Os bloqueios estão se tornando cada vez mais abrangentes e difíceis de driblar.
No passado, as medidas contra sites piratas costumavam ser aplicadas apenas aos provedores de acesso à internet (ISPs) na França. Isso permitia que os usuários os contornassem com facilidade por meio de VPNs ou servidores DNS.
Como observou o TorrentFreak, esse cenário mudou desde 2024: o Tribunal de Paris passou a estender o alcance dessas decisões a outros prestadores de serviço, incluindo provedores de VPN e servidores DNS.
Na prática, isso desloca o foco das autoridades de apenas “fechar a porta” do site para também bloquear os caminhos usados para acessá-lo. Com isso, a repressão deixa de mirar somente o endereço principal e passa a atingir parte da infraestrutura técnica que sustenta o acesso a esses serviços.
Bloqueio de sites piratas: VPN, DNS e intermediários entram na mira
O site especializado cita como exemplo uma sentença de 18 de março, na qual o juiz proferiu sete decisões simultâneas e incluiu diversos intermediários on-line. Os processos envolvem principalmente a LaLiga, a liga espanhola de futebol, e buscam bloquear 35 domínios de sites de streaming esportivo. Vários deles chegam a registrar apenas algumas dezenas de visitas por mês.
Essas ordens, emitidas no mesmo dia, atingem 19 ISPs franceses, três resolvedores DNS, um provedor de CDN e quatro serviços de VPN. O objetivo é cobrir a maior parte dos métodos de contorno mais comuns. As decisões valem até 21 de junho de 2026 e têm caráter evolutivo. Em outras palavras, novos domínios podem ser adicionados depois sem que seja necessário voltar ao Judiciário; basta que a ARCOM aprove os novos bloqueios.
No detalhamento da ordem, os ISPs citados são Orange, SFR, Bouygues Telecom e Free. No caso dos DNS alternativos, Google, Cloudflare e Quad9 foram chamados a agir. Já entre os serviços de VPN mencionados estão ProtonVPN, CyberGhost e ExpressVPN.
Outro efeito desse tipo de decisão é acelerar a troca de endereços por parte dos operadores desses sites. Quando um domínio passa a ser bloqueado, é comum que surjam espelhos, subdomínios ou novos endereços para manter o acesso funcionando, o que torna o acompanhamento judicial e técnico uma tarefa contínua.
Aqui está a lista dos domínios que serão bloqueados:
- daddylive.dad
- daddylive2.top
- daddylivehd.world
- daddyliveru.top
- rojadirecta.at
- rojadirectaenvivo.me
- rojadirectaenvivo.sx
- la12hd.com
- jalaace2.cc
- jalaliveace3.cc
- stream196tp.com
- hoca4u.xyz
- bfpc.jllivetx.cc
- bienkoora.live
- kora-live.im
- yalla1shoot.com
- camel1.live
- yacine-tv.com
- ppv.to
- live-match-tv.net
- librefutboltv.su
- yallashooot.video
- tv.tflix.app
- hesgoal.im
- rojadirecta-tv.net
- directfr.sbs
- koora-live.net
- live.sia-live.live
- s3.stream-on.live
- yacine-tv.watch
- ar.kora-top.space
- envivolibre.com
- pl.yalashoot.xyz
- tflix.live
- ballcontrol.click
Nossa avaliação
É inegável que a pressão sobre esses portais piratas na França vem aumentando, ao mesmo tempo em que a Justiça intensifica a cobrança sobre intermediários como VPNs e DNS. Ainda assim, fica a dúvida se essa estratégia será suficiente para conter o fenômeno.
Isso porque o consumo de transmissões esportivas tem migrado cada vez mais para IPTVs ilegais, que já somariam vários milhões de clientes no país. Enquanto a oferta seguir encontrando demanda e os endereços puderem ser replicados com rapidez, os bloqueios tendem a funcionar mais como barreira temporária do que como solução definitiva.
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