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Cofundador da americana Super Micro criou um esquema para enviar servidores com aceleradores Nvidia para a China, no valor de US$ 2,5 bilhões.

Homem empurra carrinho com caixa dentro de data center entre racks de servidores ligados com luzes verdes.

Acusados no caso dos servidores da Nvidia podem pegar até 30 anos de prisão

Nos Estados Unidos, três pessoas foram formalmente acusadas no caso de exportação ilegal para a China de servidores equipados com aceleradores de IA da Nvidia. De acordo com a denúncia tornada pública, os suspeitos integravam um esquema montado para driblar as restrições americanas de exportação por meio de uma empresa de fachada no Sudeste Asiático.

Segundo a investigação, documentos falsos eram emitidos por intermédio desse mediador fictício, enquanto os servidores eram reenvasados para mascarar sua verdadeira finalidade e o destinatário final. As autoridades americanas afirmam que, dessa forma, servidores avaliados em bilhões de dólares teriam sido enviados para a China, e que o volume total de vendas ligado ao esquema desde 2024 poderia chegar a US$ 2,5 bilhões.

Embora a Super Micro não tenha sido citada diretamente como ré no processo, os envolvidos mantinham ligação estreita com a empresa. Um deles é cofundador da Super Micro, outro atuava como gerente de vendas da companhia em Taiwan, e o terceiro aparece como intermediário externo que já havia trabalhado com eles. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, os dois primeiros já foram presos, enquanto o terceiro permanece foragido.

A apuração também sustenta que os participantes da operação utilizaram milhares de carcaças vazias de servidores no Sudeste Asiático, apresentando-as como equipamentos destinados a clientes locais. Já os servidores reais com aceleradores da Nvidia eram remetidos para a China. Os autos do caso também citam manipulação de números de série: de acordo com analistas, imagens de câmeras de segurança registraram trabalhadores supostamente transferindo etiquetas dos servidores verdadeiros para as carcaças falsas.

A própria Super Micro confirmou que os acusados tinham ligação com a empresa, mas ressaltou que não responde ao processo. A fabricante informou ter afastado dois funcionários e encerrado a relação com o prestador de serviços, além de destacar seu compromisso com o cumprimento da legislação americana de exportação. A Nvidia adotou posição semelhante e declarou que segue rigorosamente as regras de controle de exportação e não dá suporte a sistemas fornecidos em desacordo com a lei.

Os acusados enfrentam graves acusações federais, com penas que podem chegar a 30 anos de prisão, além de multas elevadas, confisco de bens e proibição de atuar em setores sujeitos a controle de exportação.

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