De “peneira térmica” a 23 °C sem aquecimento: a vida de uma moradora de Brest mudou depois que o prédio onde ela vive passou por uma transformação completa. Veja o relato.
No bairro de Bellevue, em Brest, uma residente passou a desfrutar de um conforto térmico fora do comum: o apartamento dela mantém 23 °C sem precisar ligar o aquecimento. Em tempos de crise energética, o resultado chama atenção - e é fruto de uma reforma energética que converteu um edifício típico dos anos 1970 em um prédio de baixo consumo.
Reforma energética da residência da Rua de Kermenguy: uma mudança radical
O caso da residência no número 48 da Rua de Kermenguy, construída em 1977, já havia sido destacado em janeiro: o prédio era, na prática, uma peneira térmica. Segundo Emmanuel Arnaud, da Tinergie, citado pelo jornal regional Oeste‑França, a situação era crítica: “sem isolamento nas paredes e com algo só um pouco melhor no telhado”. Ou seja, a intervenção era urgente.
A obra, de grande porte, somou 1,58 milhão de euros e entregou um salto expressivo no desempenho: houve uma melhoria superior a 70% no coeficiente térmico, com a classe de eficiência energética subindo de D para B.
A inovação nos balcões que reduziu as perdas e aumentou a área útil
Um dos pontos centrais da reforma foi atacar um vilão comum em edifícios dessa época: os balcões, que funcionavam como ponte térmica e geravam muita perda de calor.
A solução adotada foi instalar uma fachada‑cortina, transformando os balcões em área interna aproveitável. Para os coproprietários, o ganho foi duplo: mais conforto térmico e mais espaço de convivência dentro do apartamento.
Um esforço coletivo com forte apoio do poder público
Uma reforma desse nível não teria saído do papel sem financiamento. Do custo total, 707 000 euros (45%) vieram de subsídios públicos:
- 482 000 euros da Agência Nacional de Habitação (Anah)
- 224 600 euros aportados pela Metrópole de Brest e pela Região da Bretanha
Tinergie: suporte técnico e financeiro para condomínios
A plataforma Tinergie, serviço público local voltado à reforma energética, teve papel decisivo no sucesso da iniciativa. Criada pela Metrópole de Brest, a estrutura oferece acompanhamento técnico e financeiro gratuito para condomínios.
Desde que foi implantada, a Tinergie já: - apoiou o diagnóstico de 4 000 moradias - acompanhou a execução de obras em 500 moradias
Por que a Bretanha trata a reforma energética como prioridade
O projeto se encaixa em uma estratégia mais ampla da Região da Bretanha. No oeste do país, o setor de edifícios responde por 45% do consumo final de energia. Diante desse cenário, a região definiu uma meta ambiciosa: reformar energeticamente 45 000 moradias por ano.
Regras nacionais e pressão sobre imóveis com baixa eficiência
Em âmbito nacional, o governo mantém diversas linhas de apoio para obras de isolamento térmico. Além disso, proprietários de imóveis classificados como peneiras térmicas precisarão reformar se quiserem continuar alugando.
A partir de 2028, ficará proibido alugar imóveis com classe de eficiência energética F ou pior.
Além do isolamento: conforto também depende de controle de umidade e ventilação
Em reformas profundas como essa, a melhoria do conforto não vem apenas de “colocar mais material” nas paredes: a combinação entre isolamento, vedação e gestão de umidade é determinante para manter a temperatura estável e evitar condensação, mofo e sensação de frio perto de superfícies. Por isso, projetos de reforma energética bem-sucedidos costumam integrar decisões de envoltória (fachadas e cobertura) com cuidados de renovação do ar e operação do edifício.
O caminho típico em condomínios: diagnóstico, decisão e obra com acompanhamento
Para um condomínio, chegar a um resultado como manter 23 °C sem aquecimento normalmente exige um processo organizado: iniciar por diagnóstico técnico, avaliar cenários de intervenção, aprovar o plano em assembleia, estruturar o financiamento e, por fim, garantir fiscalização e comissionamento durante a execução. O modelo de apoio oferecido por serviços públicos locais - como a Tinergie - tende a reduzir erros de projeto e aumentar a chance de a economia de energia prometida se traduzir em conforto real no dia a dia.
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