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A ação da Cisco volta ao pico histórico após 25 anos, impulsionada indiretamente pela onda da inteligência artificial

Profissional instalando equipamento de rede em servidor de data center tecnológico.

Vinte e cinco anos depois, a Cisco finalmente superou a maior cotação já registrada para suas ações na Bolsa, um patamar que havia sido alcançado antes do colapso da bolha da internet, em 2000. Agora, a companhia se beneficia de forma indireta da corrida em torno da inteligência artificial - movimento que, segundo alguns analistas, pode estar inflando uma nova bolha especulativa.

A empresa norte-americana, amplamente conhecida por seus equipamentos de rede, foi uma das grandes vencedoras com a expansão da internet. Em 27 de março de 2000, na euforia dos investidores, suas ações atingiram o valor máximo de US$ 80,06. Naquele mesmo dia, a Cisco também assumiu o posto de empresa de maior valor de mercado do planeta, ultrapassando a Microsoft. Esse auge, porém, durou pouco: como aconteceu com muitas companhias de tecnologia, a Cisco foi atingida pelo estouro da bolha especulativa da internet. Segundo a CNBC, em outubro de 2002 a companhia já havia perdido dois terços do valor de mercado.

Apesar desse tombo, a empresa resistiu, se expandiu e seguiu relevante. Hoje, embora sua capitalização ainda não se compare à de gigantes como Alphabet, Microsoft ou Nvidia, a Cisco vive uma espécie de reparação histórica. Pela primeira vez em 25 anos, a ação ultrapassou a máxima registrada em 2000.

Cisco e inteligência artificial: crescimento, resultados e impacto indireto

Atualmente, o portfólio da Cisco é bastante amplo e vai de soluções de telecomunicações a softwares, como o Webex. Além disso, a companhia também está colhendo efeitos indiretos do avanço da inteligência artificial. Em novembro, a empresa divulgou resultados trimestrais acima das expectativas. Na mesma ocasião, informou que os pedidos feitos pelos grandes grupos de tecnologia para suas infraestruturas de inteligência artificial vêm crescendo de forma acelerada e já somam US$ 1,3 bilhão.

Esse cenário ajuda a explicar por que o mercado voltou a olhar para a Cisco com atenção. Ainda que a empresa não seja uma das principais fornecedoras de chips para IA, como a Nvidia, ela está posicionada em uma camada estratégica: a da infraestrutura que sustenta redes, conectividade e parte dos sistemas usados nesse novo ciclo tecnológico.

Uma leitura recorrente entre investidores é que a valorização recente da Cisco não depende apenas do momento favorável da empresa, mas também do apetite geral do mercado por tudo o que se relaciona à inteligência artificial. Quando uma tecnologia passa a atrair volumes tão elevados de capital, até companhias mais maduras, com modelos de negócio consolidados, podem ser reprecificadas rapidamente.

Uma nova bolha especulativa está se formando?

Em todo caso, a valorização da Cisco traz de volta à memória o que ocorreu em 2000, justamente em um período em que cresce o medo de uma bolha especulativa provocada pela IA. Essa preocupação tem relação com os investimentos gigantescos anunciados por laboratórios de inteligência artificial, como a OpenAI, com alguns aportes considerados “circulares” e com as avaliações estratosféricas alcançadas por certos protagonistas do setor, entre eles a Nvidia, principal fornecedora de chips para inteligência artificial.

O tema divide opiniões. Mas, segundo o presidente-executivo do Google, Sundar Pichai, se os investimentos em inteligência artificial estiverem excessivamente inflados, “nenhuma empresa ficará ilesa”, inclusive o próprio Google.

No fundo, o caso da Cisco serve como um lembrete de como ciclos de entusiasmo podem se repetir nos mercados. A diferença é que, desta vez, o debate não se limita à internet como infraestrutura de conexão, mas à inteligência artificial como tecnologia capaz de reorganizar investimentos, cadeias produtivas e prioridades estratégicas em escala global.

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