Por ocasião de um evento europeu realizado em Hamburgo, a MOVA apresentou uma série de novidades que mostram a velocidade com que a jovem marca chinesa vem evoluindo. Entre robôs para piscina, soluções solares e televisores para uso externo, a fabricante reforça uma ambição cada vez mais ampla em torno da casa conectada e do estilo de vida.
“E isso continua, e continua...”
Em Hamburgo, fica difícil não lembrar de Francis Cabrel diante do ritmo das apresentações da MOVA nos últimos dois anos. Chegada à França em 2024 no segmento de robôs aspiradores com seu primeiro modelo, o E30 Ultra, a marca chinesa passou a se diversificar rapidamente, com o objetivo declarado de enfrentar nomes já consolidados como Roborock, Ecovacs e Dreame.
Um detalhe interessante é que a MOVA não surgiu do nada. A marca foi lançada pela Dreame, mas mantém certa autonomia, de forma parecida com o que a Xiaomi faz com a Poco no mercado de smartphones. Essa estrutura permite aproveitar uma base tecnológica já robusta, ao mesmo tempo em que adota uma postura mais agressiva em relação ao custo-benefício.
O resultado é um catálogo que cresce em velocidade impressionante. Robôs cortadores de grama, aspiradores que também passam pano, limpadores a vapor, robôs para limpeza de vidros... a MOVA amplia suas investidas no universo da casa conectada. A isso se somam agora produtos mais inesperados, como churrasqueiras, escovas de dente, máquinas de café, purificadores de ar, comedouros automáticos e até aparelhos de barbear.
A marca já ultrapassa claramente o simples universo dos equipamentos domésticos tradicionais e avança para territórios mais ligados ao estilo de vida, com uma ambição cada vez mais nítida: construir um ecossistema amplo e completo para manter seus usuários dentro da própria plataforma.
Para sustentar esse plano, a MOVA também precisará provar consistência fora das fichas técnicas. Em um mercado em que aplicativo, atualização de software, manutenção e pós-venda influenciam fortemente a satisfação do consumidor, a experiência de uso pode pesar tanto quanto a potência de sucção ou a autonomia da bateria.
Em 2026, a MOVA deu mais um passo e entrou, pela primeira vez, no segmento de robôs para limpeza de piscina, ao mesmo tempo em que revelou soluções solares e televisores para áreas externas. É uma diversificação em todas as direções, sem abandonar sua atividade histórica: os robôs aspiradores.
No local, na Alemanha, tivemos a oportunidade de pegar essas novidades em mãos e conhecê-las mais de perto. A seguir, um panorama completo.
Robôs aspiradores: a MOVA eleva ainda mais a ambição
Há cerca de três anos, todo primavera o mesmo ritual se repete. Os principais nomes do mercado apresentam suas novas gerações de robôs aspiradores. Ecovacs, Dreame e Roborock, por exemplo, já mostraram recentemente seus modelos mais novos.
A MOVA, naturalmente, não ficou de fora. Durante seu evento europeu de 2026, a marca chinesa apresentou dois novos modelos que devem ocupar o topo da linha: o V70 Ultra Complete e o Z70 Ultra Roller Complete. Trata-se de uma evolução gradual, iniciada nos últimos anos, inclusive com o E40 Ultra que testamos, um modelo convincente e mais acessível do que alguns concorrentes diretos.
O primeiro mira diretamente um dos pontos fracos históricos do setor: bordas e espaços estreitos. Para isso, a MOVA introduz o sistema MaxiReachX, com um esfregão capaz de se estender até 16 cm, combinado a uma escova lateral extensível de 12 cm. O conjunto ajuda a remover poeira em áreas até então pouco acessíveis, com passagens de até 3,8 cm de largura.
A isso se somam 40.000 Pa de potência de sucção, bateria de 6.400 mAh, transposição de obstáculos de até 9 cm e mais de 300 capacidades de reconhecimento de objetos para otimizar as rotas. A MOVA também destaca o sistema EcoCyclone de coleta sem saco, capaz de oferecer até 100 dias de uso sem intervenção.
Já o Z70 Ultra Roller Complete foca mais na qualidade da lavagem. O robô adota um sistema de rolo alimentado por água limpa sob pressão, projetado para evitar o principal defeito dos modelos tradicionais: o contato repetido com um esfregão cada vez mais sujo.
O Z70 também melhora a cobertura das bordas graças à dupla extensão da escova e do esfregão. A MOVA ainda anuncia 30% mais autonomia, 36.000 Pa de sucção e transposição de obstáculos de até 9 cm.
Com esses dois modelos, a MOVA ataca diretamente os pontos mais criticados dos robôs aspiradores: cantos, bordas e consistência da limpeza. Depois de chamar atenção na IFA 2025 com o protótipo Zeus 60, capaz de subir escadas, a marca volta aqui a usos mais cotidianos, refinando pontos decisivos como cantos, bordas e uniformidade da lavagem.
A boa notícia para quem acompanha a marca é que ela não se limita a esses dois aparelhos. No palco, a MOVA mostrou uma linha bem mais ampla, com modelos como o S70 Ultra Roller e o P70 Pro Ultra, posicionados em faixas mais acessíveis.
Resumo das datas de lançamento e das possíveis ofertas de estreia:
- V70 Ultra Complete: € 1.399, lançamento em 30 de maio de 2026.
- Z70 Ultra Roller Complete: € 1.399, lançamento em 23 de junho de 2026.
- S70 Ultra Roller: € 999, lançamento em 3 de junho de 2026, com desconto de cerca de € 150 (datas não informadas).
- P70 Pro Ultra: € 699, pré-venda de 29 de abril a 12 de maio, com desconto de € 100.
MOVA entra de vez na água com seu primeiro robô de piscina
Se o mercado de robôs cortadores de grama está em plena expansão há dois anos, o de robôs para piscina também não fica atrás. Em 2025, a Dreame lançou seu primeiro modelo com o Z1 Pro, enquanto a Ecovacs oficializou, no início de 2026, o Ultramarine P1 por € 549.
Nesse cenário, a MOVA também decidiu entrar na água com o Rover X10, em um mercado ainda em formação, mas com um posicionamento de preço bastante ousado. O robô foi anunciado por € 2.499. É verdade que uma oferta de lançamento entre 14 e 27 de abril permitirá comprá-lo por € 2.099, mas o valor continua alto.
Mesmo assim, ao olhar a ficha técnica, esse posicionamento fica mais fácil de entender. Para a primeira investida no segmento, a marca não economizou recursos. O Rover X10 adota uma abordagem chamada de “7 em 1”. Em outras palavras, ele consegue cobrir toda a piscina, da superfície ao fundo, passando pelas paredes, pela linha d’água e também pelos degraus.
No plano técnico, a MOVA destaca uma capacidade de sucção de 38.000 litros por hora, combinada com mapeamento 360° AquaScan e um sistema inteligente de navegação PoolNav, pensado para otimizar as trajetórias mesmo em ambientes complexos. O robô também conta com quatro motores de propulsão a jato, desenhados para garantir maior estabilidade, especialmente em paredes e áreas inclinadas.
Outro ponto enfatizado é a autonomia, com até seis horas de funcionamento contínuo com uma única carga, o suficiente para cobrir piscinas de até 500 m² sem necessidade de intervenção. No uso cotidiano, a MOVA fala em retirada simplificada graças a um sistema de estacionamento inteligente ao fim do ciclo, normalmente próximo a uma borda, para facilitar a remoção manual da água.
MOVA entra no mercado solar para disputar espaço com Tesla e Huawei
Essa ninguém esperava. Com o LumeGret, a MOVA passa a atuar em um campo extremamente estratégico: o da energia. Aqui, não se trata exatamente de painéis solares, mas de sistemas residenciais de armazenamento. Ou seja, baterias domésticas inteligentes capazes de guardar a energia produzida por uma instalação solar. Se o tema lhe interessa, vale conferir também um comparativo dos melhores painéis solares de instalação simplificada.
Sim, o armazenamento residencial ainda é um mercado de nicho na França. Pelo menos, ele é menos desenvolvido do que em alguns países vizinhos da Europa. Isso acontece, em parte, porque o preço da eletricidade por lá ainda é mais contido. No começo de 2026, o kWh girava em torno de € 0,19 a € 0,21 na França, contra cerca de € 0,38 na Alemanha ou mais de € 0,35 na Bélgica. Ainda assim, o segmento avança, impulsionado pela autoconsumo e, em alguns casos, por um retorno sobre o investimento que pode se tornar interessante para casas maiores, apesar do custo inicial elevado.
Com o LumeGret, a MOVA anuncia dois modelos, os A2000 e A4000, capazes de armazenar entre 1,92 e 20 kWh, dependendo da configuração. A fabricante destaca uma instalação simples, prometida para 30 minutos e sem a necessidade de eletricista, além da otimização do autoconsumo por meio do sistema LumeGret Orbit. A ficha técnica também menciona potência fotovoltaica de até 3.600 W e recarga de veículo elétrico de até 3,6 kW.
No papel, o posicionamento é bastante claro: disputar o mercado de baterias domésticas com nomes como o Tesla Powerwall 3 ou a linha Huawei LUNA2000, prometendo ao mesmo tempo acesso mais simples, instalação mais leve e gestão automatizada de energia.
A MOVA ainda não divulgou os preços, um dado fundamental para medir a rapidez do retorno financeiro. O LumeGret deve chegar por aqui a partir de junho do próximo ano.
MOVA aposta em TVs de área externa
Depois da energia, a MOVA investe em outro mercado de nicho: os televisores para uso ao ar livre. É um segmento ainda pouco desenvolvido, dominado por poucos nomes, como o Samsung The Terrace, ou, em menor escala, pela LG com suas soluções de exibição para ambientes externos. Trata-se de um mercado que evolui lentamente e que recebeu pouquíssimos produtos novos nos últimos anos.
A ideia é simples, mas difícil de executar: oferecer um televisor capaz de funcionar em áreas externas, com boa leitura sob luz do dia e resistência à umidade e a respingos, sem sacrificar a qualidade da imagem. São produtos pensados para usos específicos, como varandas abertas ou parcialmente cobertas, jardins de inverno ou áreas próximas a piscinas.
A MOVA destaca a certificação IP55, que protege contra poeira e respingos. Isso permite encarar o uso externo no dia a dia, embora sem pretender exposição prolongada a sol forte de 35 °C ou a chuvas intensas. É algo óbvio, mas vale reforçar.
Em relação às especificações, a MOVA detalha melhor sua proposta com o VistaBright M1, disponível em 55 e 65 polegadas. As telas anunciam brilho de 1.500 nits, nível adequado para ambientes sombreados ou parcialmente expostos, acompanhado de painel 4K UHD compatível com HDR. O conjunto roda com webOS Hub, uma plataforma já usada em alguns televisores de outras marcas, como a Hisense.
Produtos pouco convencionais, mas que podem encontrar seu público com a aproximação da próxima Copa do Mundo no continente norte-americano. Ainda mais porque, segundo uma conversa com um gerente de produto da própria MOVA, esse tipo de equipamento mira прежде de tudo mercados como os Estados Unidos ou algumas regiões da América do Sul, onde o uso ao ar livre e as condições climáticas favorecem mais esse tipo de produto.
Em contrapartida, na Europa, onde o clima costuma ser mais instável e menos previsível, a adoção pode continuar bem mais restrita. Resta uma incógnita importante: o lançamento, já que ainda não há preço nem cronograma divulgados.
Em produtos pensados para o lado de fora da casa, a experiência não depende apenas da tela. Proteção, conectividade e facilidade de instalação precisam andar juntas para que o consumidor realmente adote esse tipo de equipamento no dia a dia, e não apenas em ocasiões especiais.
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