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Ficção

Mesa de madeira com livros abertos, lupa, cubo dourado, robô de brinquedo e outros objetos decorativos.

1. Uma Vida Longínqua - romance de M L Stedman

Temos uma palavra para aquilo que lembramos: memória. Mas como nomear aquilo que esquecemos - ou que preferíamos apagar? Em Uma Vida Longínqua, o épico segundo romance de M L Stedman, autora do best-seller emocional A Luz Entre Oceanos, acompanhamos os MacBride, uma família de criadores de ovelhas na Austrália Ocidental dos anos 1950. A rotina dura, mas feliz, de trabalho pesado nos pastos é subitamente abalada por uma tragédia terrível. E, quando tudo indica que finalmente poderão começar a se recompor, outro acontecimento sísmico dá origem a um segredo que paira sobre todos - e que pode destruí-los.

Com grande habilidade, Stedman traça o retrato de como cada um de nós escolhe o que preservar na lembrança, o que empurrar para o esquecimento, quem proteger e, no fim, apesar de tantas disputas internas, como seguir em frente. Ambientada numa visão vividamente construída e hostil do interior australiano, a narrativa sugere que o maior perigo talvez não esteja na paisagem, e sim na mesquinhez de pessoas de mentalidade estreita e provinciana. É um romance envolvente, feito para deixar marca por muito tempo depois da última página.

2. Edifícios Estranhos (traduzido por Jim Rion), de Uketsu

Você talvez não saiba bem o que esperar de Edifícios Estranhos, de Uketsu - um autor enigmático que realmente foge de qualquer rótulo e acabou criando um nicho literário próprio. Quem já leu suas obras anteriores, Imagens Estranhas e Casas Estranhas, tem tudo para se encantar com este lançamento; e quem está chegando agora, espera-se, deve ficar igualmente fisgado.

Uketsu constrói um enredo macabro e inquietante a partir da análise de 11 edifícios nos quais ou ocorreram acontecimentos sinistros, ou há algo que simplesmente não fecha. Aos poucos, a investigação desemboca numa história impressionante, que vai ficando cada vez mais sombria conforme os enigmas são resolvidos e as peças se encaixam. É, de fato, um trabalho extraordinário - capaz de gelar e fascinar na mesma medida - e que precisa ser lido para ser acreditado.

3. A Bruxa Noturna, de Hester Musson

Assombrada por pesadelos desencadeados pela paralisia do sono, uma jovem arqueóloga tenta escapar da criação marcada por truques de feiticeira, mergulhando num universo de racionalidade e ciência. Porém, ao se ver obrigada a encarar as superstições de moradores locais durante uma escavação numa propriedade rural escocesa, ela começa a duvidar da própria sanidade - e dos segredos enterrados no seu passado.

Com uma fluidez impressionante, Musson dá corpo ao horror reprimido e à insegurança de uma mulher na Grã-Bretanha vitoriana, enquanto ela atravessa conflitos de classe, uma cultura de contos populares e um establishment misógino. A narrativa se desenrola como um clássico da literatura do período, mas com um ritmo de escrita atual que mantém o leitor preso. O único elemento que fica faltando é uma queda num pesadelo metafórico e surreal, no qual você, leitor, passe a se confundir sobre o que é real e o que não é.

4. Uma História da França em 21 Mulheres, de Katherine Pangonis

Em seu livro mais recente, Katherine Pangonis reanima a história da França ao colocar em destaque 21 mulheres que ajudaram a moldar o país. O arco temporal é amplo: começa com a rainha e santa católica Balthild de Chelles, que viveu no século VII, e vai até Brigitte Bardot, a atriz e cantora controversa que morreu no ano passado.

Algumas trajetórias serão conhecidas - como Joana d’Arc ou Coco Chanel -, mas outras aparecem com bem menos frequência, como a de Djamila Boupacha, ativista argelina. Longe do tom árido de um manual escolar, Pangonis dá vida a cada personagem com uma escrita acessível e cativante, que se apoia no drama inerente de cada existência. Em certos momentos, pode soar como um passeio acelerado pelos fatos, mas esse é o preço de reunir 21 vidas num único volume - e a troca compensa.

Livro infantil da semana

5. O Robô Perdido, de Joe Todd-Stanton

Um pequeno robô quebrado chamado Mio desperta no topo de um lixão, tentando se lembrar de como foi parar ali. Ele começa a caminhar entre os detritos até encontrar um buraco num muro - e, do outro lado, há pessoas. Aos poucos, recorda que foi um presente para um menino e que viveu um tempo feliz como brinquedo querido, até se quebrar.

O robô chega à casa onde o menino mora, mas descobre que ele agora brinca com um robô novo. Mio retorna ao lixão, até que uma menina o vê e decide levá-lo para casa para consertá-lo. O livro é lindamente ilustrado e trabalha a ideia de que a maioria das coisas quebradas ainda pode ser salva - uma mensagem forte para crianças pequenas e seus responsáveis numa sociedade que descarta com facilidade. Joe Todd-Stanton é um autor e ilustrador premiado, com um talento natural para contar histórias.

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