Na França, uma nova lei passou a aliviar de forma perceptível as tarifas bancárias cobradas após uma morte. O pano de fundo são custos às vezes bastante altos que os bancos vinham exigindo para lidar com contas de espólio - inclusive em casos trágicos com saldos pequenos. A reforma atua justamente nesse ponto e define quando as instituições ainda podem cobrar taxas e qual pode ser o valor máximo.
O que vinha dando errado: taxas altas em momentos de luto
Quem perde uma pessoa próxima precisa enfrentar, além do sofrimento emocional, uma montanha de formulários, agendamentos e comprovantes. Um dos pontos que mais gerava revolta era justamente a cobrança para tratar das contas da pessoa falecida.
Na França, os bancos não raramente cobravam valores de três dígitos apenas para encerrar uma conta ou liberar recursos aos herdeiros. Um caso especialmente chocante veio à tona em 2021: pais precisaram pagar 138 euros para encerrar a caderneta de poupança do filho de oito anos, que havia morrido. O saldo era pequeno - a taxa não tinha relação plausível com o trabalho envolvido.
A nova regra responde a anos de críticas às tarifas bancárias excessivas em casos de herança - sobretudo nas situações simples e objetivas.
Entidades de defesa do consumidor, parlamentares e pessoas afetadas passaram a denunciar repetidamente que os bancos cobravam pesado justamente nos momentos de maior vulnerabilidade. Depois de uma longa disputa política, entrou em vigor agora um freio legal.
O que a nova regra determina na prática
Desde o começo de maio de 2025, valem novas regras na França. O núcleo da reforma é este: em determinados espólios, os bancos deixam de poder cobrar taxas ou passam a ter cobrança limitada.
Isenção para falecidos menores de idade
A mudança é especialmente clara no caso de crianças e adolescentes. Se um menor de idade morre, os bancos não podem mais cobrar as chamadas taxas de espólio para encerrar suas contas. Isso inclui, por exemplo:
- cadernetas de poupança e contas poupança tradicionais
- contas correntes
- pequenas contas remuneradas ou contas jovens
Assim, pais que já enfrentam uma perda devastadora recebem ao menos algum alívio financeiro. O caso de 2021 serviu como exemplo negativo e como gatilho para essa regra objetiva.
Dispensa de cobrança para espólios simples de até 5.910 euros
O segundo grande pilar diz respeito às chamadas sucessões simples. Fala-se em situação simples quando o patrimônio do falecido em um banco não ultrapassa um teto definido. Esse limite agora está fixado em 5.910 euros.
Se a soma dos valores ficar abaixo desse patamar, o banco não pode cobrar taxas especiais para tratar da conta do espólio. Isso vale principalmente para casos em que:
- existe apenas uma ou duas contas simples,
- não há empréstimos em aberto na mesma instituição,
- não há estruturas empresariais complexas nem participações societárias envolvidas.
Para menores de idade e espólios pequenos de até 5.910 euros, as tarifas bancárias para a administração da herança são totalmente eliminadas.
Sobretudo idosos com patrimônio reduzido, que mantêm apenas uma conta simples, passam a estar protegidos por essas novas regras.
Quando os bancos ainda podem cobrar taxas
A reforma não elimina toda e qualquer fonte de receita para as instituições. Em situações mais complexas, os bancos continuam autorizados a cobrar taxas de espólio, mas precisam respeitar limites claros.
Sucessão complexa com financiamento imobiliário ou conta empresarial
São consideradas mais trabalhosas, прежде de tudo, as situações em que há contratos e obrigações adicionais envolvidos. Isso inclui, por exemplo:
- financiamentos imobiliários ainda ativos em nome da pessoa falecida,
- contas empresariais ou contas de trabalhador autônomo,
- várias contas com produtos diferentes, como carteiras de títulos, planos de investimento periódico e empréstimos,
- patrimônios maiores, nos quais são necessários documentos extensos e coordenação com herdeiros e notários.
Nesses cenários, os bancos alegam um volume administrativo muito maior: conferência de documentos, comunicação com vários herdeiros, alinhamento com o cartório notarial e, se necessário, com as autoridades fiscais.
Limite: quanto ainda pode custar a cobrança de espólio?
Mesmo onde os bancos ainda podem cobrar, as novas regras estabelecem um teto claro. As tarifas para administrar contas de espólio só podem representar uma fração do patrimônio.
| Tipo de sucessão | Regra de cobrança |
|---|---|
| Falecido menor de idade | 0 % – nenhuma taxa de espólio permitida |
| Sucessão simples até 5.910 € | 0 % – nenhuma taxa de espólio permitida |
| Sucessão complexa acima de 5.910 € | No máximo 1 % do saldo, além de limitada por um teto legal |
A mensagem política por trás disso é direta: os bancos não devem mais tratar os familiares enlutados como fonte de receita em situações excepcionais, mas como clientes cujo vínculo de confiança precisa ser preservado.
A administração de um espólio poderá custar, no máximo, 1 % do saldo administrado - e isso somente nos casos complicados.
Um decreto complementar fixa para a França um valor máximo absoluto que os bancos não podem ultrapassar em hipótese alguma. Com isso, desaparecem as tarifas fixas muito altas que, em alguns casos isolados, eram cobradas antes.
O que os herdeiros devem observar
Quem estiver tratando de uma herança na França precisa conhecer esses novos direitos e perguntar de forma objetiva ao banco. Vale se preparar antes do atendimento:
- conferir o saldo e os tipos de produtos da pessoa falecida,
- estimar se o patrimônio fica abaixo ou acima de 5.910 euros,
- reunir documentos sobre possíveis empréstimos ou contas empresariais,
- pedir já na primeira conversa a forma exata de cálculo das tarifas.
Se o banco cobrar valores sem explicação convincente ou claramente acima do limite de 1 %, os familiares podem recorrer a entidades de defesa do consumidor ou ao órgão regulador competente.
O que isso ensina para o espaço de língua alemã
Na Alemanha, na Áustria e na Suíça, os familiares enlutados também reclamam com frequência de cobranças ligadas à morte de um parente - como encerramento de contas, comprovação de herança ou transferência de carteiras de investimento. A legislação varia conforme o país e, em parte, conforme a instituição; uma limitação legal tão clara quanto a francesa ainda não existe, na maioria dos casos.
Mesmo assim, a evolução na França pode servir de sinal. Por um lado, cresce a pressão política para proteger melhor as pessoas em situações excepcionais. Por outro, aumenta a exigência por tarifas bancárias transparentes e justas. Quem quer planejar a própria situação com antecedência pode, ainda em vida:
- formalizar uma procuração clara para pessoas de confiança,
- manter a estrutura de contas e contratos o mais organizada possível,
- consultar o banco sobre as regras atuais para taxas de espólio,
- questionar com espírito crítico cobranças fixas excessivamente altas antes que o problema apareça.
Por que regras claras ajudam a construir confiança
Os bancos assumem um papel central quando ocorre uma morte: congelam contas, analisam documentos, liberam os saldos e dão continuidade ou encerram contratos. Sem confiança em condições justas, os herdeiros tendem a adotar uma postura defensiva e a evitar o contato, embora precisem de apoio.
Limites transparentes, como os adotados na França, ajudam a reduzir tensões. Os familiares sabem melhor o que esperar, e os bancos evitam danos à reputação causados por manchetes sobre taxas de espólio completamente abusivas. Os dois lados saem ganhando quando as regras são claras e, em momentos de forte carga emocional, não surge ainda a sensação de estar sendo explorado.
Para cidadãos do espaço de língua alemã, vale a pena observar com atenção as próprias condições de conta e de contrato. Quanto mais cedo a pessoa envolvida e seus familiares conhecerem seu status, mais fácil será evitar disputas quando a situação realmente acontecer.
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