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Cientistas finlandeses mostraram que o sono ativa um complexo sistema de "limpeza do cérebro".

Pessoa dormindo com ilustração digital do cérebro sobreposta, monitor cardíaco ao fundo.

Com a MRE ultrarrápida e novos métodos de rastreamento de fluidos, pesquisadores observaram um aumento nos fluxos de água e eletrólitos que intensifica a eliminação de resíduos do cérebro durante o sono

Um estudo recente conduzido por cientistas finlandeses da Universidade de Oulu mostrou que o processo de “limpeza” do cérebro enquanto dormimos é muito mais complexo e ativo do que se imaginava. Com uma nova técnica de ressonância magnética, os pesquisadores conseguiram acompanhar em tempo real o deslocamento das moléculas de água no líquido cerebral.

A equipe constatou que, durante o sono, as pulsões das paredes dos vasos sanguíneos do cérebro, assim como os ritmos da respiração e do fluxo sanguíneo, se aceleram. Isso favorece uma filtração mais eficiente da água nos tecidos cerebrais. Além disso, o fluxo de eletrólitos, como sódio e potássio, também se intensifica, ajudando o cérebro a eliminar os “resíduos” acumulados ao longo do dia.

O professor Vesa Kiviniemi, líder da pesquisa, afirmou que o novo método pode ser útil no monitoramento e no tratamento de doenças neurodegenerativas e de alterações cognitivas. “Novos métodos de medição abrem possibilidades para observar e, potencialmente, tratar mudanças relacionadas à idade na dinâmica do líquido cerebral”, disse ele.

Antes, o rastreamento do movimento de fluidos no cérebro dependia de meios de contraste com gadolínio. No entanto, a equipe de Kiviniemi desenvolveu uma abordagem menos invasiva, que combina a MRE ultrarrápida - MREG, eletroencefalografia de corrente contínua (DC-EEG) e espectroscopia infravermelha. Esses recursos permitiram acompanhar as pulsações e as oscilações elétricas no cérebro.

No primeiro estudo, publicado em fevereiro, os pesquisadores testaram a técnica MREG em 22 voluntários, tanto em vigília quanto durante o sono. No segundo estudo, divulgado em março, eles aplicaram o mesmo método para monitorar os fluxos de fluido e a atividade elétrica cerebral em 24 voluntários.

Os pesquisadores observaram que, durante o sono, o fluxo de sangue direcionado aos neurônios, típico do estado de vigília, torna-se mais bidirecional. Isso é particularmente evidente em áreas do cérebro ligadas às funções sensoriais e cognitivas, como a ínsula posterior (região cerebral que forma a percepção do estado do corpo), o tálamo e a parte superior do cerebelo.

As pulsões dos vasos sanguíneos geram ondas no líquido cefalorraquidiano com frequência de cerca de 0,1 Hz (uma onda a cada 10 segundos). Segundo os cientistas, essas ondas são reforçadas pela liberação de íons de potássio e sódio, que, no estado de sono, favorecem processos osmóticos no fluido.

A equipe pretende dar continuidade aos estudos, acompanhando voluntários ao longo de toda a noite, para compreender melhor de que forma os processos identificados afetam o cérebro.

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