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Um novo eletrodoméstico promete nove modos de preparo e pode acabar com as fritadeiras elétricas.

Pessoa colocando assadeira com legumes em forno elétrico compacto na cozinha iluminada.

O primeiro detalhe que chama a atenção é o silêncio.
Nada de ventoinha irritada fazendo barulho, nada de chiado gorduroso: só um brilho suave saindo de uma caixa metálica compacta, mais ou menos do tamanho de uma torradeira parruda. Na bancada ao lado, uma air fryer aposentada parece um trambolho de outra época, com um discreto “aureolado” de manchas de óleo que não saiu nem na insistência.

Lá dentro do aparelho novo, legumes assam em uma prateleira enquanto, por baixo, um filé de salmão cozinha no vapor com delicadeza. O celular vibra com um aviso: “Mexer uma vez?”. A dona nem levanta direito os olhos da mesa: toca em “OK” e continua rolando a tela.

O jantar está acontecendo quase sozinho.

A air fryer, que já foi a heroína dos almoços e jantares rápidos, agora fica desligada num canto.
Alguma coisa mudou na cozinha de casa.
E, desta vez, a mudança tem cara de definitiva.

De estrela de uma função só a dinossauro de bancada (air fryer)

A air fryer viveu seu auge.
De repente, toda bancada parecia ocupada por cestos pretos e volumosos transformando batata congelada em crocância instantânea e sobrecoxa em salvação de segunda-feira. As redes sociais empurraram a febre: “Você não vai acreditar no que eu fiz na minha air fryer!”. Era rápido, “mais saudável”, moderno.

Só que, entrando hoje na casa das pessoas, dá para notar um padrão: a air fryer que antes ficava em destaque perto da chaleira agora aparece espremida atrás do liquidificador, ou exilada no armário. A promessa de uma cozinha “revolucionária” acabou esbarrando numa realidade meio incômoda:
um aparelho grande, barulhento, que faz muito bem uma coisa - e mais ou menos só isso.

É justamente nesse espaço que a nova onda de eletrodomésticos multicooker começa a entrar sem alarde. Eles têm um ar mais sóbrio, menos “gadget”, mais parente jovem de um forno de verdade. Um dos modelos mais recentes no mercado aposta alto: nove métodos de preparo na mesma caixa - air fry, assar (bake), assar/rostear (roast), grelhar (grill), cozinhar no vapor (steam), cozimento lento (slow cook), sous-vide, reaquecer (reheat) e desidratar (dehydrate).

Imagine um apartamento pequeno, bancada curta, e um casal que cozinha quase todo dia. Antes, era malabarismo com panela elétrica de arroz, air fryer e slow cooker. Agora, fica “só” uma caixa, trabalhando baixinho: primeiro vapor para os bolinhos, depois alta temperatura para dourar e deixar o acabamento crocante.
Um aparelho, menos Tetris de armário, menos momentos de “onde eu vou enfiar isso?”.

Há um motivo bem lógico por trás dessa virada. A air fryer surfou na onda da rapidez e da “fritura mais leve”, mas ficou presa à própria identidade. Era excelente para batata, nuggets, asa de frango e, com boa vontade, alguns legumes. Depois disso, você ainda precisava do forno para uma lasanha, da frigideira para selar, da panela para uma sopa.

Já os aparelhos 9 em 1 conversam com outra realidade: cansaço, cozinhas menores e conta de luz pesando. Aquecer um forno grande para dois filés de salmão começa a parecer exagero quando um forno de bancada com controle preciso de temperatura e vapor faz melhor - e em menos tempo.
Não é só um brinquedo novo.
É uma reorganização silenciosa do jeito de cozinhar no dia a dia.

Nove jeitos de cozinhar em uma única caixa (aparelho 9 em 1)

A proposta é direta: um único eletrodoméstico, nove funções, e bem menos decisões ao longo da semana. Você abre a porta, encaixa a assadeira, escolhe na tela. Air fry para dar crocância na batata. Steam para deixar um pãozinho no vapor macio. Slow cook para um ensopado que fica pronto quando você volta do trabalho.

O “pulo do gato” está na combinação de calor e umidade. Esses aparelhos não se limitam a soprar ar quente como uma air fryer tradicional. Eles conseguem injetar vapor, manter temperatura baixa por horas ou disparar calor alto no final para dourar por fora.
De repente, “jantar saudável” deixa de ser sinônimo de frango seco e vira filé suculento, pele dourada e legumes macios no ponto.

Muita gente relata a mesma virada: o dia em que o aparelho deixa de servir só para um acompanhamento e passa a montar uma refeição completa. Por exemplo: uma assadeira com grão-de-bico e couve-flor bem temperados; embaixo, uma tigelinha de arroz com água; em cima, cubos de tofu marinados. Quinze minutos em steam + bake, depois uma rajada curta de calor alto para crocantar as bordas. Pronto.

A air fryer não faz isso com facilidade. Ela tende a cozinhar uma coisa por vez, num cesto fechado, sem a sutileza do vapor ou do calor mais gentil. Acompanhamento “estilo junk food”? Sim. Refeições equilibradas, em camadas, sem ficar alternando três panelas? Aí já não é a praia dela. E quando alguém percebe essa diferença, voltar atrás dá a sensação de usar um celular antigo sem internet.

Do ponto de vista prático, essas caixas 9 em 1 também tocam num assunto que pouca gente admite: a ansiedade da tralha. Todo mundo já abriu um armário e quase levou uma pancada de um eletrodoméstico esquecido - a máquina de pão, o espumador de leite, a sorveteira usada duas vezes. A air fryer está perigosamente perto de entrar nesse “cemitério”.

Quando um aparelho substitui vários, não é só upgrade: é alívio mental. Menos tomadas, menos fios, menos rotinas diferentes de limpeza. E, sejamos honestos, quase ninguém dá conta de cuidar de tudo isso todo santo dia. Juntar air fry, steam, grill e slow cook num único forno compacto começa a soar não só inteligente, mas sensato.
O fim da air fryer não chega com drama.
Chega com gente simplesmente parando de ligá-la.

Um ponto extra que pesa no Brasil: custo, calor e ventilação

Em muitas cidades brasileiras, cozinha pequena e quente é regra, e ligar o forno grande no fim do dia vira um teste de paciência. Um aparelho de bancada costuma aquecer menos o ambiente e, por trabalhar com uma câmara menor, tende a chegar na temperatura mais rápido - o que pode ajudar a segurar o consumo, especialmente em preparos pequenos e médios.

Também vale pensar na ventilação: qualquer modo de alta temperatura (air fry, grill, roast) solta cheiro e um pouco de fumaça dependendo da gordura. Deixar o aparelho com espaço nas laterais e não encostar em parede/armário faz diferença tanto para segurança quanto para desempenho.

Como usar um 9 em 1 sem pirar com as nove funções

A forma mais útil de encarar esses aparelhos não é como “gadget”, e sim como um mini forno principal.
Pense por refeição, não por função. Três rotinas simples já resolvem muita coisa: assadeiras de semana, cozimento lento de fim de semana e reaquecimentos que não ficam tristes.

  • Assadeira de semana: escolha uma proteína, um legume e um carboidrato. Tempere com azeite/óleo e especiarias, espalhe tudo numa forma e use um modo combinado como steam + roast.
  • Fim de semana preguiçoso: use slow cook ou sous-vide para um pedaço grande de carne ou um ensopado de feijão/lentilha. Depois, finalize com roast ou grill rápido para dourar por cima.
  • Reaquecer de verdade: pule o micro-ondas quando der. Prefira reheat com um pouco de vapor ou um air fry com ventilação baixa/temperatura mais suave, para a pizza de ontem ou o frango assado voltarem a ter textura - e não virarem borracha.

O erro mais comum é tentar dominar as nove opções em uma semana. A pessoa se perde nos presets, dá uma folheada no manual e volta para o “air fry a 200 °C” porque é familiar. O outro tropeço é achar que o aparelho é varinha mágica: jogar ingredientes aleatórios e esperar resultado de restaurante. Ele ajuda bastante, mas não substitui o básico (cortar do mesmo tamanho, não lotar a forma, temperar direito e respeitar tempos).

Comece pequeno e real: um prato preferido (legumes assados com queijo coalho), um conforto (curry em slow cook para deixar a tarde inteira) e um “estou sem energia” (reaquecer que fica melhor no dia seguinte). Depois de um mês, você vai usar as nove funções sem perceber.
E o cesto da air fryer vai juntar poeira um pouco mais rápido.

“Quando eu percebi que isso aqui fermenta pão, assa um frango, cozinha legumes no vapor e reaquece sem ressecar, a air fryer começou a parecer… barulhenta. Tipo usar um secador de cabelo para esquentar a mão”, ri Camille, 34, que cozinha quase todos os dias no apartamento de 40 m².

Os 9 modos, na prática

  • Air fry - Para dar crocância rápida em batatas, nuggets ou finalizar legumes já assados.
  • Steam (vapor) - Para peixe, dumplings, reaquecer arroz e manter bolos mais úmidos.
  • Steam + bake (vapor + assar) - Para frango bem dourado, carne suculenta e pele crocante.
  • Grill (grelhar/gratinar) - Para gratinados, pão com queijo, dourar o topo de massas.
  • Slow cook (cozimento lento) - Para ensopados, carne desfiada, lentilhas que você começa ao meio-dia e esquece.
  • Sous-vide - Para proteínas macias com temperatura precisa, para quem gosta de controle fino.
  • Bake (assar) - Para bolos, pão de banana, cookies sem esquentar a casa inteira.
  • Reheat (reaquecer) - Para sobras com gosto de comida feita na hora, não “micro-ondada”.
  • Dehydrate (desidratar) - Para chips de fruta, ervas caseiras e toppings crocantes.

O que essa mudança revela sobre a cozinha de hoje

Olhando de longe, esse “fim da air fryer” fala menos de um aparelho morrendo e mais de como a gente cozinha quando a vida está cheia, barulhenta e cara. As pessoas querem comida de verdade, gostosa, sem perder a noite inteira. Querem bancada livre, conta de luz menos imprevisível e receitas que não pedem cinco panelas e doze etapas.

O aparelho 9 em 1 vira uma espécie de acordo entre ambição e realidade. Ele não transforma ninguém em chef - mas dá uma chance real de comer bem numa terça-feira, numa cozinha pequena, com a cabeça já lotada. Ele pega a promessa da air fryer e coloca dentro de algo mais maduro e duradouro.

A air fryer não vai sumir de um dia para o outro.
Mas, a cada novo forno multicooker que entra num apartamento apertado, fica mais claro que o posto de “heroína padrão” da cozinha doméstica está com os dias contados.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Multicooker substitui aparelho de uma função Nove funções em um eletrodoméstico compacto, incluindo air fry, bake, steam e slow cook Libera espaço e reduz a quantidade de aparelhos para comprar e limpar
Rotinas mais inteligentes no dia a dia Pense em padrões simples: refeições de assadeira, fins de semana no cozimento lento, reaquecimentos melhores Facilita repetir a rotina sem enjoar ou se sentir sobrecarregado
Textura melhor com menos energia Combinar calor e vapor dá comida mais suculenta e pode gastar menos do que um forno grande Ajuda a comer melhor e pode reduzir o consumo ao mesmo tempo

Perguntas frequentes (FAQ)

  • 1) Um aparelho 9 em 1 realmente substitui uma air fryer?
    Sim. Desde que tenha um modo de convecção forte ou air fry em alta temperatura, ele entrega o que a air fryer faz - com bônus de steam e outras funções.

  • 2) A comida fica tão crocante quanto numa air fryer clássica?
    Fica. Com bom fluxo de ar e uma finalização em calor alto, dá para chegar na mesma crocância (às vezes melhor), especialmente se você usar vapor primeiro para manter o interior macio.

  • 3) Não é complicado aprender nove modos diferentes?
    Normalmente não. A maioria começa usando duas ou três funções e vai adicionando o resto aos poucos. Presets e receitas em app ajudam a aprender fazendo, sem depender de manual.

  • 4) Gasta menos energia do que o forno tradicional?
    Para porções pequenas e médias, em geral sim: aquece um espaço menor, chega na temperatura mais rápido e costuma cozinhar com mais eficiência, reduzindo o consumo total.

  • 5) O que fazer com a minha air fryer antiga?
    Se ainda funciona, doe ou revenda. Se não funciona, leve a um ponto de coleta de lixo eletrônico para reciclagem e reaproveitamento correto dos materiais.

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