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Amazon cria taxa extra de combustível nas entregas

Homem entregador com uniforme azul segura caixa e celular ao lado de van branca em posto de gasolina.

Para tentar compensar a disparada no preço da gasolina, a Amazon anunciou uma nova cobrança ligada ao combustível para suas entregas. Por enquanto, o aumento vale apenas para Estados Unidos e Canadá, mas a empresa já admite que a medida pode acabar chegando também à Europa.

A alta da gasolina pressiona a logística da Amazon

A guerra no Oriente Médio e o bloqueio do estreito de Ormuz já estão produzindo efeitos concretos no dia a dia de consumidores do Ocidente. O impacto mais imediato, e também o mais pesado para o bolso, é a forte alta no preço da gasolina. A Europa sente isso com força, assim como os Estados Unidos. Diante desse cenário, a Amazon resolveu criar uma taxa adicional para reduzir parte das perdas.

Essa cobrança extra será de 3,5% sobre compras feitas com vendedores terceiros. Em média, isso representa cerca de 17 centavos de dólar por item, mas a própria Amazon ressalta que o valor pode aumentar conforme o tamanho do pacote comprado. O acréscimo não altera o preço do produto em si, e sim apenas os custos de envio.

“A alta dos custos com combustível e logística elevou as despesas operacionais em todo o setor. Até agora, absorvemos esses custos extras. (...) A partir de 17 de abril de 2026, será aplicada uma taxa extra de 3,5% relacionada a combustível e logística sobre as taxas de processamento de pedidos efetuados pela Amazon (FBA) nos Estados Unidos e no Canadá, além das remessas de longa distância via FBA dos Estados Unidos para o Canadá, o México e o Brasil. A partir de 2 de maio de 2026, essa cobrança também passará a valer para pedidos ‘Comprar com Prime’ nos Estados Unidos e para as remessas multicanal (MCF) nos Estados Unidos e no Canadá. Graças aos esforços conjuntos para reduzir custos, essa taxa extra é bem menor do que a aplicada pelos outros grandes transportadores.”

A nova taxa da Amazon deve chegar à Europa?

A cobrança atinge os produtos enviados pelo programa FBA, sigla para o sistema de logística da Amazon usado por vendedores terceiros que mandam seus itens para os centros de distribuição da empresa e depois têm esses produtos reenviados aos compradores. Esse modelo é adotado por mais de 80% desses vendedores, justamente por facilitar o armazenamento, o despacho e a entrega.

Como essas operações geram despesas relevantes com combustível, a Amazon afirma que já não consegue continuar arcando sozinha com esse peso no contexto econômico atual. Na prática, isso também pode levar alguns vendedores a reajustar seus preços para preservar a margem de lucro.

Até o momento, a medida vale apenas para os Estados Unidos e o Canadá. Ainda assim, existe o receio de que a Europa passe a enfrentar um tratamento parecido. O continente já vê os custos de combustível subirem, e a possibilidade de desabastecimento está no radar, embora as autoridades tentem transmitir tranquilidade. No comércio eletrônico, qualquer aumento desse tipo pesa ainda mais porque as entregas naturalmente consomem mais recursos.

Para o consumidor, a consequência pode aparecer de forma indireta: preços menos competitivos, frete mais caro em determinados produtos e promoções menos vantajosas na etapa final da compra. Em períodos de combustível caro, pequenas mudanças nas taxas de entrega costumam se espalhar rapidamente pela cadeia e acabam chegando ao valor pago no carrinho.

Um detalhe importante é que a própria Amazon diz tratar essa taxa como provisória. Mesmo assim, não seria surpresa se uma cobrança criada como temporária acabasse se prolongando caso os custos de combustível e de transporte continuem pressionados.

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