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NASA refaz teste crucial de abastecimento do foguete lunar após vazamentos perigosos.

Homem com fone em sala de controle observa lançamento de foguete na plataforma externa durante o dia.

NASA tentou novamente abastecer o foguete da missão Artemis II nesta quinta-feira, em Cabo Canaveral, na Flórida, depois que vazamentos interromperam o primeiro ensaio geral e empurraram para frente a primeira viagem lunar com astronautas em mais de meio século.

Pela segunda vez neste mês, as equipas de lançamento começaram a transferir mais de 2,6 milhões de litros de combustível super-resfriado para o foguete no topo da plataforma. Até a metade do procedimento, não havia relatos de vazamentos relevantes.

Ensaio de abastecimento da Artemis II: o passo mais crítico do “countdown” de dois dias

Essa etapa é considerada a mais difícil e sensível de toda a contagem regressiva de prática, que dura dois dias. O desempenho do sistema durante o abastecimento é o que vai indicar se ainda existe margem real para um lançamento em março da Artemis II, missão lunar que levará quatro astronautas.

No ensaio realizado duas semanas antes, quantidades perigosas de hidrogénio líquido (super-resfriado) escaparam nas ligações entre a plataforma e o foguete SLS (Space Launch System), com cerca de 98 metros de altura.

Para tentar concluir o teste repetido no Kennedy Space Center, engenheiros trocaram dois anéis de vedação e também substituíram um filtro entupido.

Data de lançamento só depois da demonstração de abastecimento

A NASA deixou claro que não vai marcar uma data para a Artemis II antes de aprovar a demonstração de abastecimento. Três integrantes da tripulação EUA–Canadá juntaram-se mais tarde à equipa de lançamento para acompanhar de perto a evolução do teste.

Caso tudo corra bem, a primeira oportunidade para a decolagem seria 6 de março. A missão prevê uma viagem de 10 dias, de ida e volta, sem paragens, sendo o primeiro voo tripulado rumo à Lua desde a Apollo 17, em 1972. Mesmo assim, não está nos planos entrar em órbita lunar nem pousar.

Vazamentos de hidrogénio: um problema antigo que voltou ao centro do programa Artemis

A NASA convive com vazamentos de combustível à base de hidrogénio desde a era do space shuttle, que forneceu vários dos motores usados no SLS. No primeiro teste da Artemis sem pessoas a bordo, o voo ficou travado durante meses por causa de um vazamento de hidrogénio, até finalmente decolar em novembro de 2022.

O novo administrador da agência, Jared Isaacman, afirmou que a longa distância entre voos piora esse tipo de falha, porque componentes e conexões ficam mais sujeitos a degradação e perda de desempenho quando passam anos sem operação contínua. Isaacman, um empreendedor do setor de tecnologia, financiou as próprias viagens para a órbita por meio da SpaceX.

Com apenas dois meses no cargo, ele já prometeu redesenhar as conexões de abastecimento entre o foguete e a plataforma antes do próximo grande marco do programa.

Artemis III e a meta de pousar perto do polo sul lunar

Ainda a alguns anos de distância, a Artemis III tem como objetivo colocar dois astronautas em solo lunar, nas proximidades do polo sul da Lua - uma região de alto interesse científico por causa da possibilidade de gelo em crateras permanentemente sombreadas, recurso que pode apoiar missões futuras.

Além de ser um desafio técnico, a fiabilidade do abastecimento é um fator direto de segurança e de calendário: sem uma sequência consistente de testes bem-sucedidos, torna-se difícil consolidar janelas de lançamento e garantir previsibilidade para equipas e tripulações.

Segurança em primeiro lugar, diz Isaacman, enquanto critica crise do Starliner

Na semana passada, Isaacman reforçou em publicação no X que a prioridade máxima é a segurança: segundo ele, a NASA não vai lançar enquanto não estiver pronta, e a proteção dos astronautas continuará no topo das decisões.

No meio do teste de abastecimento desta quinta-feira, ele voltou a destacar a necessidade de rigor em segurança ao divulgar um relatório duro sobre o programa da cápsula Starliner, da Boeing, episódio que deixou dois astronautas presos por meses a bordo da Estação Espacial Internacional.

De acordo com Isaacman, a crise poderia ter terminado em perda de tripulação, e ele atribuiu responsabilidades tanto à Boeing quanto à liderança da NASA.

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