O procurador-geral da Flórida, nos Estados Unidos, iniciou uma investigação sobre o ChatGPT. A inteligência artificial é suspeita de ter dado apoio ao autor de um tiroteio que deixou duas vítimas fatais em 2025.
Em uma declaração publicada na rede social X, o procurador-geral do estado da Flórida, James Uthmeier, anunciou a abertura de uma apuração contra a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT. Segundo ele, há necessidade de esclarecimentos sobre ações da companhia que, em suas palavras, teriam prejudicado crianças, colocado americanos em risco e contribuído para o recente ataque em massa na Universidade Estadual da Flórida. O responsável também afirmou que os envolvidos precisam prestar contas.
Embora a inteligência artificial seja usada por grande parte do público como ferramenta de produtividade, seu uso também pode estar associado a situações graves. No caso em questão, o ChatGPT passou a ser investigado por uma possível participação indireta antes do tiroteio ocorrido na Universidade Estadual da Flórida, que resultou em duas mortes em 2025. De acordo com o The New York Times, os advogados da viúva de uma das vítimas avaliam entrar com uma ação judicial contra a OpenAI. Eles afirmam ter descoberto que o atirador manteve contato constante com o ChatGPT antes do ataque. Já o procurador-geral da Flórida declarou que é possível que a ferramenta tenha sido usada para auxiliar o agressor.
Além disso, o procurador afirmou que o ChatGPT também foi relacionado a outras condutas criminosas, entre elas o uso de material de abuso sexual infantil por predadores de crianças, bem como estímulo ao suicídio e à automutilação.
ChatGPT, OpenAI e a reação à investigação na Flórida
A OpenAI respondeu por meio de uma declaração divulgada pelo TechCrunch. Na nota, a empresa disse que mais de 900 milhões de pessoas usam o ChatGPT todas as semanas para melhorar a rotina, aprender novas habilidades e navegar por sistemas de saúde complexos. A companhia destacou que seus esforços contínuos em segurança seguem sendo fundamentais para oferecer esses benefícios ao público, ao mesmo tempo em que apoiam a pesquisa e as descobertas científicas. A OpenAI também afirmou que desenvolve o ChatGPT para compreender as intenções dos usuários e responder de forma segura e adequada, acrescentando que continua aperfeiçoando sua tecnologia.
A empresa disse ainda que vai cooperar com o procurador-geral durante a investigação.
Nos últimos anos, o debate sobre a responsabilidade de ferramentas de IA generativa ganhou força à medida que elas passaram a ser usadas em contextos cada vez mais sensíveis. Casos envolvendo saúde mental, segurança digital e eventual incentivo a comportamentos de risco têm levado autoridades, familiares de vítimas e especialistas a cobrar regras mais claras sobre monitoramento, prevenção e dever de cuidado das empresas que operam esses sistemas.
Vale lembrar que, após os incidentes relatados em 2025, a OpenAI já adotou medidas para tornar sua inteligência artificial mais segura, inclusive para identificar pessoas com problemas de saúde mental.
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