Um movimento inesperado vindo da empresa fundada pelo presidente americano chamou atenção no mercado.
Trump Media, a companhia que administra, entre outros ativos, a plataforma Truth Social, decidiu se unir à TAE Technologies, empresa sediada na Califórnia e especializada em fusão nuclear. A ambição das duas organizações é iniciar a construção de uma usina já em 2026, o que, se acontecer, representaria um feito inédito em escala global.
Segundo informações divulgadas pelo The Verge, a Trump Media passará a ser a holding da nova estrutura. Com isso, os acionistas de cada empresa ficarão com cerca de metade do capital da organização resultante da operação, que deve ser avaliada em aproximadamente US$ 6 bilhões.
O plano traçado pela companhia também é ousado no calendário de operação: a meta é colocar a usina de fusão em funcionamento em 2031. Ainda assim, o projeto depende de etapas fundamentais que continuam em aberto, como a definição do terreno e a obtenção das licenças exigidas pelos órgãos reguladores. A proposta é gerar 50 MW, enquanto também estão sendo consideradas usinas com capacidade entre 350 e 50 MW.
A fusão nuclear vem sendo tratada há décadas como uma possível fonte de energia abundante e limpa, mas ainda enfrenta obstáculos técnicos muito complexos. Para sair do papel em larga escala, esse tipo de instalação precisa dominar condições extremas de temperatura e confinamento do plasma, algo que até agora só foi demonstrado em experimentos e protótipos.
Além disso, o interesse por esse campo costuma crescer justamente porque a promessa é enorme: se a tecnologia algum dia se tornar comercialmente viável, ela poderá transformar a matriz energética de vários países. Por isso, mesmo sem garantias de sucesso, projetos desse tipo continuam atraindo capital, visibilidade e apostas de longo prazo.
Trump Media e fusão nuclear: Devin Nunes celebra a aposta
Citado pela reportagem, Devin Nunes, CEO da Trump Media, demonstrou grande entusiasmo com a iniciativa:
“A energia de fusão será o avanço energético mais espetacular desde o início da energia nuclear comercial nos anos 1950 - uma inovação que permitirá reduzir os preços da energia, aumentar a oferta, garantir a supremacia americana em IA, reaquecer nosso setor manufatureiro e fortalecer a defesa nacional.”
Elon Musk permanece muito cético
A TAE Technologies já havia despertado o interesse do Google no passado. A gigante de tecnologia chegou a investir na companhia para apoiar o avanço do projeto. Mesmo assim, é importante lembrar que décadas de pesquisa ainda não conseguiram provar que essa tecnologia seja de fato viável, ou seja, capaz de produzir mais energia do que consome.
Apesar das dúvidas, a perspectiva de longo prazo foi suficiente para animar os investidores: logo após o anúncio, as ações da Trump Media dispararam 35%. Vale lembrar, porém, que a empresa, mesmo contando com a posição privilegiada do presidente, ainda registra perdas enormes e continua sem um modelo de negócio rentável.
Elon Musk, por sua vez, não vê a ideia com bons olhos. O homem mais rico do mundo, que costuma se posicionar a favor das energias renováveis, é bastante descrente em relação à fusão nuclear. Em uma manifestação recente sobre o tema, ele afirmou:
“É uma ideia completamente idiota construir minúsculos reatores de fusão na Terra. Parem de desperdiçar dinheiro com reatores insignificantes, a menos que admitam abertamente que eles servem apenas aos seus projetos científicos pessoais, caramba!”
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