coral?

Pessoa desenhando coral visto por janela redonda, em ambiente subaquático, com tela eletrônica ao lado.

Não faz muito tempo, numa galáxia bem, bem próxima, cientistas lançaram um veículo submarino operado remotamente para investigar as profundezas esmagadoras ao largo da ilha havaiana de Moloka'i.

No topo de um monte submarino ainda sem nome, a 663 metros abaixo do nível do mar, surgiu uma criatura estranha, com aparência de criptídeo, recoberta por ramificações desgrenhadas que lembravam pelos.

A semelhança com o querido wookiee de Guerra nas Estrelas foi tão marcante que a equipa decidiu baptizar a espécie recém-descrita com um tributo directo: conheça Iridogorgia chewbacca.

O primeiro encontro com Iridogorgia chewbacca no mar profundo

“Ver esse coral pela primeira vez foi inesquecível”, conta o biólogo Les Watling, da Universidade do Havaí. “Os ramos longos, a flexibilidade e o formato me fizeram pensar imediatamente no Chewbacca.”

Apesar de realmente lembrar o personagem, o organismo não é um “animal único”: como acontece com os corais, trata-se de uma colónia composta por muitos pólipos individuais que crescem em conjunto, formando uma estrutura que pode chegar a 51 centímetros de altura.

O que define o género Iridogorgia

As espécies do género Iridogorgia vivem em grandes profundidades e exibem um brilho metálico e iridescente, característica que inspirou o nome do grupo. Em vez de formar massas compactas, esses corais desenvolvem estruturas alongadas que sobem em espiral a partir de uma base de fixação, prendendo-se firmemente ao fundo do mar.

Mesmo para quem trabalha há anos com ambientes abissais, Watling ressalta que achados assim continuam a surpreender: descobertas desse tipo “fazem a gente parar e prestar atenção”.

Da observação à confirmação: uma nova espécie

O coral foi observado pela primeira vez em 2006. Depois, um segundo exemplar de Iridogorgia chewbacca apareceu numa expedição realizada em 2016, nas proximidades da Fossa das Marianas. A avaliação dos genes e das características físicas confirmou que se tratava, de facto, de uma espécie nova para a ciência.

Watling defende que descrever organismos de regiões pouco exploradas é essencial para compreender o nível de biodiversidade existente e, ao mesmo tempo, usar essas espécies como pistas para reconstruir a história biogeográfica da área.

Diversidade no Pacífico Ocidental e a espécie Iridogorgia curva

Watling e colegas da Academia Chinesa de Ciências registaram uma diversidade expressiva de espécies de Iridogorgia nas águas tropicais do Pacífico Ocidental. No mesmo estudo, além de Iridogorgia chewbacca, os autores relataram uma segunda espécie nova, Iridogorgia curva, e ainda outras 10 espécies do mesmo género - sendo que duas delas nunca tinham sido observadas nessa região anteriormente.

Por que conhecer esses corais agora importa

Segundo Watling, o mar profundo deve passar por mudanças relevantes ao longo do próximo século. Ele explica que a água profunda ao redor do Havaí tem, em média, entre 500 e 1.000 anos (com grande parte fluindo para o norte a partir da Antártida), o que sugere que pode não aquecer de imediato.

Ainda assim, outros efeitos associados ao aquecimento dos oceanos podem impor alterações mesmo em grandes profundidades. Por isso, ele considera crucial saber quem vive lá, qual é a idade desses organismos e como é a sua capacidade reprodutiva.

Além de serem impressionantes, corais de águas profundas tendem a funcionar como estruturas de habitat, oferecendo abrigo e pontos de fixação para invertebrados e peixes. Quando se estabelece onde essas colónias ocorrem e como se distribuem, torna-se mais fácil identificar áreas sensíveis e entender quais ecossistemas podem ser mais vulneráveis a perturbações.

Outro ponto importante é que expedições com veículos submarinos operados remotamente permitem documentar e recolher amostras com precisão, reduzindo danos e aumentando a qualidade dos dados para análises morfológicas e genéticas. Em ambientes onde a luz não chega e a pressão é extrema, essas ferramentas são decisivas para transformar um avistamento curioso numa descrição científica robusta.

O estudo foi publicado na revista Zootaxa.

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