Pular para o conteúdo

Justiça rejeita pedido de suspensão da Shein após polêmica com produtos proibidos

Mulher trabalhando em laptop com caixas, documento, marca-texto e martelo de juiz sobre mesa de madeira.

A Justiça francesa não acolheu o pedido do governo para interromper as atividades da Shein por três meses.

Shein e a decisão do Tribunal Judiciário de Paris

Lembre-se de que, após a descoberta de itens como bonecas sexuais com aparência de crianças, armas de categoria A e até medicamentos proibidos, o governo francês deu início a um procedimento para suspender a plataforma Shein por três meses.

Nesta sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, o Tribunal Judiciário de Paris decidiu não atender à solicitação do Estado. Segundo o que foi pedido pelas autoridades, ao menos seria necessário que o serviço asiático mantivesse suspensa sua área de vendas operada por terceiros - espécie de vitrine comercial dentro da plataforma -, além de interromper todas as vendas fora da categoria de vestuário, relembra o Ouest-France.

O governo fundamentou a ação no artigo 6-3 da lei sobre confiança na economia digital, que autoriza o tribunal a determinar medidas capazes de prevenir ou cessar um prejuízo provocado por conteúdo publicado na internet. A Shein, por sua vez, afirmou ser alvo de uma campanha política e midiática de difamação. Ainda assim, a empresa já sentiu o impacto da crise: de acordo com o Le Parisien, as vendas caíram 45% em novembro na comparação com outubro.

Governo quer taxar pequenas encomendas da Shein e da Temu

O caso, no entanto, está longe de acabar. O governo francês se prepara para criar uma taxa de 2 euros sobre pequenas encomendas com valor inferior a 150 euros importadas para o território europeu, dentro da proposta orçamentária de 2026. A medida deve atingir diretamente empresas como Shein e Temu.

Além disso, a França quer implantar uma cobrança fixa de 3 euros para esse tipo de pedido e também reforçar a fiscalização alfandegária, considerada hoje insuficiente pelas autoridades. Na prática, a intenção é apertar o cerco contra o fluxo de mercadorias de baixo valor que entram no mercado europeu sem controle adequado.

A discussão também expõe um problema mais amplo: a responsabilidade das plataformas digitais na oferta de produtos irregulares. Em casos como esse, a rapidez com que anúncios e vendedores podem ser inseridos ou removidos torna o monitoramento mais difícil, o que alimenta o debate sobre o quanto esses serviços devem responder pelo que é comercializado em seus ambientes.

A Shein vem acumulando controvérsias na França. Quando abriu sua primeira loja física em Paris, no BHV, manifestantes foram às ruas para protestar contra a novidade. A reação também chegou ao varejo: várias marcas decidiram deixar o local em sinal de contestação.

A empresa ainda recebe críticas de observadores que a consideram prejudicial ao meio ambiente. Ao mesmo tempo, pequenos comerciantes e o setor têxtil temem que a avalanche de artigos fabricados na China destrua suas vendas e agrave a pressão sobre um mercado já bastante disputado.

No centro dessa disputa está uma questão que vai muito além de uma única marca: como equilibrar preço baixo, fiscalização, concorrência leal e proteção ao consumidor em um comércio eletrônico cada vez mais dominado por grandes plataformas. O desfecho desse embate pode influenciar não só a Shein, mas também todo o setor de importações de baixo valor na Europa.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário