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Estes são os meios aéreos usados pela Força Aérea Argentina em 2025 e 2026.

Avião de caça F-16 da Força Aérea da Argentina taxiando na pista com montanhas ao fundo.

O levantamento realizado por Zona Militar e Stratbridge sobre a composição da Força Aérea Argentina (FAA) em 2025–2026 permite delinear com clareza o retrato de suas capacidades: trata-se de uma força que encerrou o último ano com o marco mais visível de sua modernização recente - a chegada dos primeiros F-16 Fighting Falcon -, mas que, ao mesmo tempo, apresentou no relatório da Oficina Nacional de Orçamento referente ao 4º trimestre de 2025 desvios negativos tanto em horas de operação quanto no número de exercícios em praticamente todas as brigadas. O próprio documento atribui essa queda à baixa disponibilidade de meios e a limitações financeiras. Essa coexistência entre avanço no vetor de caça e restrições no restante do inventário define, de fato, a condição operacional da FAA no início de 2026.

Caças e defesa aérea: transição com o F-16 Fighting Falcon e o Programa Peace Condor

O segmento de combate vive a mudança mais relevante em décadas. Os primeiros seis F-16A/B MLU - quatro biplaces e dois monoplace - chegaram à Área Material Río Cuarto em 5 de dezembro de 2025, vindos da Dinamarca, dentro do Programa Peace Condor. A entrega das 24 aeronaves adquiridas ocorrerá de forma escalonada até 2028, com seis unidades por ano.

O pacote inclui armamentos, simuladores de voo, motores e um conjunto de sobressalentes com garantia. A base definitiva prevista para o sistema será a VI Brigada Aérea, em Tandil, que passa por obras de infraestrutura; enquanto isso, a operação inicial se mantém a partir de Río Cuarto.

Com essa incorporação, a FAA retoma a capacidade supersônica e o combate aéreo de quarta geração - uma lacuna existente desde a desativação do sistema Mirage em 2015. Em paralelo, a V Brigada Aérea, em Villa Reynolds, mantém um núcleo de A-4AR Fightinghawk atualmente fora de serviço.

Treinamento e formação: IA-63 Pampa II/Pampa III, EMB-312 Tucano e a linha T-6C/C+ Texan II

A formação avançada e o treinamento de pilotos de caça se apoiam em duas plataformas principais. Os IA-63 Pampa II e Pampa III cumprem o papel de aeronaves táticas e de instrução avançada, com unidades dos blocos 1 e 2.

Já o segmento de ataque é sustentado pelos EMB-312 Tucano da III Brigada Aérea, em Reconquista.

Na Escola de Aviação Militar, em Córdoba, a FAA utiliza os T-6C/C+ Texan II como plataforma de seleção e formação inicial de pilotos militares. Esse processo é complementado por Grob G-120TA e aeronaves Tecnam nas etapas anteriores. Para a instrução básica em voo sem motor, a Esquadrilha de Voo a Vela opera planadores Schleicher ASK 21 e Grob G-103.

Transporte e asas rotativas: frota extensa, envelhecimento elevado e modernização pontual

O componente de transporte estratégico e logístico é o que evidencia, de forma mais acentuada, o envelhecimento do inventário. O Esquadrão I Hércules da I Brigada Aérea, em El Palomar, opera os K/C-130H incorporados entre 1968 e 1979 - com a exceção do TC-60, recebido em 2023 e incorporado em 2024. Soma-se ainda um único L-100-30, adquirido após a Guerra das Malvinas e, no momento, em FAdeA. São plataformas com cerca de 46 a 57 anos de serviço, cuja disponibilidade tem sido mantida por atualizações sucessivas e pelo apoio de programas de assistência dos Estados Unidos.

O transporte de pessoal e autoridades se apoia nos Embraer ERJ-145 e nos Fokker F28 Fellowship da I Brigada Aérea, sendo que estes últimos se aproximam de cinco décadas em operação.

Na Patagônia, a IX Brigada Aérea, em Comodoro Rivadavia, emprega os Saab 340B+ no transporte regional e utiliza os veteranos DHC-6 Twin Otter para rotas de menor densidade. A Agrupação Aérea Presidencial dispõe dos helicópteros Sikorsky S-70A e S-76. Já a VII Brigada Aérea, responsável pelo componente de asas rotativas da força, incorporou os Bell 407GXi Long Ranger como a atualização mais recente da frota, mantendo também os Bell 412EP recebidos em gestões anteriores e os antigos Hughes 369/500.

Infraestrutura, sustentação e interoperabilidade: o que pode definir o ritmo da modernização

Além da chegada de novas aeronaves, o sucesso da transição depende de infraestrutura, doutrina e cadeia logística. A adaptação da VI Brigada Aérea em Tandil para receber o F-16 Fighting Falcon tende a exigir continuidade de investimentos em hangares, apoio em solo, segurança e sistemas de treinamento, enquanto Río Cuarto segue como base de entrada e suporte inicial do programa.

Outro ponto sensível é a sustentação: disponibilidade de motores e peças, capacidade de manutenção e formação de técnicos e mecânicos. Em uma força onde parte relevante do inventário ultrapassa décadas de uso, a compatibilização entre prioridades do Programa Peace Condor e as necessidades do transporte, ligação e apoio pode pressionar o planejamento, especialmente quando os indicadores de horas de voo e exercícios ficam abaixo do previsto.

Perspectivas 2026–2028: entregas do Peace Condor e a hipótese do KC-135

O panorama geral aponta para uma modernização seletiva: a entrada do F-16 é decisiva, mas convive com uma frota ampla em que a idade média de aeronaves de transporte, ligação e apoio supera 30 anos, e com uma disponibilidade operacional que, ao fim de 2025, ficou abaixo dos parâmetros planejados.

A consolidação do Programa Peace Condor - com entregas programadas para 2026, 2027 e 2028 - e a eventual incorporação de aeronaves KC-135 para reabastecimento em voo compatíveis com o F-16 devem influenciar diretamente se a FAA conseguirá manter a curva de modernização iniciada ou se restrições orçamentárias e de sustentação logística voltarão a impor um limite às suas capacidades operacionais reais.

Infográfico: equipe Zona Militar e Stratbridge. Dados coletados periodicamente e publicados em anuários específicos.

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