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Grécia proíbe redes sociais para menores de 15 anos e antecipa debate europeu

Adolescente colocando o celular em uma tigela enquanto uma mulher sorri ao lado em cozinha com vista para a Acrópole.

Jovens com menos de 15 anos não poderão mais acessar nem criar conta no Instagram, TikTok, Snapchat ou Facebook. Um primeiro país da Europa acaba de oficializar essa decisão. Na França, o texto da lei já foi aprovado pelo Senado.

O primeiro-ministro da Grécia anunciou a proibição das redes sociais para menores de 15 anos a partir de 1º de janeiro de 2027. No cargo desde 2019 e reeleito em 2023, Kyriakos Mitsotakis saiu na frente de outros países europeus, que também estudam restringir o acesso às plataformas sociais entre os mais jovens e enfrentar problemas graves de ansiedade, sono e dependência.

A Grécia se tornou o primeiro país europeu a oficializar essa medida, que entrará em vigor em menos de um ano, a partir de 1º de janeiro de 2027. No cenário mundial, no entanto, o tema não é inédito: o debate começou na Austrália, onde o país bloqueou o acesso ao Facebook, Instagram, TikTok e Snapchat desde dezembro de 2025. A diferença é que, no caso australiano, a proibição atinge adolescentes com menos de 16 anos.

Além de divulgar um comunicado à imprensa, o primeiro-ministro grego publicou uma mensagem em vídeo direcionada aos jovens afetados, para explicar a situação e os benefícios da medida para a saúde. Kyriakos Mitsotakis afirmou que crianças que passam muitas horas diante das telas não conseguem descansar a mente e sofrem pressão crescente provocada por comparações constantes e comentários na internet.

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Essa não é a primeira iniciativa do governo grego nessa área. O país já havia proibido o uso de telefone celular nas escolas e também implementado plataformas de controle parental para reduzir o tempo de tela de crianças e adolescentes. Segundo uma pesquisa da ALCO publicada em fevereiro, 80% dos entrevistados apoiavam a restrição do acesso às redes sociais para menores de 15 anos.

Grécia e redes sociais: a proibição chegará antes que na França?

Em complemento, o primeiro-ministro Mitsotakis declarou que “a Grécia estará entre os primeiros países a tomar uma iniciativa desse tipo”. Ele acrescentou: “mas tenho certeza de que não será o último. Nosso objetivo é incentivar a União Europeia a seguir esse caminho também.” Entre os países que já demonstraram interesse em uma medida semelhante estão Dinamarca, Eslovênia, Reino Unido, Áustria e Espanha.

A França também avança na discussão sobre a proibição das redes sociais para menores de 15 anos. Em 31 de março, o Senado aprovou um texto de lei sobre o tema. Em vez de uma proibição total, os parlamentares tendem a defender a criação de uma “lista negra” das plataformas consideradas mais perigosas, segundo eles. Essa diferença pode atrasar o processo, já que a Assembleia Nacional não compartilha a mesma visão.

O presidente Emmanuel Macron, por sua vez, gostaria que a França adotasse a proibição já em setembro de 2026.

Nos bastidores, a discussão europeia também abre espaço para medidas práticas, como verificação de idade mais rigorosa, maior responsabilização das plataformas e reforço de ferramentas de controle parental. Para especialistas e governos, o desafio não é apenas limitar o acesso, mas criar um ambiente digital que reduza a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos e interações prejudiciais.

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