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Shein, AliExpress, Temu e Wish entram na mira por venda de conteúdo sexual ilegal

Mulher trabalhando em laptop com e-commerce aberto, com a Torre Eiffel de fundo em Paris.

A autoridade francesa de repressão às fraudes levou o caso à Justiça depois de encontrar esses produtos no site do gigante da moda on-line, o que provocou forte indignação. Mas a Shein não está sozinha: a AliExpress também foi citada. Já Wish e Temu foram apontadas por permitirem acesso irrestrito a conteúdo pornográfico.

A Direção-Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão às Fraudes (DGCCRF) informou no sábado, 1º de novembro, que acionou o Ministério Público após constatar a venda de bonecas sexuais com caráter pedopornográfico na Shein. O ministro da Economia, Roland Lescure, chegou a ameaçar proibir a plataforma chinesa. A AliExpress também foi envolvida no caso. Temu e Wish foram criticadas por outros motivos, ligados ao acesso “sem qualquer filtragem” a material pornográfico.

Produtos “difíceis de compatibilizar com a lei” na Shein

As equipes responsáveis pela repressão às fraudes identificaram bonecas sexuais com aparência infantil, cuja descrição e categorização “dificilmente deixam dúvidas quanto ao caráter pedopornográfico do conteúdo”, segundo comunicado oficial. Esses produtos, com cerca de 80 centímetros de altura, vinham acompanhados de textos de teor sexual.

O órgão comunicou imediatamente os fatos ao Ministério Público e também acionou a Arcom, reguladora do setor digital. A Shein, procurada pela imprensa, afirmou ter removido sem demora os itens em questão e aberto uma investigação interna para entender como os anúncios conseguiram escapar dos filtros da plataforma.

“Os produtos em questão foram retirados imediatamente assim que tivemos conhecimento deles”, declarou a empresa, dizendo ainda “levar o caso de forma extremamente séria”. O Ministério da Economia confirmou que agora há uma investigação judicial em andamento.

Esse episódio reacende a pressão sobre grandes marketplaces, que costumam hospedar milhões de anúncios publicados por vendedores terceirizados. Em casos assim, as autoridades francesas cobram mecanismos mais rígidos de moderação, verificação de idade e reação rápida diante de conteúdos proibidos, sobretudo quando há risco de exposição de menores a material ilícito.

AliExpress, Temu e Wish também foram denunciadas

Segundo apuração da RMC, a AliExpress também foi comunicada pela DGCCRF ao Ministério Público de Paris por comercializar bonecas com traços infantis vendidas como objetos sexuais. Já Temu e Wish foram mencionadas pela circulação de conteúdo pornográfico “sem filtragem para limitar o acesso de menores”, conforme relatou também o Le Parisien, que confirmou que as três plataformas foram contatadas pela repressão às fraudes para se adequarem à legislação francesa.

O governo francês endurece o discurso

Em entrevista à BFMTV, Roland Lescure adotou um tom duro. Para o ministro, a Shein “passou de todos os limites”. “Se esses comportamentos se repetirem, teremos o direito - e eu pedirei isso - de impedir o acesso da plataforma Shein ao mercado francês”, alertou. Ele também lembrou que “esses objetos horríveis são ilegais” e que a lei autoriza o governo a agir caso o conteúdo não seja retirado em até 24 horas.

Por sua vez, a alta-comissária para a Infância, Sarah El-Haïry, anunciou à RTL que convocará em breve todas as grandes plataformas de comércio eletrônico. “Quero entender quem autorizou a venda desses objetos, quais processos foram implementados e quem são os fornecedores, porque existem, de fato, pessoas produzindo essas bonecas absolutamente abomináveis”, afirmou.

Um momento especialmente ruim para a Shein em Paris

Esta nova crise chega em péssima hora para a Shein, que se prepara para abrir nesta semana sua primeira loja física no mundo, no BHV Marais, em Paris. A inauguração já vinha cercada de controvérsia. A empresa, que já foi condenada várias vezes em 2025 na França, acumulando um total de 191 milhões de euros em multas, ainda assim segue apresentando crescimento acelerado.

O caso também reforça o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais que operam como vitrines para vendedores independentes. Especialistas e autoridades defendem que esses serviços precisem assumir maior controle sobre os anúncios publicados, já que o volume de ofertas e a automação dos sistemas de recomendação podem permitir a circulação de conteúdos ilegais antes mesmo de uma revisão manual.

Além do impacto jurídico, a repercussão pode afetar a imagem dessas marcas junto ao público francês, especialmente em um momento em que consumidores e reguladores cobram mais transparência, checagem de fornecedores e mecanismos eficazes para bloquear produtos incompatíveis com a lei.

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