Segundo o conhecido analista Ming-Chi Kuo, a Apple estaria a considerar equipar parte da linha Mac com chips fabricados pela Intel. Ainda assim, isso não significaria uma volta aos antigos processadores “da Intel” como antes: a ideia seria usar a fábrica (foundry) da Intel, e não adotar chips desenhados pela própria Intel.
Em 2020, a Apple tomou uma decisão marcante para os seus computadores: substituir os processadores Intel tradicionais por chips desenhados internamente, os Apple Silicon, baseados em arquitetura Arm e produzidos pela taiwanesa TSMC. Para a Intel, foi um golpe importante. Para quem usa Mac, porém, esse movimento abriu uma fase nova - com Macs claramente mais rápidos e, ao mesmo tempo, mais eficientes no consumo de energia graças aos Apple Silicon.
Apesar disso, um rumor recente sugere que a Apple pode voltar a trabalhar com a Intel no futuro dos processadores do Mac - mas não do jeito que muita gente imagina. Em vez de regressar a processadores concebidos pela Intel, a Apple poderia simplesmente mandar a Intel fabricar chips desenhados pela própria Apple. É exatamente esse o cenário descrito numa publicação recente atribuída a Ming-Chi Kuo.
Desde 2024, a Intel vem a apostar numa operação de fundição para competir diretamente com a TSMC. E, de acordo com Kuo, a Apple poderia começar a produzir chips “M” de entrada para Mac nas instalações da Intel a partir de 2027, usando o nó de processo 18AP. Em outras palavras, continuariam a ser chips da Apple, mas fabricados pela Intel em vez da TSMC. Além disso, esse plano afetaria apenas as versões básicas dos Apple Silicon para Mac, já que a Apple continuaria a recorrer às tecnologias da TSMC para produzir as variantes mais potentes dos seus processadores.
Apple, Intel e Mac: qual seria o interesse da Apple?
Ao deslocar uma parte da produção para a Intel, a Apple sinalizaria apoio à linha de política industrial defendida pela administração Trump, que incentiva empresas de tecnologia a produzir em território norte-americano. Ao mesmo tempo, não seria uma ruptura com a TSMC - da qual a Apple continuaria dependente para fabricar os seus chips de maior desempenho. Para além disso, ao ter um segundo fornecedor, a Apple também poderia tornar a sua cadeia de abastecimento mais simples e resiliente.
Existe ainda um aspeto prático que costuma pesar nesse tipo de decisão: diversificação de risco. Quando uma empresa concentra a fabricação em um único parceiro, qualquer limitação de capacidade, imprevisto industrial ou instabilidade logística tende a ter impacto direto no calendário de lançamentos. Ao dividir parte da produção (mesmo que apenas nos chips de entrada), a Apple ganharia mais margem para equilibrar volumes e prazos.
Por outro lado, trabalhar com duas fundições pode introduzir desafios adicionais. Diferenças entre processos de fabricação podem exigir ajustes de validação, testes e controlo de qualidade para garantir que a experiência no Mac permaneça consistente - especialmente em pontos como consumo, temperatura e autonomia, que são críticos nos Apple Silicon.
O que a Intel ganharia com esse acordo (e o que pode vir depois)
Para a Intel, um contrato assim seria uma vitória relevante, sobretudo num contexto em que ela enfrenta pressão de chips fabricados pela TSMC. O acordo também poderia abrir espaço para a Apple aproveitar nós ainda mais avançados da Intel no futuro, como o processo 14A. Na avaliação de Ming-Chi Kuo, a Intel teria capacidade de produzir 15 a 20 milhões de chips para Mac por ano.
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