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Rede de padarias vende o pão menos saudável, alerta órgão de defesa do consumidor francês.

Mulher escolhendo pães em padaria com diferentes tipos de pão expostos em balcão de madeira.

Dados recentes estão mexendo com as escolhas que fazemos todos os dias.

O pão é presença constante nas refeições. Um levantamento recente da UFC-Que Choisir, realizado em várias redes nacionais, expôs diferenças marcantes de qualidade nutricional entre baguetes e pães de campanha vendidos no dia a dia.

O que a pesquisa coloca em evidência

A entidade de defesa do consumidor avaliou redes bastante conhecidas com dois focos: perfil nutricional e uso de aditivos. Entraram na análise pães muito comprados - baguete, pão de campanha e pães integrais - para comparar sal, fibras, gorduras, além do resultado geral no Nutri-Score.

O retrato final é desigual. Há redes com desempenho razoável, especialmente quando o assunto são os pães integrais. Em outras, o cenário é menos positivo, com sal acima do desejável e baixo teor de fibras. Para a associação, essa distância entre produtos reforça a necessidade de uma informação mais visível no ponto de venda, ajudando o cliente justamente no momento decisivo: o pedido.

Nutri-Score no pão: notas com grandes diferenças

Dentro do comparativo, alguns pães integrais de determinadas redes chegam ao Nutri-Score A, impulsionados por mais fibras e por um controle melhor do sal. No extremo oposto, a Boulangerie Louise aparece na parte mais baixa do ranking do estudo, com resultados fracos em vários pães básicos e Nutri-Score D em itens populares, como a baguete e o pão de campanha.

"Segundo a pesquisa, a Boulangerie Louise figura última no ranking, enquanto pães integrais concorrentes obtêm um Nutri-Score A e notas superiores a 16/20."

Essa diferença não se explica apenas pela receita. Tempo de fermentação, qualidade das farinhas, presença de aditivos ou “melhoradores” e o ajuste fino da quantidade de sal influenciam bastante o resultado final no prato.

Por que alguns pães viram um problema

O ponto mais criticado gira em torno do sal. No pão, ele dá estrutura à massa, realça o sabor e ajuda na conservação. Por outro lado, ele pode elevar rapidamente o consumo diário. A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos não ultrapassem 5 g de sal por dia. Como o pão costuma ser consumido em volumes consideráveis, ele pode representar uma parcela importante desse total.

Sal: a variável que mais pesa

Os itens destacados pela UFC-Que Choisir frequentemente ficam acima do esperado em teor de sal. Na França, um objetivo de 1,5 g de sal por 100 g de pão é usado como referência no setor. Com essa base, uma baguete de 250 g com 1,5 g/100 g entrega, sozinha, cerca de 3,75 g de sal. Se ainda entra mais pão no jantar, o limite diário recomendado pode ser ultrapassado com facilidade.

  • 1/4 de baguete de 250 g a 1,5 g/100 g = cerca de 0,94 g de sal.
  • 1/2 baguete = cerca de 1,88 g de sal.
  • 1 baguete inteira = cerca de 3,75 g de sal.

Ao longo do dia, um sanduíche no almoço, um pedaço de pão no jantar e outros itens salgados (embutidos, queijos, sopas prontas) fazem a conta do sódio subir rapidamente.

Aditivos e modo de fabricação do pão

Outro tema sensível é o uso de aditivos. Os pães rotulados como “tradição francesa” não trazem aditivos, conforme o regulamento que define essa denominação. Já outros tipos podem incluir melhoradores, emulsificantes ou enzimas tecnológicas, usados para padronizar o resultado e acelerar a produção. Essas escolhas interferem na textura, no tempo de conservação e, em alguns casos, na tolerância digestiva.

Além disso, farinhas menos “completas” - com menor presença das partes externas do grão de trigo - entregam menos fibras e minerais. A textura costuma agradar mais gente, porém a saciedade tende a cair, o que pode levar a comer mais. Em uma semana, o equilíbrio pode se perder: mais sal, menos fibras e aumento de calorias por compensação.

Como identificar um pão mais saudável

Alguns sinais simples ajudam a escolher melhor sem abrir mão do prazer da casca recém-assada.

  • Dar preferência a farinhas semi-integrais (T80) ou integrais (T110/T150), por terem mais fibras.
  • Perguntar o teor de sal por 100 g quando essa informação estiver disponível na loja.
  • Optar por pães com fermentação mais longa, que muitas vezes são mais saborosos e melhor tolerados.
  • Procurar a denominação “tradição francesa” para evitar aditivos.
  • Comparar o Nutri-Score quando ele estiver informado na prateleira ou em materiais de comunicação.
  • Preferir fatias menos espessas e congelar o excedente para controlar porções.
Tipo de pão (100 g) Sal médio Fibras Pontos de atenção
Baguete branca ≈ 1,5 g ≈ 2,5–3,5 g Baixa saciedade, sal elevado
Pão de campanha ≈ 1,3–1,6 g ≈ 3–5 g Receitas variam conforme a rede
Pão semi-integral (T80) ≈ 1,2–1,5 g ≈ 4–6 g Bom equilíbrio entre sabor e fibras
Pão integral (T110–T150) ≈ 1,1–1,4 g ≈ 6–8 g Saciedade mais alta

Os números acima são apenas referências: eles mudam conforme a receita e o método de preparo. Por isso, ganha força a ideia de um rotulamento nutricional claro, inclusive nas redes.

O que a associação está pedindo

Depois da avaliação, a UFC-Que Choisir defende regras mais rígidas para a informação ao consumidor. Entre as demandas estão: aplicação do Nutri-Score para pão vendido em rede, exibição dos teores de sal e fibras, além de melhor rastreabilidade das farinhas utilizadas. A intenção é permitir comparação rápida entre opções, sem precisar procurar dados em lugares diferentes.

"Exibição do Nutri-Score no balcão, respeito a um teto de sal, transparência sobre as farinhas: três alavancas que mudam a compra."

O foco recai sobre as cadeias, onde o volume vendido amplia o impacto na saúde pública. A associação também sugere dar mais destaque a pães ricos em fibras nos materiais promocionais, para influenciar a decisão de quem compra com pressa.

O que dizem os profissionais do setor

Para os padeiros, há um ajuste fino a fazer: reduzir o sal sem prejudicar a estrutura da massa e o sabor. Algumas redes dizem que já diminuíram o sódio das receitas e investiram em fermentações mais longas. Ainda assim, o desnível observado pelo estudo entre uma rede e outra pressiona parte do mercado a acelerar mudanças.

Alguns artesãos lembram que o “pão de tradição francesa” não utiliza aditivos, enquanto pães especiais seguem especificações diferentes. Para o consumidor, isso reforça a utilidade de perguntar no balcão, principalmente sobre o tipo de farinha e a quantidade de sal.

O que fazer se você compra com frequência em redes

Manter o pão no cardápio não significa abrir mão da saúde. Um ajuste simples já ajuda: usar pão semi-integral ou pão integral na rotina. Deixar a baguete branca mais para ocasiões. Evitar somar pão salgado, embutidos e queijo na mesma refeição. Completar com saladas cruas ou com uma fonte de proteína com pouco sal.

  • No almoço, escolher sanduíche em pão integral, pedir menos molho e incluir vegetais.
  • No jantar, mirar 60–80 g de pão se o resto do prato já tiver alimentos salgados.
  • Experimentar uma fornada com fermentação longa no fim de semana e congelar fatias para a semana.

Referências práticas e conceitos importantes

O Nutri-Score combina cinco grupos de fatores: energia, açúcares, gorduras saturadas, sal e frutas/vegetais/fibras/proteínas. Um pão integral sobe na classificação por causa das fibras, sobretudo quando o sal fica abaixo de 1,5 g/100 g. Já o pão branco, com menos fibras e por vezes mais sal, tende a cair para C ou D.

O “pão de tradição francesa” segue uma regra: farinha, água, sal, fermento e/ou levain, sem aditivos. Essa menção reduz o uso de correções industriais e favorece uma fermentação mais controlada. Vale pedir essa informação no balcão, inclusive para comparar com uma baguete padrão.

Uma conta rápida: se você come 1/2 baguete ao longo do dia (≈1,9 g de sal) e 80 g de queijo (≈1,2 g de sal), já chega perto de 3,1 g de sal, sem incluir embutidos, pratos prontos ou sopas. Ao trocar a baguete por 100 g de pão integral a 1,2 g/100 g, você reduz cerca de 0,7 g de sal e adiciona 3 g de fibras, com saciedade geralmente maior.

Um detalhe final: a densidade muda tudo. Uma fatia grossa de pão bem aerado pesa menos do que uma fatia fina de pão mais denso. Pesar uma porção uma única vez ajuda a calibrar suas referências e a cumprir metas sem perder o prazer do crocante.

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