Pular para o conteúdo

Mercúrio no atum em lata: com este truque no rótulo, o nível diminui bastante.

Jovem mulher examinando rótulo de lata em corredor de supermercado com prateleiras cheias de produtos.

Uma investigação realizada em vários países da Europa analisou 148 latas de atum e encontrou um dado pouco confortável: todas apresentaram mercúrio, e em parte delas os níveis ficaram bem acima do que muita gente imagina consumir. Ainda assim, uma nutricionista citada pela imprensa não defende “banir” o produto. A orientação é mais prática: escolher melhor no supermercado, usando uma informação simples - e decisiva - que já está no rótulo.

Por que o atum em lata acumula tanto mercúrio

O mercúrio chega a rios e oceanos a partir de atividades industriais, processos de queima e diferentes formas de poluição ambiental. No ambiente aquático, microrganismos transformam esse metal em metilmercúrio, uma forma que se acumula com facilidade no tecido muscular e na gordura dos peixes.

O problema cresce ao longo da cadeia alimentar. Peixes pequenos absorvem quantidades menores; quando são comidos por predadores maiores, o contaminante vai “subindo” e se concentrando no corpo de quem está no topo. Quanto maior e mais velho é o peixe predador, maior tende a ser a carga.

O atum ocupa posições altas na cadeia alimentar marinha - por isso, em média, carrega mais mercúrio do que muitos outros peixes consumidos no dia a dia.

Há ainda um ponto regulatório relevante: para a maioria das espécies de peixe, o limite da União Europeia para mercúrio é de 0,3 mg/kg. Já para atum, o limite permitido é de 1 mg/kg, ou seja, mais de três vezes maior.

A análise das conservas, feita por uma organização ambiental, ilustra como a variação pode ser grande:

  • todas as latas: mercúrio detectável
  • 57% das latas: acima de 0,3 mg/kg
  • cerca de 1 em cada 10: acima do limite de 1 mg/kg
  • valor máximo observado: 3,9 mg/kg, muito distante do que a maioria esperaria

Além do metal, existe um segundo fator que pesa na rotina: o sal. Em atum enlatado, é comum encontrar algo como 1,5 g de sal a cada 100 g. Quem consome com frequência aumenta não só a exposição a metais pesados, mas também a ingestão de sódio.

A espécie de atum na lata (atum em lata) é o que mais muda o risco

“Atum” não é uma coisa só. Várias espécies podem aparecer na prateleira, e elas diferem bastante em tamanho, tempo de vida e comportamento de caça - exatamente os fatores que influenciam o quanto de mercúrio se acumula.

A opção “menor”: Skipjack/Bonito (muitas vezes vendido como atum “padrão”)

Uma parte dos produtos usa uma espécie relativamente pequena, conhecida internacionalmente como Skipjack e frequentemente chamada de Bonito. Em geral, são peixes que crescem mais rápido, vivem menos e ficam um pouco mais abaixo na cadeia alimentar.

Em medições, o Skipjack aparece com média em torno de 0,2 mg/kg de mercúrio - um patamar consideravelmente inferior ao de outras espécies de atum. Em alguns mercados, essa espécie pode vir descrita apenas como “atum” na lata, enquanto expressões como “atum claro” costumam estar associadas a espécies maiores.

Os “maiores”: atum de barbatana-amarela e atum branco (Germon)

Já em espécies maiores - como o atum de barbatana-amarela e o atum branco (Germon) - o cenário muda. Por viverem mais tempo e consumirem mais peixes ao longo da vida, esses animais tendem a ocupar níveis ainda mais altos na cadeia alimentar. O resultado costuma ser uma concentração bem maior de metais pesados.

Em levantamentos, esses tipos aparecem com frequência em níveis duas a três vezes superiores aos do Skipjack. Para quem come atum só de vez em quando, isso dificilmente encosta em limites pessoais de exposição. Mas quem abre duas ou três latas por semana pode, com o tempo, somar uma carga relevante.

O nome da espécie no rótulo tem impacto direto na quantidade de mercúrio que pode se acumular no organismo ao longo dos meses e anos.

A regra simples no supermercado: ler o rótulo com atenção

A nutricionista citada nas reportagens não recomenda abandonar o atum em definitivo. A proposta é usar uma estratégia objetiva: basear a compra na denominação da espécie impressa na embalagem.

Na lata, além de informações como “em óleo” ou “em água/no próprio suco”, deve aparecer a espécie ou denominação comercial do peixe. É justamente aí que entra o “atalho”:

  • procurar a espécie menor (Skipjack/Bonito, muitas vezes comercializada como “atum” sem qualificadores)
  • escolher com menos frequência produtos cujo nome indique espécies maiores e mais “nobres” (por exemplo, atum branco)
  • alternar tipos de peixe ao longo das semanas, em vez de repetir sempre a mesma lata

Para quem depende do atum enlatado como opção prática, essa troca reduz de forma clara a média de mercúrio ingerida - sem eliminar o produto do cardápio.

Um detalhe útil: trocar o líquido (escorrer o óleo ou a salmoura) pode reduzir parte do sódio e das calorias do preparo, mas não resolve o ponto central do mercúrio, que se concentra principalmente no tecido do peixe. Ou seja, a escolha da espécie e a frequência de consumo continuam sendo as alavancas mais importantes.

Também vale observar que alguns rótulos trazem informações adicionais como área de captura, método de pesca e nome científico. Sem transformar isso em “caça ao tesouro”, esses dados ajudam a variar origem e produto - algo que, na prática, facilita não ficar preso sempre ao mesmo padrão de exposição.

Com que frequência o peixe deveria aparecer nas refeições?

A agência francesa de segurança alimentar recomenda consumir peixe cerca de duas vezes por semana. Uma dessas refeições pode ser com um peixe mais gorduroso, rico em ômega-3, como:

  • salmão
  • sardinha
  • cavalinha
  • arenque

A segunda refeição semanal deveria priorizar peixes mais magros, por exemplo:

  • bacalhau (ou peixes do grupo “cod”)
  • escamudo (coalfish) ou “pollock”/peixes similares vendidos como peixe branco
  • haddock
  • linguado ou outros peixes brancos

Outro princípio importante é variar espécie e procedência com frequência. Alternar entre opções de pesca e de cultivo e não concentrar as escolhas sempre no mesmo predador ajuda a “diluir” riscos.

Alerta reforçado para gestantes e crianças pequenas

O metilmercúrio afeta principalmente o sistema nervoso. O cérebro em formação é mais vulnerável - por isso o risco é maior para o feto durante a gestação e para crianças pequenas nos primeiros anos de vida.

Para gestantes, lactantes e crianças menores de 3 anos, a regra prática é: quanto menos peixes predadores grandes, melhor.

Autoridades de saúde orientam esses grupos a limitar bastante - ou até evitar - certas espécies:

  • consumir com menor frequência: atum, bonitos grandes, dourada, peixe-lobo, arraia, halibute, lúcio
  • evitar: espécies de tubarão, peixe-espada, marlim e predadores de águas profundas conhecidos por concentrações muito altas

Como alternativa mais tranquila, entram peixes pequenos e gordurosos. Sardinha, arenque e cavalinhas menores oferecem bom teor de ômega-3 e, em geral, ficam em faixas mais baixas de metais pesados.

O que o mercúrio pode causar no organismo

No corpo, o metilmercúrio se liga a proteínas e consegue chegar ao cérebro com relativa facilidade. Em adultos saudáveis que consomem atum em lata apenas de vez em quando, os benefícios associados ao consumo de peixe - melhora de perfil de gorduras no sangue, aporte de ácidos graxos, minerais e outros nutrientes - costumam compensar o risco. A situação se torna mais delicada quando:

  • peixes predadores grandes entram no prato muitas vezes por semana
  • existem outras fontes de exposição somando carga
  • a pessoa faz parte de grupos mais sensíveis, como bebês em desenvolvimento e crianças pequenas

Quando a ingestão permanece elevada por muito tempo, os efeitos possíveis incluem desde dificuldades de concentração e alterações de sensibilidade fina até prejuízos no desenvolvimento infantil. Não é algo que apareça “por causa de uma lata”, e sim após anos de exposição acima do ideal.

Estratégias práticas para quem gosta de peixe e atum

Quem aprecia atum não precisa jogar fora o estoque. Medidas simples costumam reduzir bastante o risco:

  • limitar o atum a 1 até, no máximo, 2 vezes por semana, preferindo porções menores
  • no supermercado, priorizar Skipjack/Bonito e checar rapidamente o rótulo
  • quando a meta for ômega-3, usar com frequência sardinha, arenque e cavalinha como alternativas
  • evitar transformar atum em lata no “recheio fixo” do sanduíche diário; deixar para refeições pontuais
  • para gestantes e crianças, focar em espécies menores e menos propensas a altos níveis de mercúrio

Se a alimentação já é mais baseada em vegetais, leguminosas e outras fontes de proteína, o peixe não precisa ser uma escolha diária. Nesse caso, costuma bastar planejar uma ou duas porções semanais, escolhidas com atenção para espécie, origem e método de captura.

O tema “mercúrio” parece abstrato até virar um raciocínio simples: o organismo elimina metilmercúrio lentamente. Cada porção adiciona um pouco à carga total. Por isso, vale o esforço mínimo de conferir a espécie no rótulo - especialmente em produtos que entram com frequência na rotina.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário