A mudança de horário que acontece todo ano - e que muita gente lembra pelo cansaço dos primeiros dias - pode não ser só um incômodo passageiro.
Novas evidências indicam que adiantar os relógios na primavera e atrasá-los no outono pode estar cobrando um preço em alguns aspectos da saúde a longo prazo.
Não é apenas o relógio na parede que precisa ser ajustado duas vezes por ano com essa política. O relógio interno do corpo, de 24 horas, também é interrompido - e agora cientistas da Universidade Stanford relacionaram essa sacudida semestral a obesidade e AVC.
Os modelos deles se baseiam em dados em nível de condado dos EUA continentais e sugerem que escolher um único padrão - horário padrão ou horário de verão (DST, na sigla em inglês) - e mantê-lo de forma permanente reduziria de maneira significativa a prevalência nacional de obesidade e de AVC.
O horário padrão permanente, por exemplo, se traduziria em 300.000 casos a menos de AVC e 2,6 milhões de pessoas a menos com obesidade.
“Quanto mais exposição à luz você tem nos horários errados, mais fraco fica o relógio circadiano”, explica o cientista comportamental Jamie Zeitzer, que coassinou a pesquisa com a bioengenheira Lara Weed.
“Todas essas coisas que vêm depois - por exemplo, seu sistema imunológico, sua energia - não se alinham tão bem.”
Estudos anteriores já haviam encontrado que a mudança de “adiantar uma hora” do horário de verão pode aumentar imediatamente o risco de ataques cardíacos e acidentes de trânsito, além de provocar alterações temporárias no sono.
Enquanto isso, a mudança de “voltar uma hora” para o horário padrão não está associada aos mesmos efeitos agudos.
Em 2022, diante do acúmulo de evidências, a Associação Médica Americana anunciou apoio ao fim do horário de verão e à adoção permanente do horário padrão. A Academia Americana de Medicina do Sono concorda.
O impacto de longo prazo do horário de verão, porém, ainda precisa ser investigado com mais profundidade.
Os modelos de Zeitzer e Weed não são perfeitos nem conclusivos. Eles não levaram em conta clima, geografia ou comportamento humano. Mesmo assim, os resultados reforçam a ideia de que o horário de verão pode ter consequências duradouras e de que a população dos EUA pode ser mais saudável sem ele.
O estudo foi publicado na PNAS.
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