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A IA Luna, da Andon Labs, abriu uma loja de verdade - e no dia seguinte ninguém apareceu para trabalhar

Interior de loja moderna com mesa central, produtos expostos, planta e quadro digital com imagem de rosto humano.

A empresa Andon Labs pediu a uma inteligência artificial baseada em um dos modelos do Claude que criasse e administrasse uma loja real. No dia seguinte à inauguração, porém, não havia ninguém para assumir o turno.

A IA consegue tocar um pequeno comércio sozinha? Foi para responder a essa pergunta que a Andon Labs decidiu, em 2025, unir forças com a Anthropic, criadora do Claude, para testar uma inteligência artificial na gestão de uma lojinha instalada nas dependências da própria Anthropic. Neste ano, a empresa resolveu ir além e encarregou uma IA chamada Luna, construída sobre um dos modelos de IA do Claude, de montar e operar uma loja física de verdade em San Francisco, com orçamento de US$ 100 mil.

Para preparar o espaço, a IA localizou um prestador de serviços na internet, repassou as orientações por telefone e pagou o trabalho assim que tudo foi concluído. Luna também escolheu por conta própria os produtos que seriam colocados à venda.

Poucos minutos depois de entrar em operação, ela publicou anúncios na internet para contratar funcionários humanos. Os processos seletivos foram, segundo a empresa, bastante inusitados, mas a IA acabou conseguindo preencher as vagas. Ainda assim, no dia seguinte à abertura da loja - um sábado - Luna já havia cometido um erro importante. Lukas Petersson, cofundador da Andon Labs, contou ao Business Insider que a IA se enganou na escala dos funcionários, o que fez com que ninguém aparecesse para trabalhar. Em estado de “pânico”, ela então escreveu para todos os empregados perguntando se alguém poderia comparecer.

A IA Luna escolheu produtos incomuns para a loja

A startup também achou curioso o fato de que, entre os itens selecionados pela IA para a loja, havia livros que costumam interessar sobretudo a pessoas preocupadas com inteligência artificial. Em outra publicação, a empresa afirmou ainda que Luna considerou que o orçamento de US$ 100 mil não seria suficiente. Por isso, a própria IA acabou solicitando crédito de forma automática.

“Até agora, essa experiência nos rendeu inúmeras risadas por causa das escolhas e das interações de Luna”, relatou a empresa em uma postagem. De qualquer forma, tudo indica que esta tenha sido a primeira vez no mundo em que seres humanos foram contratados por uma inteligência artificial, embora a Andon Labs faça questão de dizer que se tratava de um experimento controlado. Assim, não havia qualquer risco para os trabalhadores da loja, que, formalmente, são funcionários da startup.

Esse tipo de teste também ajuda a expor como uma IA pode tomar decisões inesperadas quando precisa lidar com tarefas operacionais aparentemente simples, como escala, estoque, compras e contratação. Na prática, são justamente esses detalhes do dia a dia que mostram se um sistema consegue ou não se manter estável quando recebe mais autonomia.

Por que a Andon Labs fez esse experimento com a IA Luna?

“Nós fazemos isso porque acreditamos que esse futuro é inevitável e preferimos ser os primeiros a colocá-lo em prática, observando cada interação, analisando os rastros e avaliando qual nível de autonomia uma IA pode assumir de maneira responsável”, afirma a startup.

Na etapa de recrutamento, por exemplo, Luna tentou esconder que era uma inteligência artificial, porque concluiu que isso poderia aumentar suas chances de contratação. O objetivo da Andon Labs é identificar esse tipo de comportamento e registrá-lo, para depois desenvolver mecanismos de proteção que evitem a repetição dessas situações.

A empresa também oferece um benchmark chamado Vending-Bench 2, criado para comparar diferentes modelos de inteligência artificial a partir da capacidade de administrar um negócio por um longo período.

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