Não é obrigatório gastar uma fortuna para comprar um bom PC portátil gaming. As configurações de entrada, além de caberem no bolso, fazem cada vez mais sentido num momento em que o universo do PC caminha para uma crise como poucas. Entenda o porquê.
Ao procurar um notebook gamer, a tendência é mirar direto nos modelos topo de linha - e isso é compreensível. Escolher uma máquina com uma Nvidia GeForce RTX 5070 ou 5080 costuma significar alto desempenho e um equipamento que aguenta mais tempo sem ficar “para trás”.
O problema é que esses notebooks custam caro: acima de 1500 euros (fora promoções) nos modelos mais acessíveis com RTX 5070, e bem acima de 2000 euros quando o assunto é acabamento premium. Então por que não considerar algo menos chamativo, com uma RTX 5050 ou 5060, mas também bem mais barato? Para jogar bem, nem sempre é preciso se endividar - e os motivos são estes.
O preço dos PCs virou exagero - e com a RAM a tendência é piorar
Já havíamos explorado isso em um editorial anterior: o custo da RAM disparou. A memória RAM (memória de acesso aleatório) é essencial em qualquer computador, mas está prestes a ficar mais escassa - e, por consequência, mais cara.
Grandes empresas de tecnologia estão comprando RAM em volumes gigantescos para abastecer datacenters voltados a IA, deixando pouco para o consumidor comum. Entre os três principais fabricantes de RAM, um deles (Micron) já comunicou que vai priorizar o mercado corporativo. Os outros dois (Samsung e SK Hynix) estão acelerando a produção, mas sem querer correr o risco de excesso de estoque. Resultado: o preço da RAM aumentou de forma brutal, indo de “metade” para “o dobro” - e segue subindo.
Na prática, o valor dos computadores (e de outros produtos de tecnologia) tende a saltar. Se comprar um PC topo de linha já pesa hoje, em 2026 isso pode virar artigo de luxo. Nesse cenário, faz sentido olhar para alternativas menos “ostentação” - e mais acessíveis.
PCs portáteis gamer de entrada entregam desempenho sólido por menos dinheiro
Sim: um PC com RTX 5080 permite jogar em 4K com tudo no máximo, path tracing no talo. É difícil negar que isso é ótimo. Quem não gostaria de jogar num Razer Blade 16 de mais de 4000 euros? Ainda assim, as configurações mais modestas continuam relevantes. Uma RTX 5050 ou 5060 dá conta de jogar bem, especialmente em 1080p.
Recentemente, testamos dois notebooks de entrada: o HP Victus 15 (com 5050) e o Lenovo Legion LOQ 15 IRX10 (5060). Os dois, claro, fazem concessões - principalmente em tela (Full HD) e em acabamento -, mas permitem jogar com tranquilidade. No teste do HP com RTX 5050, por exemplo, Cyberpunk 2077 chega a 70 imagens por segundo com ray tracing no modo “baixo”. Já Arc Raiders, o shooter do momento, fica variando entre 80 i/s e 90 i/s. Ou seja: dá para jogar em boas condições.
No Lenovo LOQ, que traz uma RTX 5060 com um pouco mais de fôlego, os números sobem: Cyberpunk atinge 114 i/s, Battlefield 6 chega a 180 i/s e DOOM The Dark Ages encosta em 200 i/s. Nada mal para uma máquina “de entrada”.
Essas medições foram feitas em 1080p, sem deixar o ray tracing no máximo, mas com texturas no máximo. Um desempenho assim vem principalmente do DLSS, tecnologia da Nvidia. Com ajuda de IA, ela aumenta os FPS sem exigir a mesma quantidade de força bruta. Como isso acontece? Fazendo upscale do jogo em tempo real ou criando quadros “fantasmas”. Um exemplo prático: a placa calcula duas imagens “reais” do game, e a IA cria três imagens “falsas” entre elas. O efeito é um ganho grande de fluidez. É a IA aplicada ao gaming de um jeito inteligente - uma mudança importante que faz as configurações menores entregarem desempenho excelente.
E tudo isso em notebooks com preço bem mais em conta. O Lenovo LOQ 15 IRX10 está à venda por 999 euros (com Intel Core i5-13450HX), e o HP Victus 15 também aparece por 999 euros (com CPU AMD Ryzen AI 5 340). Na Black Friday, com a dinâmica de descontos, este último chegou a 799 euros. E, no momento em que este texto foi escrito, a versão com 5060 do mesmo PC estava em promoção por 899 euros. Em outras palavras: com GPUs de entrada, dá para ter uma boa experiência por menos de 1000 euros.
De olho no futuro: os estúdios terão de baixar as exigências (e otimizar mais)
Comprar um PC barato é ótimo - mas isso é realmente “à prova do futuro”? A tecnologia corre, os jogos também, e é natural pensar que o que é aceitável hoje pode sofrer em dois ou três anos. Só que o momento atual foge do padrão. Como dito antes, a escalada no preço da RAM tende a provocar uma crise sem precedentes no mercado de PCs. E os desenvolvedores de jogos vão ter de reagir - e rápido. Afinal, qual a vantagem de lançar um título lindo e pesado se quase ninguém consegue rodar?
Há poucos dias, o estúdio Larian (Baldur’s Gate 3, Divinity) comentou o tema em entrevista ao The Gamer. Sven Vincke, CEO da empresa, falou com franqueza:
“Um dos desafios que a Larian enfrenta é o preço da RAM e dos SSD e, porra, cara, isso é realmente um absurdo, a gente nunca viu isso”
A crise, segundo o contexto apresentado, já está empurrando o estúdio a otimizar ao máximo o próximo título, Divinity, mostrado no The Game Awards:
“Nós já precisamos fazer trabalho de otimização durante o early access, algo que não era necessariamente obrigatório nessa etapa do desenvolvimento”
Aqui quem fala é a Larian, mas o problema afeta praticamente todos os desenvolvedores - principalmente de jogos AAA -, que terão de buscar saídas. Com isso, a expectativa é que os games venham mais bem otimizados e menos exigentes, o que ajuda as configurações “pequenas” a envelhecerem bem mais devagar.
Por isso, não é preciso “estourar a poupança” para jogar bem, especialmente agora. Fazendo algumas concessões, dá para se divertir no PC - inclusive com jogos grandes - por muito tempo.
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