Com o Flexrotor, uma aeronave compacta capaz de decolar a partir de terra firme ou do mar, a Airbus passará a executar missões operacionais de monitoramento dos oceanos na Europa. Na prática, a iniciativa deve fortalecer de forma significativa a atuação das guardas-costeiras europeias.
A fabricante aeroespacial europeia foi escolhida pela Agência Europeia para a Segurança Marítima (EMSA) no âmbito de um acordo-quadro de 30 milhões de euros para a prestação de serviços com drones. O objetivo é ampliar as capacidades de vigilância marítima colocadas à disposição dos Estados-membros da União Europeia.
Com sede em Lisboa, a EMSA tem papel decisivo na proteção dos mares europeus, sobretudo ao ajudar a reduzir riscos de acidentes no mar, de poluição provocada por navios e de perda de vidas humanas. Para isso, a agência vem recorrendo cada vez mais a aeronaves não tripuladas para dar suporte às guardas-costeiras nacionais.
O contrato concedido à Airbus prevê o uso do Flexrotor, um drone de decolagem e pouso verticais que passou a integrar o portfólio da empresa após a compra da Aerovel, em 2024. Trata-se da primeira entrada em operação desse sistema na Europa.
Flexrotor e vigilância marítima na Europa
Projetado para missões de monitoramento no ambiente marítimo, o equipamento se destaca pelo tamanho reduzido e pela elevada autonomia. Com peso máximo de decolagem de 25 kg, ele também pode ser lançado tanto de terra quanto do mar. Além disso, o Flexrotor precisa apenas de uma área de 3,7 metros por 3,7 metros para operar, o que o torna especialmente adequado para missões que exigem estrutura logística enxuta.
A plataforma conta com sensores eletro-ópticos e infravermelhos, além de radares, o que permite captar imagens durante o dia e à noite, independentemente das condições climáticas. Os dados obtidos serão enviados em tempo real ao centro de dados de aeronaves remotamente pilotadas da EMSA. Isso permitirá que as autoridades dos Estados-membros, bem como Islândia e Noruega, acompanhem os voos ao vivo e utilizem as informações nas suas operações.
Essas capacidades devem apoiar diferentes tipos de missão: busca e resgate no mar, fiscalização da pesca, monitoramento ambiental e também identificação de atividades marítimas ilegais. O Flexrotor poderá ser empregado ao mesmo tempo em duas operações distintas, a partir de qualquer país participante, com possibilidade de incluir missões adicionais em paralelo, caso necessário.
O contrato inicial foi firmado por dois anos, com a possibilidade de duas extensões opcionais de um ano cada, o que pode elevar a duração total para até quatro anos. O início das operações está previsto para 2026.
Esse tipo de solução reforça uma tendência mais ampla na segurança marítima europeia: o uso de drones para ampliar a cobertura de vigilância sem depender exclusivamente de navios ou helicópteros. Além de aumentar a capacidade de resposta, esse modelo tende a oferecer maior flexibilidade operacional em áreas extensas e de difícil acesso.
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