A Justiça da França determinou que Orange, Bouygues, SFR e Free suspendam com urgência o acesso ao site WatchPeopleDie. A plataforma reúne vídeos de violência extrema.
Desde o surgimento da internet, sempre existiram páginas voltadas ao choque, com imagens e gravações brutais. Quem viveu a adolescência no fim dos anos 1990 e no começo dos anos 2000 provavelmente se lembra do Rotten, um nome que causava arrepios em muitos jovens na época. Esse tipo de conteúdo continua circulando na rede e segue levando os tribunais a intervir.
Segundo a AFP, o tribunal judicial de Paris ordenou que os provedores de internet citados acima bloqueiem o WatchPeopleDie. Como o próprio nome sugere, o serviço permite que usuários assistam a vídeos extremamente violentos, na maioria das vezes com pessoas sendo filmadas no momento em que morrem ou sofrem tortura.
Bloqueio do WatchPeopleDie deve sair em até 15 dias
A decisão exige que as operadoras adotem todas as medidas possíveis para impedir o acesso ao site norte-americano por todos os assinantes localizados em território francês. Para a Justiça, a página é “inteiramente dedicada (…) à difusão de vídeos que mostram seres humanos morrendo, violentos e atentatórios à dignidade humana”. A expectativa é de que o bloqueio seja implementado nos próximos 15 dias.
Além de permitir acesso sem proteção para menores, a plataforma também disponibiliza material que é simplesmente ilegal na Europa. Por isso, as autoridades querem limitar a entrada no site até que ele se adeque à legislação. Diante do tipo de conteúdo oferecido, é difícil imaginar uma regularização simples. No momento em que este texto é escrito, o site ainda continua acessível. A página afirma reunir 4,5 milhões de cadastrados, número que certamente fica abaixo do total real de visitantes.
Esse caso também expõe um debate mais amplo sobre os limites da moderação na internet. Mesmo quando o bloqueio é determinado por um tribunal, a circulação de endereços alternativos, espelhos e cópias costuma dificultar a fiscalização. Ao mesmo tempo, cresce a pressão para que plataformas e provedores adotem mecanismos mais eficazes de proteção, sobretudo quando menores de idade podem chegar a esse tipo de material sem barreiras.
Shein escapou, Pornhub foi barrado na França
Em outro caso recente, o site Shein conseguiu evitar um bloqueio no país. O tribunal judicial de Paris rejeitou o pedido de suspensão por três meses contra a gigante chinesa do comércio eletrônico. Já em 2025, outra plataforma não teve a mesma sorte: o Pornhub foi bloqueado.
Nesse episódio, a Justiça apontou falhas na verificação da idade dos usuários. Com isso, o site acabou proibido em todo o território francês, abrindo espaço para a concorrência - que, vale lembrar, também não impõe restrições de acesso suficientemente rígidas para menores.
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