Na Austrália, pesquisadores desenvolveram uma prova de conceito de bateria quântica. Com isso, conseguiram demonstrar uma propriedade que pode transformar o setor automotivo: quanto maior a bateria, mais rápido ela se carrega. James Quach, líder da equipe, afirma que sua meta é ver veículos elétricos recarregando mais depressa do que um automóvel movido a gasolina.
Apesar dos avanços da indústria, o tempo de recarga continua sendo uma das principais desvantagens do carro elétrico. É justamente aí que uma nova tecnologia pode mudar o cenário e impulsionar ainda mais a adoção desse tipo de propulsão: a bateria quântica. Ela ainda não existe como produto comercial, mas cientistas australianos da CSIRO, a Organização Australiana de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth, da agência científica nacional da Austrália, da Universidade RMIT e da Universidade de Melbourne acabam de dar um passo importante nessa direção ao criar a primeira prova de conceito do dispositivo.
Ao construir essa bateria experimental, os pesquisadores também confirmaram uma característica especialmente relevante: nas baterias convencionais, que dependem de reações químicas, o tempo de recarga aumenta conforme o tamanho. Já a bateria quântica se comporta de maneira oposta. Quanto maior ela é, mais rápido ocorre a recarga. “Meu objetivo final é um futuro em que possamos recarregar carros elétricos muito mais rapidamente do que carros a gasolina [...]”, explicou James Quach, responsável pela pesquisa. Esse comportamento inesperado ocorre por causa de um fenômeno conhecido como “efeitos coletivos”. Em determinadas condições, a resposta de um sistema cresce à medida que ele aumenta de escala.
No estudo, a recarga da bateria quântica foi feita com o uso de um laser. Esse detalhe também abre caminho para novas formas de alimentar dispositivos e veículos no futuro. Segundo James Quach, um dia pode ser possível recarregar uma bateria à distância, por meio de uma tecnologia sem fio.
Se essa perspectiva se confirmar, o impacto pode ir além dos carros. Baterias com esse princípio poderiam beneficiar desde equipamentos industriais até sistemas de armazenamento de energia, principalmente em contextos em que o tempo de parada precisa ser mínimo. Para o mercado automotivo, isso significaria menos tempo ligado à tomada e uma experiência de uso mais próxima da conveniência dos combustíveis fósseis, sem abrir mão da eletrificação.
Além disso, uma solução com carregamento muito mais rápido poderia aliviar parte da pressão sobre a infraestrutura de recarga, hoje concentrada em pontos públicos e em instalações residenciais com capacidade limitada. Em um cenário de adoção em massa, esse avanço ajudaria a tornar a transição para a mobilidade elétrica mais prática para motoristas, frotas e empresas de transporte.
Uma tecnologia promissora, mas que ainda exige mais pesquisa
Por enquanto, os estudos ainda precisam avançar antes que a primeira bateria quântica chegue ao mercado. James Quach afirma que a próxima fase deve se concentrar em aumentar o tempo de armazenamento da bateria quântica. Mesmo assim, se esse obstáculo for superado, “ficaremos um pouco mais perto de baterias quânticas comercialmente viáveis”, segundo o pesquisador.
A CSIRO, sigla para a Organização Australiana de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth, já informou que está em busca de parceiros para desenvolver essa tecnologia.
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