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A startup Portal Space levantou US$50 milhões para desenvolver motores que mudam a órbita de satélites em poucas horas.

Jovem estudante trabalha em modelo espacial com ferramentas em mesa de laboratório de tecnologia.

As manobras da Portal Space Systems, que hoje levam semanas, podem cair para dias

A Portal Space Systems, startup fundada em 2021, anunciou a captação de US$ 50 milhões em uma rodada Série A, o que elevou a avaliação da empresa para US$ 250 milhões. Esse aporte se soma aos US$ 17,5 milhões levantados anteriormente na fase seed, ou fase semente, do negócio.

A companhia desenvolve uma tecnologia de propulsão solar-térmica em que a radiação solar concentrada aquece combustível de amônia, gerando empuxo. Em comparação com os motores químicos ou elétricos tradicionais usados em satélites, essa abordagem promete ampliar de forma expressiva a capacidade de manobra: reconfigurações orbitais de naves espaciais que hoje exigem semanas ou meses poderiam, em teoria, ser realizadas em horas ou dias.

O fundador da Portal, Jeff Thornburg, trabalhou anteriormente na Força Aérea dos Estados Unidos e depois na SpaceX, onde participou do desenvolvimento do motor Raptor para o Starship. A empresa pretende demonstrar a nova tecnologia em órbita nos próximos anos.

O avanço está sendo conduzido em etapas. O primeiro veículo da empresa, o Starburst-1, usa um sistema de propulsão mais convencional, mas já incorpora tecnologias centrais das futuras plataformas. Seu lançamento pode ocorrer já no outono, dentro da missão Transporter-18 da SpaceX. Em paralelo, a Portal prepara uma plataforma mais avançada, a SuperNova, equipada com propulsão solar-térmica. Cerca de 81% dos componentes dos dois veículos são padronizados.

A empresa já realizou os primeiros testes orbitais: o veículo experimental Mini-Nova foi colocado em órbita para validar os sistemas de controle e de energia e, segundo a Portal, está operando normalmente.

A tecnologia também despertou interesse militar. A Portal recebeu US$ 45 milhões em financiamento do Departamento de Defesa dos EUA. O principal interesse está na possibilidade de manobras orbitais rápidas - por exemplo, para observação de objetos e para tarefas de proteção da infraestrutura espacial.

Os usos comerciais incluem ainda o rastreamento e a remoção de lixo espacial. Nesse segmento, a Portal já anunciou uma parceria com a empresa australiana Paladin Space, e o consórcio Starlab avalia integrar essas soluções a uma futura estação orbital comercial.

No longo prazo, os veículos SuperNova também podem entrar no programa lunar Artemis: suas características permitem deslocamentos entre a órbita geoestacionária e o espaço cislunar sem necessidade de foguete, o que abre espaço para aplicações em logística, comunicações e missões científicas.

A Portal também se prepara para ampliar a produção. A empresa está construindo um complexo fabril com cerca de 4.800 m2 e espera chegar, até 2027, a uma produção de até quatro veículos por mês. A equipe, por sua vez, deve crescer aproximadamente ao dobro.

Além disso, a propulsão solar-térmica pode servir de base para futuros motores nucleares, nos quais o calor do reator substituiria a radiação solar. Isso pode acelerar o desenvolvimento desse tipo de sistema quando houver demanda correspondente.

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