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Bem-vindo a Derry: por que gostamos tanto da nova série inspirada no universo de Stephen King?

Quatro crianças andando de bicicleta em bairro residencial com balão vermelho preso na bicicleta ao centro.

Esta joia da HBO Max consegue ampliar o universo do famoso escritor.

A obra literária de Stephen King continua a ser uma fonte inesgotável para produtores e cineastas que procuram adaptações de alto nível. Depois de alguns resultados irregulares nos últimos anos, a HBO Max decide voltar às raízes e mirar as origens dessa cidade amaldiçoada do Maine, um lugar que guarda mais segredos do que aparenta. A seguir, as nossas impressões sobre os dois primeiros episódios de It: Bem-vindo a Derry.

Direção de It: Bem-vindo a Derry (HBO Max) que arrisca e renova

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Logo nos primeiros minutos, fica evidente a intenção da série de não repetir fórmulas. A equipa criativa aposta em escolhas visuais ousadas e bem controladas, evitando vários dos tropeços que costumam aparecer em adaptações do universo de King.

Em vez de acelerar tudo, os realizadores dão espaço para as cenas “respirarem” e deixam a tensão crescer em camadas, sem transformar cada momento num choque constante. A composição dos enquadramentos é claramente trabalhada, e dá para perceber um entendimento genuíno - e um respeito real - pelo material de origem. Andy e Barbara Muschietti entregam aqui um terror com cara de cinema, em continuidade com a experiência dos dois longas focados no palhaço assassino.

Também vale destacar: os dois primeiros episódios não suavizam a violência. O gore aparece com mais frequência do que se esperava e, em alguns trechos, chega a ser difícil de encarar.

Outro acerto está na forma como a série constrói a sensação opressiva de Derry com um cuidado especial. Ainda assim, surgem pequenas pausas - e até pitadas de humor negro - que ajudam a aliviar a pressão antes de a história voltar a apertar o cerco.

A reconstituição dos anos 60 é minuciosa, e cada detalhe reforça a sensação de mergulho no passado. A trilha sonora, muito bem pensada, envolve o conjunto numa camada extra de desconforto. Pode soar a frase feita, mas aqui é verdade: Derry ganha presença de personagem, não funciona apenas como cenário.

Além disso, o formato seriado favorece algo que o cinema nem sempre consegue com tempo suficiente: a cidade pode ser explorada como um organismo, com bairros, rotinas e silêncios próprios - e isso torna o horror mais íntimo e, ao mesmo tempo, mais coletivo. O medo não está só no que aparece em cena, mas no que parece estar “enraizado” no lugar.

Uma promessa forte - com cautela

O elenco (diferente do dos filmes) surpreende por não se limitar ao conjunto mais óbvio de crianças “padrão” que muita gente poderia temer. A produção da HBO Max apresenta protagonistas mais ambíguos e complexos, com acenos pontuais para fãs da saga It. Cada um carrega feridas e motivações próprias, longe da caricatura comum em grupos de adolescentes. E o formato de série ajuda a aprofundar melhor a psicologia dessas figuras - dinâmicas de poder, intimidação, conflitos e tensões sociais aparecem com mais espaço para se desenvolver.

Outro ponto interessante é como essa abordagem abre caminho para discutir, de forma indireta, temas que combinam com o período retratado: o peso das aparências numa cidade pequena, o medo do “diferente” e a maneira como certas violências se normalizam no cotidiano. Sem transformar a história em discurso, a série consegue usar o contexto para tornar o horror mais plausível - e por isso mesmo mais perturbador.

It: Bem-vindo a Derry começa, portanto, de forma muito convincente. As bases estão bem lançadas, e dá vontade de seguir em frente para entender o que mais a série pretende revelar. Ainda assim, vimos apenas os dois primeiros episódios: o ritmo pode oscilar e a dinâmica pode perder força mais adiante. Por enquanto, porém, a experiência é um sonho (ou pesadelo?) acordado para quem acompanha Stephen King.

Se você já assistiu aos dois primeiros episódios, o que achou? Compartilhe a sua opinião nos comentários.

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