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Você comprou na Shein? Veja por que talvez não receba seus próximos pedidos.

Mulher de camiseta branca e calça bege segura sapatos em porta para varanda com várias caixas e Torre Eiffel ao fundo.

O governo francês, por meio do Ministério do Interior, acionou a Justiça para solicitar o bloqueio do site da Shein na França. Paralelamente, a ministra responsável pela Ação e Contas Públicas determinou a inspeção de 100% dos pacotes que chegarem às alfândegas (douanes) - com o risco de as encomendas não serem entregues aos clientes.

Atualização (06 de novembro, 15h32): na rede X, a ministra da Ação e Contas Públicas, Amélie de Montchalin, determinou o bloqueio e a verificação de todos os pacotes provenientes da Shein. Até o horário informado, mais de 200 mil encomendas estavam retidas na alfândega para checar se atendem às regulamentações francesas. Se você comprou na Shein nos últimos dias, existe a possibilidade de não receber seus pacotes.


A chegada da Shein a Paris - com a abertura de sua primeira loja na cidade, nesta quarta-feira - reacendeu e intensificou uma sequência de controvérsias. No sábado anterior, a DGCCRF informou ter acionado “o procurador da República após constatar a comercialização, pela SHEIN, de bonecas sexuais com caráter pedopornográfico”. Já nesta quarta-feira, o deputado Antoine Vermorel-Marques (LR) também denunciou a presença de armas de categoria A na plataforma.

Esse contexto se soma ao que o governo já vinha sinalizando: a intenção de impor uma suspensão. Em comunicado, Bercy declarou que, “por instrução do primeiro-ministro, o governo inicia o procedimento de suspensão da Shein pelo tempo necessário para que a plataforma demonstre às autoridades públicas que, enfim, a totalidade de seus conteúdos está em conformidade com nossas leis e regulamentos. Um primeiro ponto de situação deverá ser feito pelos ministros nas próximas 48 horas”.

O governo pede o bloqueio da Shein na França (Ministério do Interior)

Na noite de ontem, veio a público que uma segunda frente de atuação também havia sido iniciada, desta vez a partir do Ministério do Interior, com o objetivo de bloquear o site da Shein. Segundo um comunicado repercutido pela imprensa (incluindo o Ouest-France), “o ministro Laurent Nuñez acionou a Justiça para solicitar o bloqueio do site, a fim de fazer cessar de maneira certa os graves danos à ordem pública causados pelas falhas da Shein”.

Ainda de acordo com o que foi noticiado, no meio da tarde a Shein afirmou ter decidido suspender sua marketplace - usada por vendedores terceiros - “independentemente do anúncio do primeiro-ministro e para responder às preocupações expressas nos últimos dias”.

A polêmica da ultra fast-fashion e a presença da Shein no BHV

A instalação da Shein no BHV, uma instituição tradicional parisiense, trouxe de volta o debate sobre ultra fast-fashion: um modelo que consiste em inundar o mercado com produtos de uso curto e descartáveis, vendidos a preços muito baixos - frequentemente levantando suspeitas de desrespeito a regras e a padrões éticos.

Reportagens recentes também chamaram atenção para condições de trabalho consideradas chocantes em fábricas ligadas à cadeia produtiva da Shein, além da toxicidade atribuída a diversos produtos comercializados.

França, consumo e retenção de encomendas: por que a fiscalização pesa tanto agora?

Apesar do desgaste reputacional, a França segue como o principal mercado europeu para o grupo chinês - o que ajuda a explicar a aposta em uma vitrine física no BHV. Em um cenário em que o poder de compra dos franceses está pressionado, famílias de menor renda recorrem à plataforma para ampliar o guarda-roupa. A própria dinâmica de superconsumo aparece nos números da empresa: em média, uma peça comprada na Shein é usada apenas 7 vezes.

A determinação de fiscalizar 100% dos pacotes nas alfândegas tende a gerar efeitos imediatos para os consumidores: atrasos, custos adicionais e, em casos extremos, o não recebimento da mercadoria. Em operações desse tipo, as autoridades podem reter encomendas para verificar conformidade com regras de segurança, composição e rotulagem - e também para apurar se há itens proibidos, o que eleva o risco de retenção prolongada.

Além do impacto direto nas entregas, o episódio reforça um ponto frequentemente ignorado por quem compra em plataformas internacionais: políticas de devolução e reembolso podem se tornar mais complexas quando a mercadoria fica travada antes de entrar oficialmente no país. Para o consumidor, isso significa que acompanhar o rastreio e guardar comprovantes de compra e pagamento pode ser decisivo caso seja necessário contestar cobranças ou exigir devolução.

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