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Foram encontrados vestígios de uma antiga tempestade de areia de 3,6 bilhões de anos em Marte pela primeira vez.

Astronauta em traje branco analisa rochas em formação arenosa avermelhada no deserto.

Estruturas estratificadas únicas em Marte indicam ação prolongada do vento e mostram que a atmosfera do planeta já foi muito mais densa

O veículo explorador Curiosity encontrou indícios de uma tempestade de areia em Marte ocorrida há cerca de 3,6 bilhões de anos. Esta é a primeira vez que uma tempestade desse tipo é registrada em uma camada estratigráfica do planeta, ou seja, em um estrato de rocha sedimentar.

No passado, o vento já soprava em Marte - e ainda sopra hoje. Elementos da superfície, como leitos de rios secos, já sugeriam que a atmosfera marciana um dia foi muito mais espessa, a ponto de erguer partículas maiores de poeira e areia. Os novos depósitos arenosos acrescentam mais uma prova de que Marte teve, em outra época, uma atmosfera densa parecida com a da Terra.

"Fico completamente impressionado com a ideia de que, em uma terça-feira qualquer, cerca de 3,6 bilhões de anos atrás, uma tempestade de areia tenha atravessado a cratera Gale. E temos evidências físicas disso", disse Stephen Banham, geólogo planetário do Imperial College de Londres e autor principal do estudo.

O veículo explorador Curiosity, que examina a superfície de Marte há quase 14 anos, identificou formações incomuns nas proximidades da área montanhosa de Texoli. A equipe científica que acompanhava o robô decidiu investigar esses sinais com as câmeras MASTCAM.

"Não estávamos procurando esses depósitos, mas acabamos encontrando-os simplesmente ao virar para olhar. Tivemos sorte de, naquele momento, estarem de plantão justamente as pessoas capazes de reconhecê-los", observou Banham.

Os cientistas observaram ondulações nas rochas que nunca tinham sido vistas antes em Marte. Esse tipo de formação surge quando o vento sopra por muito tempo, deslocando grandes volumes de areia. Estruturas assim são raras até mesmo na Terra; um exemplo é o arenito Navajo, no Parque Nacional de Zion.

Essas descobertas acrescentam novas evidências de que as condições atmosféricas em Marte já foram muito mais parecidas com as da Terra. Os pesquisadores esperam que, no futuro, seja possível encontrar provas ainda mais convincentes, como marcas de chuva.

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