Os “furtos de acessórios em veículos” seguem em alta na França, e agora têm uma nova vedete: a câmera de ré. Entenda o que está acontecendo.
Na França, há um tipo de crime discreto, longe de ser novidade, mas que continua avançando: o furto de peças e acessórios retirados diretamente dos veículos. Retrovisores, faróis, sensores… alguns modelos acabam se tornando alvos ambulantes. É uma dor de cabeça real para os motoristas e revela tanto a criatividade quanto a ousadia de ladrões cada vez mais especializados - além da facilidade com que determinados acessórios podem ser removidos.
Câmera de ré se torna o novo destaque dos furtos em veículos em 2025
De acordo com o balanço anual mais recente do Ministério do Interior, o cenário está longe de ser tranquilizador. Os furtos de acessórios em veículos continuam aumentando, com alta de 4% em relação ao ano anterior. Nada menos que 95.363 ocorrências foram registradas, um número que mostra a dimensão de um problema ainda subestimado.
Embora os “clássicos” do roubo automotivo - catalisadores, conjuntos ópticos, rodas e itens semelhantes - continuem sendo apostas seguras para os criminosos, novas peças passaram a despertar grande interesse. Entre elas, a câmera de ré se destaca. Instalada na parte traseira do veículo, ela reúne dois atrativos infelizmente irresistíveis: alto valor de revenda e desmontagem surpreendentemente simples.
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Entre os modelos mais visados estão alguns dos carros urbanos franceses mais populares: Peugeot 208, Renault Clio e Citroën C3. As câmeras de ré, fixadas na traseira do veículo, são especialmente cobiçadas: muitas vezes, basta uma chave de fenda ou um estilete para removê-las. Nesse recorte, o Renault Clio 5 - sem confundir com a geração 6, mais recente - aparece no topo dos furtos, seguido de perto pelo Mégane e pelo Captur.
No site da Renault, um kit de substituição custa, ainda assim, 195 euros. O resultado é que as vítimas, muitas vezes sem condições de identificar o autor do furto, acabam recorrendo a um boletim de ocorrência e, depois, a uma despesa inevitável. A UFC-Que Choisir lembra que apenas os motoristas com seguro total, ou com apólice básica complementada por coberturas específicas contra roubo, podem esperar algum tipo de indenização.
Enquanto isso, nas plataformas de classificados, a mesma câmera circula por valores entre 60 e 150 euros, o que representa uma oportunidade tentadora para compradores menos éticos.
Diante desse cenário, a prevenção ganha importância. Estacionar em locais iluminados, marcar componentes sensíveis e verificar se o seguro cobre a subtração de peças externas podem reduzir o prejuízo financeiro e o transtorno. Em paralelo, montadoras e oficinas vêm reforçando sistemas de fixação e adotando soluções de rastreabilidade para dificultar a revenda desses itens no mercado paralelo.
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