A Europa começa o verão com os reservatórios de gás no patamar mais baixo em vários anos. Para os franceses, a conta ainda pode subir antes da chegada do inverno.
A guerra no Oriente Médio não está pressionando apenas o preço da gasolina. Desde o bloqueio do estreito de Ormuz e os ataques às infraestruturas de petróleo e gás dos países do Golfo, toda a cadeia energética mundial passou a operar sob tensão. O impacto foi tão forte que os mercados de gás chegaram a registrar uma alta pontual de 100% nos preços, uma onda de choque que agora já aparece de forma direta nas contas de energia dos franceses.
Como já foi explicado, a partir de 1º de maio o preço de referência do gás passa para 160,54 euros por megawatt-hora, o que representa uma elevação de 15,4%. Na prática, isso significa cerca de 6,19 euros a mais por mês na fatura.
Vale destacar, porém, que nem todos os consumidores serão afetados da mesma maneira: apenas os 7,5 milhões de lares que têm contrato indexado a esse preço de referência - o indicador que substituiu a antiga tarifa regulada eliminada em meados de 2023 - verão a conta aumentar. Os contratos com preço fixo, por enquanto, ficam protegidos. Mas isso pode ser apenas o começo.
Estoques de gás na Europa: especialistas fazem alerta máximo
A Europa entra no período de recomposição dos estoques de gás em uma condição de fragilidade sem precedentes. Em 1º de abril, as reservas europeias estavam preenchidas em apenas 28%, um nível bem abaixo do registrado nos três anos anteriores e quase duas vezes inferior ao observado em alguns invernos recentes.
A ENTSOG, entidade europeia que reúne os gestores das redes de transporte de gás, está emitindo alertas. Seu diretor-geral, Piotr Kus, pede aos 25 países membros que comecem a armazenar gás “desde abril” e que “continuem o enchimento até novembro, a fim de garantir níveis adequados para o inverno que vem”. A mensagem é direta: não há margem para perder tempo.
O cenário internacional, no entanto, dificulta bastante esse trabalho. Como a Europa praticamente não produz gás em volume relevante, ela depende dos gasodutos vindos da Noruega e da Argélia para os fluxos regulares, além do gás natural liquefeito (GNL) trazido por navio para compensar a demanda. Só que o bloqueio do estreito de Ormuz reduziu fortemente a disponibilidade desse GNL, que também é muito disputado pelos mercados asiáticos. Com menos oferta e mais concorrência, recompor os estoques vai custar caro e levar mais tempo.
Se a Europa não conseguir encher suas reservas em volume suficiente antes do inverno, os preços podem voltar a subir. A fatura de maio talvez não seja a última surpresa desagradável do ano.
Em um contexto como esse, qualquer ganho de eficiência passa a contar mais. Reduzir o consumo em horários de pico, ajustar termostatos e revisar o isolamento de casas e prédios podem ajudar a amenizar o impacto sobre as contas. Para governos e distribuidores, também cresce a pressão para reforçar as estratégias de compra e armazenamento, já que a volatilidade do mercado tende a continuar elevada nas próximas semanas.
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