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Huawei MatePad 12 X 2025: tela fosca Papermatte e Android sem Google

Pessoa usando tablet com teclado destacável em mesa de madeira, ao lado de fones de ouvido sem fio brancos.

Testamos a Huawei MatePad 12 X 2025, um tablet que foge completamente do padrão por causa da tela fosca e de um sistema sem os serviços do Google.

Desde que Donald Trump colocou a Huawei na lista negra em 2019, a fabricante chinesa perdeu todos os parceiros americanos, inclusive o Google, que fornecia os Google Play Services. O bom desempenho crítico dos smartphones que vieram antes não foi suficiente: a gigante de Shenzhen acabou praticamente sumindo do mercado europeu.

Quase, porque ainda é possível encontrar produtos da marca em bons revendedores de tecnologia. É o caso da Huawei MatePad 12 X, que aposta em uma tela fora do comum. Testamos o aparelho para descobrir se um tablet vendido sem a Google Play Store ainda faz sentido em 2026.

Em um mercado em que muitos tablets parecem seguir a mesma receita, a proposta da Huawei mira um público mais específico: quem lê muito, trabalha em ambientes claros ou quer reduzir ao máximo a dependência do ecossistema do Google. Nesse cenário, a MatePad 12 X 2025 tenta oferecer uma alternativa real, e não apenas um experimento de nicho.

Preço e disponibilidade da Huawei MatePad 12 X 2025

A Huawei MatePad 12 X custa 550 euros, com 12 GB de memória RAM e 256 GB de armazenamento. Nesse valor, ela compete com o iPad Air (599 € na versão de 128 GB), a Galaxy Tab S10 Lite (489 €) e a Xiaomi Pad 8 Pro (551 € - ou 499 € no pacote da Pad 8 com teclado, mouse e caneta).

Mesmo assim, a MatePad leva vantagem sobre as concorrentes em um ponto importante: ela já vem com um teclado magnético, e a caneta M-Pencil 3 é oferecida como brinde na compra feita no site oficial.

Primeiro contato: uma carcaça sensível a riscos

À primeira vista, é um tablet como qualquer outro. As bordas são uniformes e relativamente finas, com 0,9 mm, a traseira é de vidro, a tela de 12,3 polegadas chama atenção por um detalhe que veremos mais adiante, a espessura fica na média, com 5,9 mm, e há quatro grelhas de alto-falantes visíveis nas laterais. A Huawei também não aposta em uma grande variedade de cores - ou melhor, em cor alguma, já que só o verde está disponível no momento na loja oficial, apesar de haver imagens também em branco. E não espere um verde floresta original: aqui a tonalidade é um verde anis bem claro.

Mas vale voltar ao revestimento do tablet. Antes de abrir o teclado, eu quis usá-lo sem nenhum acessório e, portanto, sem proteção, deixando-o várias vezes sobre o meu suporte de madeira para celular. Essa prática deixou riscos permanentes na parte traseira do tablet. Eles são leves e só aparecem em certas condições de luz, mas estão lá. E isso aconteceu mesmo sem qualquer problema com vários celulares que sempre foram apoiados no mesmo suporte.

Fora isso, a MatePad 12 X não passa a impressão de fragilidade. Ela não flexiona quando é torcida, e o peso de 555 gramas transmite uma boa sensação nas mãos. A Huawei, porém, não informa nenhuma certificação IP, então o ideal é mantê-la longe de água e poeira.

Tela fosca Papermatte na Huawei MatePad 12 X 2025

Como a tela é o principal ponto de contato com um tablet, ela é um componente decisivo. Nesse caso, a Huawei escolheu não usar um painel AMOLED, como quase todos os concorrentes, e sim uma tela IPS Papermatte. Essa tecnologia fica entre um LCD tradicional e uma tela de e-ink. Fosca, ela tenta reproduzir a sensação do papel.

De fato, a experiência lembra a de um leitor digital, mas com muito mais resposta ao toque. O preço dessa proposta aparece na qualidade da imagem: as cores ficam mais apagadas e mais quentes, os ângulos de visão são menores que os de um OLED e a impressão é a de olhar para a tela por um vidro levemente jateado, o que reduz a nitidez dos contornos em comparação com um painel convencional. Ainda assim, com 2800 x 1840 pixels, a MatePad 12 X não sofre de falta evidente de definição. É uma tela à qual a gente se adapta, mas ela foi pensada para produtividade, e não para entretenimento ou edição de foto e vídeo. Isso não a torna ruim - apenas diferente do que muita gente está acostumada a usar.

Pessoalmente, continuo com certa dúvida sobre a real vantagem desse tipo de display em um tablet. O principal benefício da tecnologia Papermatte é cortar reflexos, mas, em um aparelho usado grande parte do tempo em ambientes internos, essa vantagem acaba sendo limitada. Por outro lado, no combate aos reflexos o resultado impressiona de verdade, permitindo até ler conteúdo em branco sobre fundo preto mesmo de costas para a janela.

Ainda assim, vale dizer que conteúdos HDR não são exibidos corretamente em todos os casos. Às vezes, alguns arquivos ganham uma tonalidade acinzentada, sinal de que os dados HDR não foram considerados; em outros casos, o resultado fica ainda pior.

Se você passa muito tempo lendo documentos, anotando textos ou trabalhando próximo a janelas, essa tela faz mais sentido do que parece à primeira vista. Ela não chama atenção pela exuberância, mas entrega um conforto visual difícil de encontrar em painéis brilhantes. Em troca, exige aceitar uma imagem menos “viva” e menos cinematográfica.

Android sem Google, de verdade?

Em uma fase em que se fala bastante sobre diminuir a dependência das grandes plataformas, um tablet sem Google chama atenção. Ainda mais porque, em seis anos, a Huawei teve tempo para construir algumas alternativas aos serviços americanos.

Se você conhece bem o Android, o HarmonyOS 4.3 não deve causar estranhamento. Os dois sistemas são bastante parecidos, com a diferença de que você não acessa nativamente os aplicativos do Google. Isso é uma grande perda? Nem tanto. Primeiro porque a Huawei oferece a AppGallery, onde há muitos aplicativos disponíveis. CapCut, Deezer, TikTok, VLC, FranceTV, Telegram, MyTF1… provavelmente você vai encontrar ali parte dos apps que usa todos os dias. Para o restante, será preciso fazer um pouco de trabalho manual. No meu caso, instalei o F-Droid para buscar os apps de código aberto que utilizo, além da Aurora Store. Ela tem a particularidade de puxar os aplicativos diretamente da Play Store. E, se você instalar o microG - alternativa de código aberto aos serviços do Google -, praticamente tudo passa a funcionar. YouTube, Maps, Gmail: tudo roda. Mas fica a pergunta: por que comprar um tablet sem Google se a ideia é instalar os serviços do Google depois?

Uma resposta possível é: para aproveitar o hardware da Huawei e o ecossistema da marca. Só que, para isso fazer sentido, hardware e ecossistema precisam valer a pena. Aqui, a impressão é mais a de um Android mutilado, acompanhado de um conjunto de aplicativos medianos que sujam a tela inicial no primeiro uso, com alguns deles até isolados sozinhos em pastas tão inúteis quanto o próprio app.

Dito isso, depois que a limpeza é feita, sobra pouca coisa para criticar no HarmonyOS. O sistema é fluido, qualquer aplicativo pode ser aberto em uma janela flutuante, as opções de personalização são numerosas… em resumo, a base é sólida.

Uma ficha técnica intermediária

Agora vamos olhar o que há dentro do aparelho. A MatePad 12 X 2025 é equipada com um SoC HiSilicon Kirin T92B. A marca não divulga muitos detalhes sobre esse chip, mas uma pesquisa rápida mostra que ele é um octa-core fabricado em 7 nm, com GPU própria Maleoon 920A. No papel, portanto, trata-se de uma solução de faixa intermediária, próxima do Snapdragon 7s Gen 4, que já tinha nos deixado um pouco frustrados no Redmi Pad 2 Pro.

Mesmo assim, o desempenho aqui é levemente superior. Asphalt e Genshin Impact rodam bem, enquanto Fortnite fica um pouco serrilhado com os gráficos ajustados para “Médio”, mas ainda consegue manter uma taxa de quadros relativamente estável entre 25 e 30 FPS. Também não dá para exigir muito mais do que isso.

Para tarefas leves - navegação na web, redes sociais, streaming de vídeo e afins -, a MatePad 12 X não encontra dificuldade alguma. Pode parecer o mínimo, mas nem todos os aparelhos Android entregam isso com facilidade, principalmente por causa de otimizações ruins do sistema ou de alguns de seus elementos, como os widgets.

Desempenho, conectividade e câmeras da Huawei MatePad 12 X 2025

A conectividade está em ordem, mas a biometria praticamente não existe. Em outras palavras, não há leitor de impressões digitais, e o desbloqueio facial depende apenas da câmera frontal. No escuro, portanto, será necessário digitar sua senha.

Falando nela, a câmera frontal merece destaque. Se você pretende usá-la para videochamadas, por exemplo, vai notar que a qualidade não é das melhores. O sensor de 8 MP deixa a desejar em definição. Na traseira, a situação melhora um pouco com o sensor de 50 MP, mas a qualidade da imagem cai rapidamente quando a luz começa a faltar.

Boa autonomia

Um dos grandes pontos fortes deste tablet é a autonomia em espera. Você pode deixá-lo vários dias desligado da tomada e encontrá-lo praticamente cheio. Já quando o GPU entra em ação, ele consome toda a energia disponível para dar conta da tarefa. Isso significa que o aparelho aguenta muitas horas de streaming de vídeo - o suficiente para maratonar com folga sua saga de fantasia favorita -, mas um jogo faz a bateria de 10.000 mAh evaporar rapidamente.

Na recarga, porém, não espere velocidade de corrida. A carga começa em cerca de 1% por minuto, com desaceleração depois disso, chegando a uma carga completa em pouco menos de duas horas.

Para quem passa o dia entre aulas, deslocamentos ou reuniões, esse comportamento é útil: a tablet aguenta muito bem tarefas contínuas sem pedir tomada o tempo todo. O problema aparece quando o uso fica mais pesado, porque aí a autonomia deixa de ser um ponto de tranquilidade e passa a depender diretamente do tipo de aplicativo aberto.

Acessórios de qualidade, mas…

Como já adiantado na introdução deste teste, a Huawei MatePad 12 X vem acompanhada de um teclado magnético e de uma caneta. Mesmo sendo itens incluídos no pacote, os acessórios passam boa impressão.

O teclado - nosso exemplar era em QWERTY, mas a versão comercial é vendida em AZERTY -, além de ter um bom tamanho, oferece resposta agradável e permite duas inclinações diferentes para a tela. Em termos de construção, quase não há o que reclamar, exceto pelo fato de não haver touchpad e algumas teclas serem bem pequenas, como Esc e os parênteses. No software, porém, a Huawei ativa por padrão um corretor ortográfico proativo que não hesita em completar palavras por conta própria e até alterá-las completamente quando bem entende. Para ajustar isso, não é preciso entrar nas configurações do próprio teclado, mas nas do teclado virtual, o que também desativa essas opções úteis ao toque.

A caneta, por sua vez, é muito confortável na mão, carrega diretamente ao ser fixada na borda superior do tablet e emite uma resposta tátil extremamente agradável quando é pressionada. Nesse ponto, não notei nenhum problema de software, e o hardware também corresponde ao esperado.

Se o seu uso inclui anotações, desenho leve ou marcação de documentos, a combinação do teclado com a caneta ajuda a transformar o tablet em uma máquina mais versátil do que ele parece no primeiro contato. Ela não substitui um notebook completo, mas se aproxima bastante de uma experiência híbrida bem resolvida para produtividade cotidiana.

Nossa opinião sobre a Huawei MatePad 12 X 2025

A Huawei MatePad 12 X 2025 é um tablet ambíguo, mas que se destaca justamente por ser muito diferente do restante do mercado. Entre a tela fosca e o sistema operacional sem os Google Play Services, ela oferece uma alternativa para quem tem necessidades específicas - como leitura sob sol forte ou desejo de ficar longe do Google. Além disso, a Huawei lembra por que a marca chinesa crescia em ritmo de dois ou três dígitos antes de ser atingida pelo bloqueio do governo Trump. O hardware é bem ajustado e, mesmo sendo um modelo intermediário como a MatePad 12 X, ele dá conta de praticamente qualquer cenário, inclusive os mais exigentes.

Ainda assim, para a maioria dos leitores, ela provavelmente vai frustrar. A tela não é tão nítida quanto uma OLED, os conteúdos HDR são exibidos de forma irregular e encontrar seus aplicativos preferidos exige improvisação, o que pode até levar o usuário a recorrer a fontes pouco confiáveis - ou até contaminadas. Se o seu uso principal é assistir à Netflix ou à Disney+, talvez seja melhor procurar outro tablet.

Avaliação da Huawei MatePad 12 X 2025

Categoria Nota
Preço 549,99 €
Tela 6,0/10
Desempenho 7,5/10
Autonomia e recarga 7,0/10
Fotografia 5,0/10
Relação qualidade/preço 5,0/10
Nota geral 6,1/10

Pontos positivos

  • Usável mesmo sob sol forte
  • Desempenho suficiente
  • Boa autonomia fora dos jogos
  • Acessórios incluídos

Pontos negativos

  • HDR nem sempre é bem suportado
  • Exige ajustes para usar os serviços do Google
  • O acabamento fosco passa sensação de imagem levemente embaçada
  • Carregamento um pouco lento

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